O conteúdo desse portal pode ser acessível em Libras usando o VLibras
Facebook Facebook Twitter LinkedIn Youtube Flickr SoundCloud

Resultados 18021 - 18040 de 21966

G1: Ceará registra 2,6 mil 'homicídios ocultos' em 15 anos, diz Ipea Homicídios não entram na estatística por falha na averiguação da morte. Somente em 2010, Ceará teve 331 casos de mortes não computadas. Em 15 anos, de 1996 a 2010, o Ceará teve 2.643 casos de "homicídios ocultos", quando a causa da morte não é esclarecida e o óbito é registrado fora das estatísticas de homicídio. Em todo o Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), há uma média de 8,6 mil homicídios cometidos todos os anos que não entram para as estatísticas. Os anos com maior número de homicídios ocultos foram em 1996, com 331 casos, e 2010, com 302 casos. Nesses anos, o número de homicídios ocultos representaram, respectivamente, 20% e 21% do total de assassinatos que entraram nas estatísticas oficiais. O estudo do Ipea foi realizad com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), estimando o número de homicídios ocultos (HOs) em cada estado, considerando os óbitos que foram "erroneamente classificados" como "causa indeterminada". Segundo o Ipea, foram analisadas as características socioeconômicas e situacionais associadas às quase 1,9 milhão de mortes violentas, ocorridas no país entre 1996 e 2010. Os resultados indicaram que o número de homicídios no país é 18,3% superior ao dos registros oficiais, o que representa cerca de 8.600 homicídios não reconhecidos anualmente. Com isso, as estimativas indicaram que o Brasil ultrapassou a marca anual de 60 mil óbitos por agressões.
O Globo (RJ): Pressões por indexação  Indexação: governo é pressionado Com a inflação em 6% há quatro anos, o governo sofre pressões por indexação (reposição da inflação passada). Petrolíferas querem correção monetária em contratos do pré-sal. O próprio Ministério do Trabalho quer corrigir o seguro-desemprego pelo salário mínimo Pressões por indexação Pleito de petrolíferas e disputa no seguro-desemprego mostram que cultura inflacionária persiste Por Cássia Almeida, Ramona Ordoñez, Bruno Rosa e Martha Beck Rio e Brasília Vamos para o quarto ano seguido com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, com alta anual próxima de 6% ou até um pouco acima (em 12 meses até junho está em 6,7%). Essa persistência de alta de preços, apesar de não ser explosiva, segundo analistas, acaba criando demanda adicional para reposição da inflação passada, a chamada indexação. Essas pressões ficaram claras ontem, com empresários brasileiros e estrangeiros pleiteando da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que o novo modelo de partilha do pré-sal - cujo primeiro contrato, da área de Libra, terá prazo de 35 anos - inclua cláusulas de correção monetária. Enquanto isso, trava-se no governo, entre os ministérios da Fazenda e Trabalho, uma queda de braço sobre a indexação do seguro-desemprego. - A resistência da inflação em patamar, não explosivo, mas relativamente alto, perto de 6% nos últimos anos, acaba levando a mais demandas de reajustes - diz o professor da PUC Rio, Luiz Roberto Cunha. Ontem, empresários do setor de petróleo voltaram a pedir algum tipo de indexação nos contratos do pré-sal. Para defender a atualização monetária do dinheiro gasto para explorar petróleo, o presidente no Brasil da gigante francesa Total, Denis Palluat, argumentou que há riscos que a empresa não pode controlar: - Podemos controlar riscos inerentes à atividade, mas a inflação não depende de nós. A inflação depende da política do governo, das condições econômicas. Mas, no governo, o Ministério da Fazenda é contra a indexação dos contratos. E, segundo a diretora geral da ANP, Magda Chambriard, o governo não pretende conceder a correção da inflação para os investimentos que serão realizados em Libra: - Por enquanto, não estamos considerando essa hipótese (de correção monetária), porque o valor dos investimentos será compensado em tempo muito curto - disse Magda ontem. Para Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), como os investidores serão remunerados em petróleo, a indexação não se encaixa neste caso: - Pode haver o temor de quebra de contrato ou de regras não muito claras. Apesar de o Plano Real, que estabilizou a economia em 1994, ter proibido por lei a indexação de contratos com prazo inferior a um ano, hoje os índices de inflação ainda exibem parcela próxima de 30% de sua composição contaminada pela inflação passada, segundo cálculos de Cunha. São basicamente os preços de serviços e as tarifas administrados. O aumento do peso dos serviços tanto na economia brasileira como no orçamento das famílias também explica a persistência da indexação: - O peso dos salários é grande no setor. Portanto, o salário mínimo com reajuste anual acima da inflação e a oferta apertada no mercado de trabalho fazem a indexação ganhar mais força. Além de tarifas e contratos, outro resquício da indexação no Brasil, segundo especialistas, é a regra de remuneração da caderneta de poupança. Até mesmo no governo, há pressões contra e a favor da reposição inflacionária. Os ministérios da Fazenda e do Trabalho divergem sobre a forma como o seguro-desemprego e o abono salarial (PIS) são corrigidos. Preocupada com a elevação das despesas do Orçamento, a Fazenda quer que os benefícios, no caso de quem ganha acima do mínimo, continuem sendo reajustados pelo INPC (índice de inflação), regra adotada no início do ano. A pasta do Trabalho, por sua vez, quer seguir a mesma regra de correção do salário mínimo. O piso salarial é indexado pelo INPC acrescido da taxa de expansão da economia de dois anos antes. R$ 25,7 bi com seguro-desemprego Enquanto o mínimo foi corrigido em 9% em janeiro, o seguro-desemprego para quem ganha acima do piso subiu 6,2%. Já o abono, que equivale a um mínimo, também passaria a ser corrigido apenas para repor as perdas com a inflação. Para isso, será preciso alterar a Lei 7.998/1990, que instituiu o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e definiu as regras do abono. O principal argumento da equipe econômica é que a fonte de recursos, o FAT, tem registrado déficit, o que obriga o Tesouro Nacional a fazer aportes. Segundo o Ministério do Trabalho, será necessário injetar R$ 7 bilhões no Fundo neste ano. As despesas com seguro desemprego saíram de R$ 19,9 bilhões em 2010 para R$ 25,7 bilhões em 2012. Só no primeiro semestre deste ano (dados preliminares), os gastos já somam R$ 12,2 bilhões. O custo com o abono foi de R$ 12,3 milhões em 2012. Segundo os técnicos da área econômica, a indexação ao salário mínimo dificulta o combate à inflação. - Não existe nada dizendo que os benefícios tenham que seguir a regra do salário mínimo. Temos uma preocupação fiscal com esse tema - disse um técnico. Levy, do Ipea, acredita que esse movimento pela reposição inflacionária esfrie com a esperada queda da inflação: - Soma-se a isso a postura mais rigorosa do Banco Central, ao subir juros. Elson Teles, economista do Itaú Unibanco, lembra do nosso histórico de inflação, que alcançou mais de 2.000% ao ano meses antes do Plano Real, em 1994: - Só com índices próximos de 3% reduziremos o atual nível de indexação.
O Globo (RJ): Palavra de especialistas Artigo de Claudio Frischtak, economista, Fabiano Pompermayer, técnico do Ipea e Renato Pavan, presidente da Macrologística Projeto tem uma série de problemas Especialistas consideram que o eventual adiamento do leilão do trem de alta velocidade (TAV) não deverá contaminar concessões de aeroportos e rodovias. Para eles, o mercado vê como localizadas as dificuldades do projeto do trem-bala. O economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria, critica o custo, que considera excessivo. - O projeto de engenharia em si é caríssimo. Ficará acima de R$ 1 bilhão. Além disso, a execução deve seguir a mesma lógica dos projetos do PAC em que os custos foram multiplicados. Em meio à crise de mobilidade urbana, qual o sentido de se gastar algo como R$ 50 bilhões ou mais com o trem-bala? - indaga. O pesquisador da área de Planejamento do Ipea Fabiano Pompermayer considera que além da questão financeira, faltam planejamento e mão de obra especializada para analisar o projeto. - Há dois anos a atratividade era maior, com a inflação mais baixa, juros menores e a perspectiva de crescimento maior - afirma. O presidente da Macrologística, Renato Pavan, que se diz favorável à construção do trem-bala, considera que a taxa de retorno do investimento ainda precisa ser elevada dos atuais 7% para torná-lo mais atraente. - Qualquer projeto de concessão hoje no Brasil precisa de taxa interna de 8,5%. Muito embora conte com um financiamento muito bom do BNDES, há riscos para o investidor - afirma. (Clarice Spitz)
Jornal do Commercio: Ponto fraco Por Dad Squarise Como vão os municípios brasileiros? Vão bem, obrigado. O diagnóstico é do IBGE em parceria com o Ipea. Pesquisa dos dois institutos dizem que melhoramos: morrem menos crianças e vivemos mais. Mas permanece um ponto fraco. É a educação. Ela é o calcanhar de aquiles do desenvolvimento nacional. A conclusão não surpreendeu. Há muito se chama a atenção para a tragédia verde-amarela. Mas o governo não está nem aí. Insiste em apostar na escola do faz de conta. Só um pormenor chamou a atenção. Trata-se da grafia de calcanhar de aquiles. A questão: por que aquiles se escreve com letra minúscula? Aquiles é o nome de herói grego. Substantivo próprio, ganha inicial grandona. Calcanhar de aquiles, como joão-de-barro, castanha-do-pará, banho-maria, louva-a-deus, maria vai com as outras, perde o pedigree. Nome comum, grafa-se com a inicial vira-lata.
O Fluminense (RJ): Brasil gastou R$ 1,6 bilhão em 2010 com cooperações para o desenvolvimento internacional Da Agência Brasil Em 2010, o Brasil gastou R$1,6 bilhão - US$ 923 milhões - em cooperações destinadas ao desenvolvimento internacional. O valor é 91,2% maior do que o registrado no ano anterior. Do total, R$965 milhões, equivalente a 66,3% do total, correspondem a gastos com cooperações multilaterais e R$ 491 milhões (33,7%) com cooperações bilaterais. Os números constam do relatório Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi), divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A publicação contabiliza os gastos dos órgãos da Administração Pública Federal, em 2010, com a cooperação para o desenvolvimento internacional. Entre as despesas públicas estão desembolsos feitos por meio de tratados, convenções, acordos, protocolos, atos institucionais ou compromissos internacionais. Os gastos correspondem à disponibilização de pessoal, infraestrutura e recursos financeiros mediante a capacitação de indivíduos e o fortalecimento de organizações e instituições no exterior, além da organização ou participação do país em missões, como a manutenção da paz e da gestão de programas e projetos científicos e tecnológicos em conjunto com outros países e institutos de pesquisas. Estão previstos no estudo, também, os gastos em cooperações humanitárias, apoio a refugiados, contribuições com organismos internacionais e doações oficiais. Segundo o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Cobradi, João Brígido Lima, o Haiti é o país que mais detém colaboração brasileira. O país recebeu R$ 92,4 milhões em investimentos. "Esses valores foram destinados a ações como as de aperfeiçoamento de sistemas de produção de milho, feijão, arroz, mandioca, hortaliças, agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional, bem como para aprimorar o programa de imunização e o tratamento contra a cólera no Haiti. Resultou, ainda, em uma melhor preparação de quadros para gerenciar a saúde no páís e o envio de 10 mil doses de vacinas contra hepatite B", detalhou Brígido. De acordo com o estudo, 68% dos gastos feitos em cooperações bilaterais - o correspondente a R$ 195 milhões dos R$ 491 milhões - foram vinculados a América Latina e ao Caribe; 22,5% (R$ 65 milhões) foram destinados à ações em países africanos; e 2% (R$ 6 milhões) à cooperações com países asiáticos e do Oriente Médio. Ainda dentro dos acordos bilaterais, foram destinados R$ 11 milhões (4%) a países da Europa. A América do Norte recebeu R$ 3 milhões (1%); e à Oceania, em especial o Timor Leste, foi destinado R$ 6 milhões (2,25% do total destinado a acordos bilaterais). "Mais do que transferências de recursos o que proporcionamos a esses países é a transferência de conhecimento [pelas empresas de pesquisa brasileiras] e, ao mesmo tempo, fortalecemos a liderança regional do Brasil", disse João Brígido.
Nota técnica sistematiza algumas experiências de monitoramento de resultados de conferências de políticas públicas
O Globo (RJ): Brasileiro está cada vez mais longe dos livros Por Cassia Almeida IBGE diz que leitura ocupa só 6 minutos do dia; 61% fazem atividades simultâneas RIO - Tempo, o bem mais precioso, mas, afinal, como gastamos as 24 horas do dia? Estudo piloto feito pelo IBGE em quatro estados (Pará, São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco) mais o Distrito Federal, com mais de 5 mil pessoas com 10 anos ou mais, dissecou essa repartição do tempo, e a leitura ocupa fatia residual no dia do brasileiro: apenas seis minutos em média por dia, enquanto ficamos 2h35m na frente da televisão. O estudo, inédito, mostrou também o que a percepção das pessoas já comprovou. Fazemos várias coisas ao mesmo tempo: 61% dos entrevistados praticaram atividades simultâneas, o que aumenta o dia em quatro horas e 52 minutos. O estudo será apresentado hoje no 35º Congresso Internacional de Uso do Tempo, que acontece no Rio desde quarta-feira, promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, IBGE, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ONU Mulheres. Esses seis minutos, segundo Cíntia Simões Agostinho, economista e demógrafa do IBGE, uma das autoras da pesquisa, são ainda menores quando a comparação é feita por idade. Entre 10 e 24 anos, a parcela cai para três minutos. Mas, um alento, esse tempo vai subindo conforme se envelhece. Entre os mais velhos, com 60 anos ou mais, o tempo dedicado é de 12 minutos. Os mais velhos também ficam mais na frente da TV: três horas e três minutos. - E 85% desse tempo são gastos exclusivamente em frente à TV, o restante é dividido entre contatos com amigos e outras atividades como os serviços domésticos - afirma Cíntia. Ainda temos um longo caminho a percorrer para alcançar o nível de leitura de países desenvolvidos. Pesquisa do Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos mostra que a dedicação à leitura por lá ocupa 31 minutos nos dias de semana e 37 minutos nos fins de semana. No tempo gasto em frente à TV, o comportamento é similar: americanos dedicam duas horas e 58 minutos do dia à atividade, um pouco a mais que o brasileiro (duas horas e 35 minutos). Desigualdade de gênero é menor nos EUA Na questão de gênero, a desigualdade é atestada no relógio nos afazeres domésticos e cuidado com filhos e idosos. Enquanto o homem ocupa 1h14m do seu tempo em afazeres domésticos, a mulher gasta 3h35m. No cuidado com a família, a relação é de 39 minutos para mulher, contra 12 minutos para o homem. E a pesquisa mostra a divisão desse trabalho, como cozinhar, arrumar a casa, fazer compras. Nos Estados Unidos, essa desigualdade entre homem e mulher também aparece, mas num patamar inferior. Lá, as mulheres reservam para casa 2h28m, enquanto os homens levam metade desse tempo (1h11m) no mesmo serviço. - A única função que tem quase o mesmo tempo gasto por homens e mulheres em casa é o de compras. O homem gasta 11 minutos e a mulher, 14 minutos - afirma Cíntia. Como a pesquisa foi feita em 2009, com as redes sociais ainda se consolidando por aqui, o uso de computador ocupou apenas 11 minutos em média, lembrando que naquele ano apenas 34,6% dos lares brasileiros tinham computador e somente 27,3%, com acesso à internet. A população entre 10 e 24 anos, como era de se esperar, lidera o ranking: essa faixa etária gasta 28 minutos na frente do computador, enquanto quem tem 60 anos ou mais dedicou apenas cinco minutos a essa atividade. 'Passo o tempo fazendo hora' A relojoeira Sueli Mendes, de 49 anos, acorda às 5h30m para chegar ao trabalho às 6h45m, na Cidade Nova, no Centro do Rio. Ao chegar em casa, na Ilha do Governador, por volta das 19h30m, ela confessa: usa o tempo livre para ver televisão e navegar nas redes sociais, os livros não são a preferência. - Aqui, passo o tempo fazendo hora. Quando chego em casa, fico um pouco na internet. Na média, fico uma hora, vendo as novidades e lendo e-mails. Depois, vejo filmes e seriados. Adoro comédia. Gosto de rir. Agora, novela já não gosto muito. De dieta, ela diz que já perdeu cinco quilos em um mês, aproveita o fim de semana para fazer exercícios e ir a museus. As atividades culturais e esportivas ocupam 48 minutos no dia dos brasileiros. - Ando bastante. No último fim de semana, fui a vários museus em São Cristóvão, de graça, em um programa da Prefeitura - lembra Sueli. Pesquisas sobre uso do tempo são raras por aqui. Segundo a professora da UFF, a economista Hildete Pereira de Melo, o primeiro aconteceu em 1973, conduzido por Amaury de Souza, ainda no Estado da Guanabara. O mais recente antes do piloto do IBGE fora da socióloga Neuma Aguiar, da Universidade Federal de Minas Gerais em 2001, uma das maiores especialistas do tema no Brasil. Ela distribuiu cadernos e relógios para 500 famílias em Belo Horizonte e mediu em minutos a rotina dos mineiros da capital. Agora temos o levantamento piloto do IBGE, que servirá para formatar a pesquisas futuras do órgão mas não há previsão de quando isso vai acontecer, segundo a presidente do Instituto, Wasmália Bivar: - Já incluímos no questionário base da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) mais perguntas sobre uso do tempo, como cuidados pessoais, lazer, cuidado dos filhos e idosos, convivência social, mas não há previsão de quando vamos apresentar esses resultados.
G1: Projeto Educação explica denotação e conotação através do trânsito  Professor explica figuras de linguagem como metáfora e metonímia. Na hora da insatisfação, muita gente acaba fazendo comparações. Engarrafamentos quilométricos, trânsito infernal e muito tempo perdido são alguns dos problemas enfrentados nas grandes metrópoles brasileiras. Os transtornos dos deslocamentos na cidade foram utilizados no Projeto Educação desta quinta-feira (8), para explicar o significado de conotação e denotação, assunto da disciplina de português. O Recife é detentor de um triste título: a sexta capital no mundo e a terceira no Brasil onde se leva mais tempo no deslocamento de casa para o trabalho. "O que cansa na gente não é o trabalho, é o deslocamento, o trânsito, a espera, as condições dentro do ônibus lotado", opinou a professora de educação física Cristina Lins. De acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 12% da população que mora na Região Metropolitana do Recife gasta uma hora, em média, para chegar ao local de trabalho. A pesquisa mostra ainda que, cada vez mais, o brasileiro gasta um tempo maior no trânsito, e tanto faz se ele usa o transporte público ou particular. De 1992 a 2009, o tempo de deslocamento nas áreas metropolitanas do País aumentou 4% para os mais pobres e 15% para os mais ricos. Na hora de expressar toda a insatisfação, muita gente acaba fazendo comparações, misturando o real e o figurado. É o que chamamos de conotação e denotação. "Denotação é o sentido real da palavra. A palavra denotativa está no sentido real, no sentido literal. Quando dizemos 'os presos se rebelaram no cárcere', são presos na verdade. Já conotação é o emprego da palavra no sentido figurado, metafórico, não literal. Quando dizemos 'estamos presos no trânsito', 'presos' é no sentido figurado. Na verdade, temos aí uma conotação", explicou o professor de português Vicente Santos. No sentido conotativo, a linguagem apresenta algumas variações. Dentre as figuras de linguagem mais importantes, estão a metáfora e o eufemismo. "A metáfora é quando se emprega uma palavra pela outra através de uma comparação que está embutida na cabeça da pessoa. O eufemismo consiste em você suavizar uma expressão, atenuar uma expressão que é grosseira. Você pode atenuá-la e ser muito mais polido, mais gentil, com expressões mais brandas. Por exemplo, quando dizemos 'algumas autoridades, às vezes, faltam com a verdade em relação ao trânsito', significa dizer o que? Que algumas autoridades mentem. Então, isso aí é uma figura chamada 'eufemismo'. É a linguagem das pessoas educadas, das pessoas polidas", exemplificou Vicente. Outra variação é a perífrase. "'A nossa Veneza Brasileira pede socorro'. A nossa Veneza Brasileira é o nosso Recife. Na verdade, é o sentido figurado. Recife não é Veneza, mas aparenta, de certa forma, rios, canais, pontes, daí dizemos 'Veneza Brasileira', e todo mundo entende. 'A cidade maravilhosa', em vez de o Rio de Janeiro. 'O pai da aviação', em vez de Santos Dumont. Então, são casos de perífrase", concluiu o professo.
Agencia Estado: Ipea: Setor de serviços respondeu por produtividade LAÍS ALEGRETTI - Agencia Estado BRASÍLIA - O setor de serviços foi o principal responsável pelo aumento da produtividade do trabalho no Brasil na década de 2000, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 5, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges, o resultado é "uma novidade". "O lado negativo dessa leitura é que esperava-se que a indústria puxasse o serviço e não o serviço puxasse a indústria. O lado positivo é que o serviço está possivelmente melhorando a qualificação da força de trabalho", afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Borges avalia que os resultados da política educacional que teve início em 1994 começaram a aparecer "mais claramente" a partir de 2005. "Você tem continuidade de política educacional do Plano Real para cá. Não há mudança estrutural da política educacional nos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma", afirmou. "A mudança é de longo prazo e maturação." Entre 2000 e 2005, a produtividade do trabalho no Brasil ficou estagnada e, de 2006 a 2008, acelerou, com forte contribuição do resultado nas áreas de serviços, conforme aponta o estudo dos pesquisadores do Ipea Fernanda De Negri e Gabriel Squeff divulgado nesta quinta. "A contribuição do setor de serviços é concomitante ao aumento da produtividade do trabalho", observou Squeff.
Correio Braziliense (DF): Seguros da discórdia Despesas com os benefícios a demitidos vão superar os R$ 25,7 bilhões desembolsados em 2012 Por PAULO SILVA PINTO e ANTONIO TEMÓTEO Mesmo após uma reunião de três horas ontem, o governo e as centrais sindicais continuam a divergir sobre o que fazer a respeito da explosão das despesas com o seguro-desemprego. Em dez anos, entre 2002 e o ano passado, a conta foi de R$ 5,7 bilhões para R$ 25,7 bilhões. “Queremos identificar se a evolução desses gastos se deu em benefício dos trabalhadores ou se, por trás disso, tem um aumento de rotatividade, fraudes cometidas por empresários que demitem para pagar por fora”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que chamou para o encontro em São Paulo representantes de centrais. “Que existe fraude nós sabemos, mas não sabemos qual a magnitude”, disse Mantega. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, que participou do encontro, não há irregularidades, mas, sim, excessos na demissão de trabalhadores. Ele defendeu, durante a reunião, a ratificação pelo Brasil da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que, em linhas gerais, dificulta as dispensas sem justa causa. Em sua página eletrônica, a CUT afirmou ontem que havia conseguido “convencer o ministro da Fazenda a discutir direitos dos trabalhadores e não custos”. Mantega nega que o objetivo fosse esse. “Longe de nós querer reduzir benefícios dos trabalhadores”, disse. Foi marcado um novo encontro, dessa vez entre técnicos do governo e representantes das centrais, para quinta-feira. Na avaliação dos sindicalistas, os gastos do seguro-desemprego não representam um problema, pois vêm sendo compensados pelo aumento no número de empregos formais. Mas o FAT, de onde saem os recursos, tem sofrido com a queda de receitas por conta de desonerações que o governo promoveu. Segundo as centrais, apenas 10% da queda foi ressarcida pelo governo ao fundo. O economista Mansueto de Almeida, especialista em contas públicas, atesta que o gasto com benefícios é compensado pelo aumento da receita com novas contratações. Mas ele discorda de que isso represente equilíbrio. “Em lugar nenhum do mundo é normal o que está ocorrendo no Brasil: a desocupação diminuir e os gastos com seguro-desemprego aumentarem”, criticou. Mansueto afirma que a solução passa por mais obrigações a quem participa do programa, incluindo a exigência de frequentar cursos de capacitação, o que impediria essas pessoas de, ao mesmo tempo, se beneficiar do seguro e trabalhar na informalidade. “Não acredito que o governo aumente as exigências em ano eleitoral. Mas é bom que comece a planejar uma solução a ser aplicada em 2015”, ponderou. Rotatividade Além das demissões forjadas, há um problema real de alta frequência de demissões e contratações nas empresas, especialmente para quem está chegando ao mercado. Com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluíram que 72,4% — ou seja, sete em cada 10 empregados, em média, desligam-se de seus postos ao longo de um ano. A taxa de separação — diferença entre o número de trabalhadores que perdem ou saem voluntariamente do emprego em relação ao estoque de trabalhadores — é de 65% entre os jovens e de 41,3% entre os mais velhos. Para os especialistas, esses indicadores sinalizam mercado de trabalho mais “turbulento” para os jovens, em que empregos de períodos mais curtos, associados com taxas mais elevadas de separação, coexistem com a entrada rápida no emprego — e taxas de contratação mais elevadas, em média.  FAT perde R$ 64,5 bilhões O Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) deixou de receber R$ 64,5 bilhões nos últimos quatro anos em razão dos programas de desoneração e da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Os dados são da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A entidade afirmou que menos de 11% desse montante foi coberto pelo Tesouro. É do FAT que sai os recursos para o seguro-desemprego e o abono salarial, despesas que o governo pretende reduzir. Ralo sem fundo Gastos com benefício a demitidos sem justa causa impactam cofres do FAT e soam alarme no governo Despesas com seguro (em R$ bilhões) Em pouco mais de uma década, desembolsos aumentaram quase cinco vezes 2000 4,0 2001 4,8 2002 5,6 2003 6,6 2004 7,0 2005 8,7 2006 10,3 2007 12,5 2008 14,1 2009 18,6 2010 19,8 2011 22,7 2012 25,7 2013 23,1 * Total de concessões (em milhões) Alta rotatividade do mercado de trabalho eleva o número de pessoas atendidas pelo programa 2000 4,2 2001 4,7 2002 4,8 2003 4,9 2004 4,8 2005 5,4 2006 5,7 2007 6,1 2008 6,8 2009 7,4 2010 7,4 2011 7,8 2012 7,8 2013 6,6 * (*) Até setembro Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego
R7: Estudo aponta que taxa de homicídios em Minas é 17,3% maior que o divulgado pelo Governo Por Enzo Menezes Diferença está em mortes classificadas como "causa indeterminada", segundo Ipea Minas Gerais é um dos cinco Estados brasileiros com maior subnotificação de assassinatos. As mortes violentas computadas como "causas desconhecidas" elevaria o índice de homicídios em Minas de 19,4 para 23,4, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ou 18% de diferença. A conclusão é de um estudo do instituto divulgado nesta segunda-feira (5). O documento é assinado pelo pesquisador Daniel Cerqueira, diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia. O Mapa Oculto dos Homicídios mostra que o número de mortes no Brasil é 18,6% maior que o total divulgado pelos governos - ou 8.600 assassinatos a cada ano. O trabalho estima o número de mortes classificadas como "causa indeterminada", mas que tiveram características de homicídios comprovadas pela polícia. Em Minas Gerais, a taxa de mortes indeterminadas para cada 100 mil habitantes foi de 6,7 em 2010 - ou a 4ª maior do Brasil. O estudo coloca o Estado entre os que possuem "altas taxas de homicídios ocultos", com índices de subnotificação semelhantes aos da Bahia, de Pernambuco, Roraima, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e São Paulo. Cerqueira classifica os resultados mineiros como um "preocupante fenômeno". - Em Minas Gerais, (a piora gradual na indefinição das mortes) ocorre a partir de 2006. Segundo o pesquisador, a taxa de homicídios divulgada em Minas Gerais é de 19,4, de acordo com o SIM (Sistema de Informações de Mortalidade). Considerando os homicídios que foram classificados pelo Estado como crimes de "causa indeterminada", o número de mortes chega a 23,4 para cada 100 mil habitantes. A Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social) foi procurada para comentar os resultados do estudo na segunda-feira (5), mas não enviou resposta até a publicação desta matéria.
Portal ClicaBrasília: Economia aquecida contribui para IDHM alto no DF A recente sondagem "A Força do Distrito Federal", realizada pela PwC Brasil com empresários da região, retrata o panorama da economia no DF e das perspectivas do mercado para este ano, reforçando a economia aquecida, principalmente pelo forte mercado consumidor - o que contribuiu bastante para elevar o IDHM. De acordo com levantamento "Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013", realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), o Distrito Federal ocupa o primeiro lugar do ranking dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do país. "Com a economia movimentada pela administração pública e pelos setores de comércio e serviços, responsável por 94% do PIB de Brasília e das cidades do Entorno, o DF é um território próspero. Isso ocorre graças à alta remuneração dos servidores públicos e também à demanda de produtos e serviços dos Três Poderes e de todas as suas ramificações", explica Geovani Fagunde, sócio da PwC Brasil que liderou as operações para a elaboração da sondagem. O estudo das Nações Unidas demonstra que a renda per capita mensal do DF saltou de R$ 916, em 1991, para R$ 1.715,11, em 2010. Em dois indicadores (renda e longevidade), o Distrito Federal registra índices considerados muito altos. A capital do país registrou, em 2010, IDHM geral de 0,824 (muito alto); 0,863 no indicador renda, 0,742, no de educação (alto) e 0,873 no de longevidade. A análise foi realizada utilizando mais de 180 indicadores socioeconômicos, que têm por base os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 1991 e 2010 e é dividido em três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação e renda. O índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. Sondagem empresarial - A pesquisa realizada pela PwC revela otimismo entre o empresariado do DF: o aumento e o direcionamento previstos para os investimentos das empresas comprovam a confiança no poder de expansão do Distrito Federal e uma firme aposta no desempenho futuro. A maioria dos entrevistados na sondagem empresarial afirma que fará investimentos no DF, e a grande parte dos investimentos será destinada à instalação de equipamentos (73%), o que demonstra um planejamento de longo prazo. Contratação de pessoal é o segundo item mencionado, com 60%. "Na maioria dos casos, as empresas pretendem manter ou aumentar o número de funcionários - e em todos os níveis ainda este ano - o que influencia sobremaneira na formação de um mercado consumidor mais forte e, consequentemente nos critérios de renda que fazem com que o IDHM do DF seja o mais alto", afirma Fagunde. Desafio dos negócios O levantamento aponta que os empresários do Distrito Federal percebem a carga tributária como o maior entrave à economia. Este item é citado por 65% dos entrevistados, ao serem questionados sobre os fatores que têm mais impacto em seus negócios. O segundo problema mais citado - "contratação e retenção de capital humano", com 44% das respostas - revela uma peculiaridade regional: a concorrência com os cobiçados cargos do serviço público. "Os profissionais bem preparados que as empresas querem reter tendem a ter condições também de passar pelo funil dos concursos públicos e conseguir um emprego bem remunerado com direito a estabilidade, além de outras vantagens que a iniciativa privada não consegue proporcionar", analisa Fagunde. Segundo a sondagem da PwC, a maioria das empresas do Distrito Federal deve enfrentar os desafios, ampliando a sua atuação em novos mercados e com novos produtos, segundo 52% dos entrevistados, o que significa atravessar os limites da Unidade da Federação e levar a outros Estados a expertise de atender plenamente às demandas da administração pública. Uma expansão que pode envolver alianças estratégicas, segundo ponto mais mencionado, com 33%. As respostas a essa questão demonstram a necessidade de reduzir o impacto da carga tributária e de aprimorar produtos e serviços, avançando tecnologicamente e adotando conceitos modernos de gestão. "A visão, a ousadia e coragem que os líderes empresariais demonstram diante dos desafios que têm pela frente mostra que o Distrito Federal é uma Unidade da Federação que continua sendo desenvolvida com o mesmo espírito empreendedor de seus fundadores", destaca o sócio Geovani Fagunde.
Folha.Com(SP): Guia ensina como lidar com o lixo de maneira organizada e sustentável O Brasil perde R$ 8 bilhões por ano por deixar de reciclar os resíduos que poderiam ter outro fim, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e a inclusão socioprodutiva de catadores de materiais recicláveis é um desafio da Política Nacional de Resíduos Sólidos, na qual os municípios têm a obrigação de prover a infraestrutura para sua correta destinação; as empresas, a responsabilidade de apoiar a reciclagem de materiais gerados na pré e na pós-produção; e os cidadãos, a responsabilidade de consumir conscientemente e dar a destinação correta às embalagens dos produtos adquiridos. Abordando experiências na gestão e na formação de cooperativas de catadores para implementar projetos e soluções no controle dos resíduos, o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (Ipesa) lança hoje (10 de setembro), no Auditório de Geografia da USP, o livro "Do Lixo à Cidadania: Guia para a Formação de Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis", uma publicação para formação de cooperativas de catadores,. A obra, destinada a gestores municipais, ONGs, associações, incubadoras, universidades, pesquisadores, empreendedores sociais, empresários e entidades apoiadoras, além das próprias organizações de catadores, mostra alternativas sobre como lidar com o lixo de maneira organizada e sustentável. "Com o livro, esperamos estimular municípios a desenvolver sistemas de coleta seletiva com inclusão e contratação de organizações de catadores, e contribuir para a profissionalização desses agentes, como instrumento de apoio ao desenvolvimento de uma política de sucesso na gestão de resíduos sólidos", afirma Julio Ruffin Pinhel, coordenador do Programa Resíduos Sólidos do Ipesa. Com uma tiragem de 10 mil exemplares, o livro será destinado gratuitamente aos mais de 5.500 mil municípios do território nacional com o objetivo de estimular governantes, organizações e a população a desenvolverem sistemas de coleta seletiva, com inclusão e contratação de organizações de catadores. Além da versão impressa, os interessados poderão acessar a publicação e diversos outros conteúdos no hotsite da publicação www.dolixoacidadania.org.br, após dez dias do lançamento. Escrita em parceria com a Editora Peirópolis, a publicação tem apoio do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e é patrocinada pela Ambev e pela Natura.
G1: Números oficiais deixam de registrar 8,6 mil homicídios por ano Segundo uma pesquisa apresentada pelo Fantástico, o número real de assassinatos no Brasil é bem maior que a estatística oficial. De 1996 a 2010, quase 130 mil homicídios no Brasil não entraram nas estatísticas de mortes violentas. Isso é quase a população de Copacabana, um dos maiores bairros do Rio de Janeiro. É como se as pessoas que moram lá, num espaço de 15 anos, desaparecessem pra sempre sem que ninguém se desse conta. Quem fez essa descoberta foi o pesquisador Daniel Cerqueira, do IPEA, Instituto de Pesquisas Aplicadas, do governo federal. Chamaram a atenção dele os índices de mortes por causas indeterminadas que aparecem no Datasus, a estatística criada pelo Ministério da Saúde. "Nós verificamos que, nos últimos 15 anos, cerca de 175 mil pessoas no Brasil foram mortas de forma violenta e o estado não conseguiu dizer qual foi a causa. A gente queria então investigar, entender porque essas pessoas morreram", conta Daniel Cerqueira. Ele cruzou dados e pesquisou caso a caso. "A conclusão é que 74% dessas mortes violentas indeterminadas se tratavam, na verdade, de homicídios. Ou seja: o que nós estamos dizendo é que a taxa de homicídios no Brasil é cerca de 18,6% maior do que aquela registrada oficialmente hoje", explica Daniel. Isso significa que as estatísticas de homicídios deixam de registrar 8,6 mil assassinatos por ano. Com as informações do IPEA, o Fantástico viajou pelo Brasil buscando endereços de famílias que perderam parentes por causas indeterminadas. De acordo com a pesquisa do IPEA, sete estados lideram o chamado ranking de homicídios escondidos. O levantamento é resultado da média de assassinatos ocultos entre 2007 e 2010 para cada 100 mil habitantes. No Rio de Janeiro, a taxa é 16,2. Na Bahia, 10,9. 7,7 no Rio Grande do Norte. 5 em Pernambuco. 4,2 em Roraima. 4,1 em Minas Gerais. E 4,1 também em São Paulo. Estatísticas transparentes e corretas ajudam a impedir que histórias, como as mostradas no Fantástico, continuem acontecendo no Brasil. "Não só por questão de direitos civis, que a família tem o direito de saber porque o seu ente querido morreu, mas porque aquela informação é importante sob o ponto de vista das políticas públicas para tentar evitar uma morte futura", explica Daniel Cerqueira.
O Globo - Blog do Noblat: Brasil tem quase 130 mil homicídios não contabilizados em 15 anos Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que quase 130 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Brasil em um período de 15 anos. Segundo Daniel Cerqueira, diretor do Ipea, a grande maioria das mortes violentas registradas com "causas indeterminadas" no banco de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus) são, na verdade, homicídios. As informações são do programa Fantástico, da TV Globo. Os dados foram coletados entre 1996 e 2010. A pesquisa teve início após o pesquisador constatar um número muito elevado de casos com causas indeterminadas de morte. Após cruzamento de dados, constatou-se que 74% dessas mortes havia sido resultado de homicídios - em uma média de 8,6 mil assassinatos não registrados oficialmente por ano no País. Segundo a pesquisa do Ipea, os índices de homicídio do Brasil são 18,6% maiores do que o divulgado oficialmente pelo Datasus.
O Estado de S. Paulo (SP): Em 5 anos, Brasil gasta R$6,6 bilhões em cooperação Por Amanda Rossi Entre os anos 90 e 2000, País deixou a condição de receptor dedoações para se tornar fornecedor; foco é ONU e missões de paz O Brasil gastou pelo menos R$ 6,6 bilhões em cooperação internacional de 2005 a 2010, um reflexo da mudança de perfil do País no cenário internacional. Até o final da década de 90, o Brasil era um tradicional receptor de ajuda externa. Nos anos 2000, porém, passou à condição de fornecedor de recursos com a chamada "política Sul-Sul", com foco nos países em desenvolvimento. De cada R$ 10 gastos, R$ 5,50 foram, contribuições a organizações internacionais, como agências da ONU, e outros R$ 2 foram despesas com operações de manutenção de paz-a principal delas, no Haiti, onde o Brasil comanda o componente militar da missão das Nações Unidas. O restante do dinheiro foi usado com ajuda humanitária, transferência de tecnologia e bolsas de estudo a estrangeiros. Os cálculos foram feitos pelo Estado com base nas duas edições do levantamento Cooperação Brasileira, para o Desenvolvimento Internacional, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) o único registro disponível sobre o tema. Na quinta-feira, a instituição liberou os números relativos aos gastos do Brasil em 2010. Os dados de 2005 a 2009 foram divulgados em 2011 e os valores, corrigidos pela inflação. O ipea levantou as informações em 91 órgãos públicos. A mesma mudança de perfil ocorreu em outras economias emergentes, como China, índia e Turquia. De 2001 a 2011, Pequim teria gasto US$ 75 bilhões apenas em ajuda a países africanos, de acordo com o levantamento do Center for Global Development, um centro de estudos de Washington, nos EUA. Antes do crescimento dos gastos dos países emergentes, a cooperação internacional era fornecida quase que exclusivamente pelos 24 países que compõem o Comitê para a Assistência ao Desenvolvimento da Organízação para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre eles Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Japão e Holanda. Atualmente, esses cinco países continuam a ser os mais importantes doadores do mundo, tendo desembolsado juntos cerca de US$688 bilhões de 2005 a 2010. Gastos em 2010, O Brasil gastou R$1,9 bilhão com cooperação (ou R$ 1,6 bilhão, em valores não corrigidos pela inflação) em 2010. O montante representa um salto de 91% em relação a 2009. O maior aumento ocorreu nas despesas com operações de manutenção de paz. De 2009 para 2010, os gastos sob essa rubrica cresceram 3,6 vezes, totalizando R$ 684 milhões - 36% do total daquele ano. O aumento foi causado pelo terremoto que arrasou o Haiti, em janeiro de 2010, que elevou o número de militares brasileiros no país. Outros 33% foram contribuições a organismos internacionais - um total de R$ 641 milhoes. De cada R$ 10, R$ 3 foram para Associação Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial, R$ 2,5 para o sistema ONU e R$ 2 para o Fundo para a Convergência Estrutural e o Fortalecimento da Estrutura Institucional (Focem), do Mercosul. Apenas 6% - R$ 101 milhões -foram gastos com projetos de cooperação técnica, em que instituições brasileiras transferem tecnologias e conhecimento para outros países. Entre eles, estão as iniciativas desenvolvidas pelo governo em parceria com a Fiocruz, o Senai e a Embrapa. Do total aplicado diretamente em outros países, a América Latina ficou com 68% e a África, com 23%
Valor Econômico (SP): Fundações levam BC à Justiça por perda no BVA Dois fundos de pensão recorreram à Justiça para responsabilizar o Banco Central por perdas com investimentos realizados no banco BVA, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em junho. As ações foram movidas pela Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer) e pela FIPECq. A alegação é que o BC aprovou o investimento dos fundos no BVA ciente dos problemas do banco que levaram à sua liquidação. Procurado pelo Valor, o Banco Central informou que não comenta assunto protegido por sigilo. Refer e FIPECq investiram em setembro de 2010 no Fundo de Investimento em Participações Patriarca, criado para comprar ações preferenciais do BVA. A FIPECq aplicou R$ 7 milhões e o Refer, R$ 40 milhões. O Banco Central deu sua a autorização em abril de 2012, mês em que o próprio BC determinou um reajuste na forma pela qual se elaborava o balanço contábil do banco. Fundação responsabiliza BC por perda com BVA Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio Dois fundos de pensão recorreram à Justiça Federal para responsabilizar o Banco Central (BC) por perdas com investimentos realizados no Banco BVA, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em junho passado. O escritório Bichara, Barata & Costa Advogados entrou com as ações em nome da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer) e da FIPECq, que representa os empregados de Finep, Ipea, CNPq, Inpe e Inpa. A alegação é que o BC aprovou o investimento de ambas no BVA já ciente dos problemas enfrentados pelo banco. Procurado pelo Valor, o BC disse que não comenta assunto protegido por sigilo e nem questão que envolve ação judicial da qual é parte. "O que podemos afirmar é que a ação do BC se pautou nos estritos termos da lei", informou. Refer e FIPECq investiram no Fundo de Investimento em Participações (FIP) Patriarca, criado para comprar ações preferenciais do BVA. O FIP era, portanto, um veículo de capitalização do banco. As duas fundações fizeram o investimento em setembro de 2010. A FIPECq aplicou R$ 7 milhões ou 2,46% do patrimônio líquido do fundo. A Refer investiu R$ 40,083 milhões, ou 13,86% do FIP. No entanto, para que o Patriarca pudesse de fato comprar as ações do BVA, era necessária a aprovação do BC às alterações de capital da instituição financeira. Oito aumentos de capital no banco foram deliberados em assembleias entre setembro de 2010 e dezembro de 2011 e, por mais de um ano, aguardaram a liberação da autarquia federal. Ela só veio em 16 de abril de 2012, mesmo mês em que o BC havia determinado um reajuste na elaboração do balanço contábil do BVA, o que gerou um impacto negativo em seu patrimônio líquido. Por esse motivo, o BC exigiu que o BVA elevasse substancialmente suas provisões, uma vez que foram reconhecidas receitas e despesas fora do regime de competência. As fundações afirmam que só tomaram conhecimento de que os dois eventos aconteceram quase que simultaneamente pouco mais de dois meses depois, em julho de 2012, quando foram informadas sobre os fatos pelo gestor do Patriarca. "Quando o BC aprovou os aumentos de capital, após um longo período de análise, já tinha fortes indícios dos problemas no banco. Se tivesse sido no mínimo prudente, deveria ter indeferido", afirma Fábio Berbel, sócio do Bichara, Barata & Costa Advogados. Em um segundo momento, o BC ainda exigiu que o BVA revertesse alguns lançamentos contábeis que divergiam de seu entendimento. Em razão disso, o BVA convocou a KPMG para, novamente, auditar seus demonstrativos financeiros. Ao fim desses eventos, os cotistas do Patriarca foram informados de que o BVA deveria ser capitalizado em R$ 630 milhões para fazer frente às exigências do BC. Em outubro de 2012, houve a intervenção. As fundações alegam que, quando decidiram fazer o investimento, não havia questionamentos sobre a solidez do BVA. No entendimento delas, o banco possuía avaliações de rating que lhe apontavam alto grau de investimento e era auditado por empresa de renome. Berbel diz que a ação também busca responsabilizar pelas perdas das fundações outras instituições que prestaram serviços ao banco e não atentaram para e sua condição, como a auditoria KPMG e a Austin Rating - procuradas, ambas não deram entrevista. Berbel conta que, por meio de duas ações cautelares, o escritório conseguiu o arresto de bens dessas empresas. As liminares já foram cassadas, segundo Berbel pelo fato de KPMG e Austin serem empresas solventes. No entanto, o advogado destaca que é a primeira vez no Brasil que um investidor responsabiliza auditoria e agência de rating por prejuízos causados pela intervenção em um banco. Na ação, as fundações querem ser indenizadas pelas perdas e consideram que o investimento do Patriarca transformou-se em uma "injeção considerável" de recursos que capitalizaram o banco antes da publicização de suas irregularidades. Procurados, os executivos do BVA não foram localizados até o fechamento dessa edição. Antes da intervenção no banco, o patrimônio do Patriarca, que possui diversos outros cotistas, estava em R$ 284,7 milhões. Em março passado, era de R$ 6,95 milhões.
Valor Econômico (SP): Oferta de alimento pode triplicar em 10 anos Por Gleise de Castro | Para o Valor, de São Paulo Com o desenvolvimento de uma tecnologia agrícola própria, adequada ao cultivo tropical, o Brasil deixou para trás a posição de importador líquido de alimentos e os problemas de desabastecimento que marcaram os anos 1970, para tornar-se um dos maiores exportadores mundiais de produtos agropecuários. Graças aos ganhos de produtividade proporcionados pelo avanço tecnológico, a produção agrícola brasileira aumentou 220% de 1990 para cá, enquanto a área plantada expandiu-se 40%. "Se mantivesse as taxas de produtividade de 20 anos atrás, o Brasil precisaria de mais 68 milhões de hectares para produzir a quantidade de grãos que produz hoje", calcula o ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas. "São 68 milhões de hectares de florestas, cerrados e campos preservados. Isso é uma ode à tecnologia brasileira." Para José Roberto Rodrigues Peres, chefe geral da Embrapa Cerrados, nos próximos 10 a 12 anos o Brasil pode triplicar a oferta de alimentos utilizando a mesma área plantada hoje, um total de 53,23 milhões de hectares. "Podemos chegar a esse resultado só com transferência de tecnologia ao produtor e boas práticas, como a verticalização da produção, por meio do sistema integrado", diz Peres. Segundo José Eustáquio Ribeiro Vieira, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 68% do crescimento da produção agrícola brasileira nos últimos 40 anos estão relacionados ao emprego de tecnologia, enquanto 9% correspondem ao fator terra (aumento de área ou terra mais produtiva) e 2% a mão de obra. "A terra não é mais fator significativo para o aumento de produção. O fundamental é a tecnologia", afirma. De 1975 a 2010, a produtividade agrícola brasileira avançou 267%, enquanto a dos Estados Unidos aumentou 75%. Projeções da Assessoria de Gestão Estratégica (AGE), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para 2023 também indicam maior acréscimo de produção do que de área utilizada. Entre 2013 e 2023, considerando-se três cenários, a produção de grãos pode crescer entre 25,3% e 69,1%, enquanto a área deverá expandir-se entre 10% e 30%. No cenário mais provável, a produção brasileira de grãos deve chegar a 222,7 milhões de toneladas em 2023, um acréscimo de 38 milhões de toneladas. Já a área plantada deve ser acrescida de 4,4 milhões de hectares, para 57,33 milhões de hectares. Nos próximos dez anos, deverão ser produzidas também mais 9,3 milhões de toneladas de carnes, um aumento de 34,9% em relação à safra deste ano, para um total de 35,8 milhões de toneladas. A curva de investimentos em pesquisa no país é acentuada e crescente, desde 1973, segundo José Garcia Gasques, coordenador de planejamento estratégico do Mapa. "O efeito é cumulativo", diz. Além disso, houve grandes investimentos em máquinas e implementos mais eficientes, variedades mais produtivas e fertilizantes e defensivos de maior qualidade. Contribuíram também para a expansão do rendimento agrícola a adoção de uma gestão mais profissional da atividade rural, decorrente da abertura da economia e da estabilização econômica e monetária. A pecuária também evoluiu. Segundo o censo agrícola do IBGE, a área de pastagem foi reduzida de 174,6 milhões de hectares, em 1980, para 160 milhões de hectares em 2006, enquanto o número de cabeças de gado aumentou, no período, de 118 milhões para 176 milhões, devido basicamente ao melhoramento das pastagens, segundo Gasques. A recuperação de pastagens degradadas, com a adoção do sistema de integração de culturas e pecuária, também tende a liberar novas áreas para a produção agrícola. "O sistema de integração, o plantio direto na palha e outras práticas são tecnologias disponíveis para a recuperação de uma grande área degradada. Ainda há bastante espaço para a utilização de tecnologia", diz Paulo César Dias, coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). A técnica do plantio direto na palha (plantio de uma cultura sobre o que restou no solo da colheita anterior), ao melhorar as propriedades físicas do solo, proporciona aumento de 30% no rendimento, principalmente nas culturas de soja e milho, segundo Gasques. O impulso à pesquisa tecnológica veio com a introdução da soja no Centro-Oeste, no início dos anos 1970. Criada em 1973, a estatal Embrapa desenvolveu tecnologias para corrigir o solo e criar cultivares de diferentes espécies, tendo a soja como carro-chefe. "Na década de 1970, a soja só era produzida no sul do país, com cultivares vindos dos EUA, que não cresciam nos cerrados. Foi feito todo um programa de desenvolvimento genético para a região", relata Peres. A soja também melhorou o solo da região, ao retirar nitrogênio de camadas mais profundas, o que permitiu também a produção de milho, algodão, arroz e feijão nos cerrados. A região é responsável hoje pela produção de 55% de carne bovina do país, 40% a 45% da produção de leite, cerca de 60% da soja, 50% a 55% do milho, 30% do arroz e quase 40% do café. "A agricultura moderna foi desenvolvida para o clima temperado, na Europa, Estados Unidos, Argentina e Austrália. A partir desse conhecimento científico, o Brasil desenvolveu uma tecnologia própria. Isso é que é inovação", comenta Luiz Antonio Pinazza, diretor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Estimulada pela valorização no mercado internacional, a soja desenvolveu-se rapidamente no país. Hoje 70% da produção do grão e derivados (farelo e óleo) são exportados. "O crescimento da cultura de soja foi calcado mais em produtividade do que em área", diz Daniel Furlan Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). De 1976 a 2013, a produção aumentou 6,7 vezes, para 81,3 milhões de toneladas, enquanto a área plantada com o produto aumentou menos de quatro vezes, para 27,7 milhões de hectares. A taxa de produtividade continua crescente, embora em ritmo menor. Desde 2002, segundo Amaral, o rendimento médio da soja tem crescido ao ritmo de 0,82% ao ano. "O patamar atual, de 3.000 kg/ha, é bastante alto", diz. Ele calcula que o avanço da produtividade da soja economizou 18,8 milhões de hectares nos últimos 37 anos.
Folha de S.Paulo (SP): Mitologia Os dados da evolução do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal no Brasil entre 1991 e 2010 demoliram, de uma vez por todas, uma das teses mais repetidas pela máquina de propaganda do PT --a de que o partido detém a exclusividade e a primazia do combate à pobreza no país. A mais recente exposição dessa mitologia está no discurso da presidente da República na saudação ao papa Francisco, em sua chegada ao Rio, quando apontou "extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população". Não é o que mostra a comparação do IDHM nas duas décadas cobertas pelo estudo, na qual preponderaram os governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O IDHM geral para o Brasil saiu da faixa de "muito baixo" (0,493), em 1991, e passou para "alto" (0,727), em 2010, uma variação de 47,5%. Obviamente, ao contrário do que imaginam os petistas, essa melhoria não se deu toda a partir de 2003. Nos anos 90, saltou de 0,493 para 0,612, o equivalente a 24%, maior do que a verificada na década seguinte, quando subiu para 0,727, ou 19%. Em resumo, na década do Plano Real e da estabilização da economia, de FHC, a performance do IDHM foi superior ao período seguinte, de Lula. Não se trata de uma pesquisa encomendada pelos tucanos. De reconhecimento mundial, o IDH é uma iniciativa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Para afastar qualquer suspeita de favorecimento, é bom registrar que o trabalho foi executado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), ligado ao próprio governo federal, e pela Fundação João Pinheiro. E o lançamento se deu num anexo do Palácio do Planalto. Rumo a completar seu décimo primeiro ano no poder, e vendo sua popularidade se esvair, mais do que nunca o PT precisa agora se escorar nesse mito que ele próprio se incumbiu de construir. Nem mesmos os dirigentes da legenda acreditam na sua veracidade, mas continuam a reproduzir a cantilena, sobretudo depois que o mito fundador, o do monopólio da ética, foi soterrado pelas condenações do mensalão. Em artigo recente, o jornalista e ex-deputado Fernando Gabeira chama a atenção para o tipo de prática política em que a versão é mais importante que a verdade e em que militantes se dispõem a repetir mecanicamente as teses que vêm da cúpula partidária: "Ao constatar que são frágeis, tentam salvá-las com seu entusiasmo e, naturalmente, com a raiva contra quem discorda". Infelizmente, o que Gabeira aponta, com correção e pertinência, é o que constatamos todos os dias, especialmente na internet.
Portal Yahoo!: Quase 130 mil homicídios não foram registrados no Brasil em 15 anos, diz Ipea Segundo uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mais de cem mil homicídios cometidos no Brasil não foram contabilizados nos últimos 15 anos. O levantamento, divulgado no programa 'Fantástico', da Rede Globo, conta com informações de 1996 a 2010. Comandando pelo pesquisador Daniel Cerqueira, o estudo aponta que aproximadamente 130 mil homicídios não foram incluídos nos relatórios de mortes violentas no país. Desta forma, quase 8,6 mil assassinatos ao ano não foram registrados. Cerqueira descobriu o alarmante número ao analisar todos os dados de mortes por causas indeterminadas do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde. De acordo com o pesquisador, 175 mil pessoas foram mortas de forma violenta por causas indeterminadas no país nos últimos 15 anos. Em todas elas o Estado não possui explicações. Durante o estudo, foi constatado que 74% das mortes indeterminadas eram, de fato, homicídios. Com este dado é possível concluir que a taxa de homicídios no país é 18,65% maior do que o número oficial divulgado pelo governo. Em entrevista ao 'Fantástico', Regina Mika, secretária Nacional de Segurança Pública, afirmou que os dados enviados pelo Ministério da Saúde são vitais para o desenvolvimento de uma política de saúde. Entretanto, quando enviados com a finalidade de informar sobre a segurança pública, são "tardios e às vezes equivocados". Segundo Daniel Cerqueira, a comunicação precária entre a polícia e as secretarias municipais de saúde é uma das grandes causas pelos erros nas estatísticas. Ainda de acordo com o levantamento, o estado com maior número de homicídios não contabilizados é o Rio de Janeiro. Calculando-se a média de mortes entre 2007 e 2010 para cada 100 mil habitantes, foi possível concluir que o RJ tem uma taxa de 16,2 mortes sem causas determinadas. Logo depois aparece a Bahia, com 10,9, Rio Grande do Norte, com 7,7 e Pernambuco com 5. 

<< Início < Anterior 901 902 903 904 905 906 907 908 909 910 Próximo > Fim >>
Página 902 de 1099

 
 
 
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada


Política de Privacidade
Expediente – Assessoria de Imprensa e Comunicação

Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.