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O Globo (RJ): Panorama Econômico Banco Rural: FGC confirma direito ao crédito garantido O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou ontem, em nota, que irá instruir depositantes e investidores do Banco Rural, que teve liquidação decretada na sexta-feira pelo Banco Central (BC), a receberem os créditos garantidos pela instituição. O valor que cada pessoa tem direito a receber é de até R$ 250 mil. "Nos últimos anos, houve uma tendência clara de fortalecimento do transporte individual em detrimento do público. Houve uma conjugação de fatores, que inclui a melhora da renda da população, que levou a esse deslocamento". Carlos Henrique Carvalho PESQUISADOR DO Ipea
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O Estado de S. Paulo (SP): Trabalho e Bolsa Família explicam queda O aumento da renda obtida no trabalho é o protagonista da queda da desigualdade nos municípios entre 2000 e 2010. Ele é responsável por 58% da redução, segundo o presidente do Ipea, Marcelo Neri. Outros 13% podem ser atribuídos ao Bolsa Família. Os números foram calculados em pesquisa da instituição. Em outras palavras, o Bolsa Família leva o "Oscar de coadjuvante", brinca o pesquisador. Mas é um coadjuvante de peso. Sem as políticas de transferência de renda, "a desigualdade teria caído 36% menos", afirma o estudo. No figurino do protagonista, estão aumentos reais do salário mínimo e formalização do emprego.
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O Estado de S. Paulo (SP): Metade da população usa veículo particular Em São Paulo, média é de 2 habitantes por veículo; média nacional é de 5,2 por carro A frota nacional de automóveis e comerciais leves cresceu 8% em 2012 ante 2011, conforme mostra o mais recente estudo do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Metade dos brasileiros adultos já utiliza transporte privado parase locomover, incluindo motocicletas, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Cidades como acapital paulista já têm dois habitantes por automóvel, paridade próxima à de regiões desenvolvidas, como Estados Unidos e Europa. Fora dos principais centros consumidores, a média é de 8,8 habitantes por veículo, ante uma média brasileira de 5,2 pessoas por carro. Há uma década, essa paridade nacional era de 8,2 habitantes por veículo. Apenas cinco Estados - São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná - concentram 72% da frota. Nessas localidades, a média de habitante por veículo varia de 2,9 a 5,2 (ver quadro). A indústria automobilística contacom as regiões menos motorizadas para manter o ritmo das vendas e chegar em 2017 com números próximos a 5 milhões deveículos ao ano, conforme projeta a Associação Nacional dos Fabricantes deVeículos Automotores (Anfavea). Na última década, as vendas de carros novos cresceram a taxas médias de 7% ao ano, e a de motocicletas, de 13% ao ano. Já o número de passageiros que utiliza o transporte público caiu 25% no mesmo período. "Nos últimos anos, houve uma tendência clara de fortalecimento do transporte individual em detrimento do transporte público", diz Carlos Henrique Carvalho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), especializado em transporte. O estudo do Sindipeças mos-traque a frota brasileira aumentou 80% desde 2002 e encerrou o ano passado com 35,8 milhões de automóveis e comerciais leves, número que sobe para 38 milhões se forem incluídos caminhões e ônibus. A de motos praticamente quintuplicou - de 2.5 milhões de unidades há dez anos para 12,4 milhões. Mais jovem. Da frota de veículos, 43% têm até cinco anos de uso, participação que era de 33% há dez anos. Modelos com 6 a 15 anos são 37% do total em circulação e aqueles com 16 a 20 anos são 16%. Os mais velhinhos, com mais de duas décadas, correspondem a 4% da frota (ante 6% há dez anos). "A frota antiga é mais concentrada nas periferias e só deve ser reduzida significativamente se houver um programa de renovação, com incentivos fiscais", diz o conselheiro do Sindipeças, Elias Mufarrej. Para o presidente daAnfavea, LuizMoan, a atual taxade motorização brasileira, comparada com vários outros países, "ainda é incipiente", por isso o País continua atraindo novos investimentos no setor. Exemplos são a alemã BMW e as chinesas Chery e JAC, que estão construindo fábricas no País. A taxa de motorização é de1,3 pessoa por veículo nos EUA, de 1.6 no Canadá, de 1,7 no Japão, Espanhae França, de 1,8 no Reino Unido e Alemanha, de 2,7 na Coreia do Sul, de 3,6 no México e de 3,7 na Argentina, segundo dados da consultoria PriceWa-terhouseCoopers (PwC). "Em muitos desses países há transporte coletivo eficiente e aspessoas continuam comprando automóveis", diz Moan. "Olhamos muito para a cidade de São Paulo, que está perto de manter apenas um mercado de substituição, masnas demais regiões há espaço para crescer." As Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste passam aser alvo da indústria e também têm atraídoinvestimentos.AFiates-tá construindo nova fábrica em Pernambuco e a JAC, na Bahia. Dados da Anfavea mostram que, de 2002 para cá, as vendas de automóveis e comerciais leves na Região Norte cresceram 234%, para 158,9 milveículos no ano passado. No Centro-Oeste, a alta foi de 223% (362,3 mil) e no Nordeste, de 201% (567,2 mil). No Sudeste, a alta foi de 137% (1,8 milhão) e no Sul de 159% (718 mil). Na totalidade do mercado brasileiro, as vendas desse segmento saltaram de 1,39 milhão de unidades para 3,63 milhões, uma alta de 160%. "Desmotorização". Na opinião do sócio da PwC, Marcelo Ciofi, o Brasil ainda está longe da "onda de desmotorização" que começa a surgir em países desenvolvidos, onde parte da população, especialmente jo-vens,não quer maister automóvel. "O Brasil, assim como os demais países em desenvolvimento, como China e índia, ainda está na fase da motorização." Cioffi concorda que, embora nos grandes centros a paridade entre habitantes e veículos é cada vez menor, nas demais regiões há espaço para crescer. "O processo de "desmotorização" vai depender da evolução dos investimentos no transporte público e das políticas de restrição ao uso do carro, medidas que podem definir mudanças na forma de usar o automóvel."
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O Estado de S. Paulo (SP): Em 20 anos, 65% , dos brasileiros vão usar veículo particular Caso o ritmo atual de vendas de carros novos se mantenha e não ocorram investimentos significativos no transporte público em menos de 20 anos 65% dos brasileiros vão se locomover por meio de veículos particulares e 35% utilizarão ônibus trens e metrô prevê a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
Seria quase uma reversão da matriz da locomoção verificada em 1990, quando 75% da população usava transporte coletivo e 25% privado, Hoje, essa proporção é de 50% para cada lado.
“Ter 65% da população se locomovendo com veículo particular será o caos total”, diz o presidente da NTU, Otávio Cunha, Para evitar esse cenário, ele aposta nos projetos de mobilidade que começam a ser adotados pelos governos e que ganharam reforço dos recentes protestos pela melhoria do transporte público,
Em 2012, enquanto foram comercializa 1 dos 3,6 milhões de automóveis e comerciais leves, com alta de 6,1% em relação a 2011, as vendas de ônibus (urbanos e rodoviários) somaram 28,8 mil unidades, queda de 16,8% no comparativo com. o ano anterior, segundo as montadoras. “O modal ônibus representa 90% do transporte público e cada veículo transporta em média 70 passageiros, enquanto a média por automóvel é de 1,3 passageiro”, ressalta Cunha, Segundo ele, nos últimos 18 anos o setor perdeu 30% da demanda de passageiros por causa da má qualidade dos serviços.
Os ônibus transportam atualmente 40 milhões de pessoas por dia, ante 60 milhões há menos de duas décadas,
Para o pesquisador do Ipea, Carlos Henrique Carvalho, o favorecimento ao transporte individual pode ser constatado nas políticas de incentivo ao consumo de carros, com. benefícios fiscais e crédito farto, Dados do ipea mostram que os preços dos carros novos subiram 44% de 2000 a 2012, ante uma inflação de 125% (IPCA). A gasolina ficou 122% mais cara e a tarifa do ônibus, 192%. “Houve uma conjugação de fatores, que também inclui a melhora da renda da população, que levou ao deslocamento da demanda do transporte público para o privado”, afirma Carvalho.
Cunha ressalta não se tratar de inibir a compra do automóvel, sonho de muitos brasileiros, mas de mudança no seu uso, “Se tivermos transporte público de qualidade, as pessoas não precisarão, por exemplo, usar o carro para ir diariamente ao trabalho, mas para lazer e viagens no fim de semana.”
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Portal O Dia: Atalho para obter justiça e resolver pendências Acordo da Defensoria com o INSS vai buscar saída para questionamentos sem passar por tribunais
Rio - Agilizar pendências administrativas entre segurados e o INSS, além de evitar que o indeferimento de benefícios virem ações judiciais e que idosos caiam nas mãos de escritórios de advogados interessados em levar vantagens são os focos de combate do projeto "Conciliad".
A iniciativa voltada para famílias com renda de até R$ 1.710 será implementada em 30 dias pela Procuradoria do INSS da 2ª Região (Rio, Espírito Santo e Minas Gerais). Inicialmente serão analisados problemas em pedidos de pensões por morte negados nas agências da Previdência. Em um segundo momento, aposentadorias por idade e por tempo de contribuição serão incluídas no projeto.
A proposta também terá a participação da Defensoria Pública da União (DPU), que assinou em abril deste ano termo de cooperação técnica com a procuradoria. O "Conciliad" beneficiará segurados que tiveram o pedido de benefício indeferido e procurarem a DPU para entrar com processo na Justiça Federal.
Segurado que tiver pedido de benefício negado na agência da Previdência deverá ir à Defensoria Pública para fazer recurso administrativoFoto: Agência Brasil "Quando a Defensoria Pública receber a reclamação do segurado, ela não vai entrar com ação na Justiça. O projeto 'Conciliad' prevê que a DPU faça um processo administrativo nas Juntas de Recursos do INSS que, então, acionarão a procuradoria para analisar a questão. Queremos evitar a judicialização desses casos", explicou com exclusividade à coluna o procurador federal Rafael Machado de Oliveira da Procuradoria do INSS da 2ª Região.
Podem usar os serviços gratuitos da Defensoria Pública da União segurados com renda familiar mensal dentro da faixa de isenção do Imposto de Renda, hoje R$ 1.710,78. Caso tenham rendimentos maiores devem comprovar que suas despesas não permitem pagar um advogado.
"A iniciativa é uma a porta de entrada para conseguir meios alternativos e resolver litígios sem ações judiciais. A medida vai reduzir a quantidade de processos previdenciários no Judiciário. Vai dar celeridade", afirma o defensor-chefe da Defensoria Pública da União no Rio, Igor de Andrade Barbosa. Ele informou que na quinta-feira haverá uma reunião de trabalho na DPU para acertar os últimos detalhes do programa.
O procurador Rafael de Oliveira esclareceu que o "Conciliad" tem três possibilidades de resultados: chegar a um acordo com o segurado acatando o pedido de benefício negado inicialmente e ser homologado pelo relator das Junta de Recursos; manter a decisão da agência de não concedê-lo; e fazer pedido para que o segurado apresente novas provas para que possam embasar melhor a análise da procuradoria sobre o caso.
Teste comprova eficácia do projeto
O chefe do Serviço de Gerenciamento e Prevenção de Litígios da Procuradoria do INSS, Sérgio Costa da Silva, explicou à coluna que um programa piloto foi testado em todo o país com 163 processos administrativos. O resultado: 15,95% acabaram em proposta de acordo, ou seja, a Procuradoria do INSS reconheceu o direito do segurado ao benefício; em 26,99% dos casos foram feitos pedidos de complementação de provas; e, em 57,05% houve a manutenção do indeferimento.
"O acréscimo de provas testemunhais, no caso dos pedidos de pensão por morte, ajuda a deixar o processo mais completo e aumenta a chance de o segurado obter o deferimento", avalia o procurador Rafael de Oliveira, ressaltando que o "Conciliad" foi desenvolvido pela Procuradoria-Geral do INSS e aprovado pela Presidência do instituto, em Brasília.
Segundo Sérgio da Silva, quando o processo administrativo encaminhado pela DPU chegar às Juntas de Recursos do INSS - esse protocolo será feito por meio eletrônico -, a procuradoria será acionada para analisar o assunto.
Servidores passam por capacitação
Outras medidas foram adotadas pela Procuradoria do INSS, segundo o procurador Rafael Machado de Oliveira, para melhorar a avaliação dos pedidos de benefícios nas agências da Previdência Social. Mais de 500 servidores das gerências-executivas Centro e Norte do Rio passaram por cursos de capacitação na área de processo administrativo previdenciário.
O procurador afirma que a apresentação de testemunhas também passa por modernização. "As entrevistas para provas testemunhais levavam até duas horas. A partir de agora serão filmadas e o processo reduzido a 30 minutos. Esse conjunto de medidas e mais o "Conciliad" vão melhorar o atendimento", garante Oliveira.
O INSS tem promovido mutirão de atendimento na Central do Brasil com intuito de agilizar a prestação de serviço. Outra iniciativa é o envio de cartas com a contagem do tempo de contribuição para a casa dos segurados.
MÁXIMO DE 85 DIAS
Segundo o chefe do Serviço de Gerenciamento e Prevenção de Litígios da Procuradoria do INSS, Sérgio Costa da Silva, a Procuradoria do INSS terá prazo de 15 dias para avaliar inicial o recurso da DPU. Ele estima que todo o processo levará, no máximo, 85 dias para ser completado.
QUEDA DE TEMPO
"De acordo com o Ipea, processos judiciais nos Juizados Especiais Federais levam até um ano e oito meses (600 dias) para conclusão. Isso se não houver recurso. Caso tenha, são mais 480 dias de tramitação. O "Conciliad" visa a reduzir muito o tempo de espera pela decisão final", avalia.
CONCESSÕES JUDICIAIS
Com a implementação do programa, o INSS quer reduzir o índice de concessão via sentenças judiciais. Dados do mês de abril deste ano mostram que 6,15% do que a Previdência Social libera de benefícios nos estados do Rio, Espírito Santo e Minas Gerais ocorrem por meio de ações Justiça Federal. O índice nacional fica em 9,68%. A meta é baixar para 1,5% a 2%. "Se trouxermos para o patamar de 1,5% a 2% estará muito bom. A Gerência-Executiva Centro, por exemplo, já trabalha com 1,5% de concessão judicial", acrescenta Sérgio da Silva.
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O Globo RJ): Trabalho infantil está presente em 12 cidades de IDH muito alto Por Clarice Spitz e Flávio Tabak Analistas atribuem fenômeno no país à desigualdade e fator cultural
O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil revelou a nova elite das cidades brasileiras. São 44 municípios enquadrados na faixa de "muito alto" desenvolvimento, com elevados índices de educação, longevidade e renda. A complexidade de avaliar o desenvolvimento dos municípios, porém, é grande. O trabalho infantil, mazela que ainda aflige 3,4 milhões dos brasileiros entre 10 a 17 anos, também está presente em boa parte das cidades mais bem avaliadas: 12 têm índices acima da média nacional para o trabalho nessa faixa etária, que é de 12,38% das crianças e jovens nessa faixa etária. O cruzamento foi feito entre os resultados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e do Mapa do Trabalho Infantil do IBGE. Ambos usam como fonte o Censo 2010. Por mais que, na faixa de 10 a 17 anos, estejam incluídas parcelas de jovens contratados legalmente como aprendizes - a legislação permite o trabalho nessa condição a partir dos 14 anos - especialistas consideram que o trabalho infantil ainda é precário. Dez das cidades estão em Santa Catarina (SC), o que mostra um traço da cultura do trabalho na lavoura, especialmente por causa do tipo de colonização europeia da região - mesmo que os menores estejam, também, em sala de aula. Outros fatores listados para o ingresso de jovens e adolescentes no mundo do trabalho são a ajuda na composição do orçamento familiar e a desigualdade que marca a sociedade brasileira e que não é captada pelo IDH. Municípios: alta escolarização Balneário Camboriú (SC), por exemplo, tem a quarta melhor posição no ranking de desenvolvimento humano, mas 14,2% das pessoas de 10 a 17 trabalham. A média nacional é de 12,3%. A cidade de Joaçaba (SC), de 27 mil habitantes, tem a mão de obra infantil ligada à criação de aves e ao cultivo e lavoura de plantas. Na faixa dos 10 a 17 anos, o município - o oitavo melhor IDH do Brasil - tem 16,8% dos jovens trabalhando. Situações semelhantes ocorrem em Rio Fortuna (25º) e São Miguel do Oeste (37º). Coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes, o procurador do Trabalho Rafael Marques diz que uma cidade não precisa ser pobre para ter parte de suas crianças trabalhando: - Às vezes a questão é puramente econômica, mas a miséria não é o único fator. Hoje crianças e adolescentes querem ter acesso a bens de consumo que as famílias, muitas vezes, não têm como proporcionar. O chefe da Fiscalização do Trabalho Infantil do Ministério do Trabalho, Luiz Henrique Lopes, explica que a fiscalização está concentrada nas grandes cidades, onde os números absolutos são maiores: - É natural que a prioridade recaia onde o trabalho infantil é mais alarmante, como Brasília, São Paulo, Curitiba, Santo André e São Bernardo do Campo. Para Erivelton Pires Guedes, do ipea - órgão que fez parte do time de instituições que prepararam o IDHM - a boa notícia é que, na faixa etária que vai dos 11 aos 13 anos, os municípios do Sul têm elevado índice de crianças na escola e na idade correta do ensino fundamental. Os percentuais de frequência nas cidades vão de 88,58% a 100% em Rio Fortuna, cidade que também exibe o maior percentual de trabalho infantil (66,9%). - Apesar do problema do trabalho infantil, esses municípios conseguem pôr as crianças na escola. Existe uma perspectiva para elas, ao contrário do que ocorre no Norte - afirma. - Mas é claro que uma criança que trabalha e estuda não tem o mesmo rendimento de outra que não trabalha, o que vai se refletir no mercado de trabalho, freando a redução da desigualdade mais à frente - ressalva. Não é surpresa que trabalho precoce possa coexistir em cidades com altos índices de escolarização, na avaliação da secretária do Forum Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, Isa Oliveira. Segundo ela, apesar de os programas de transferência de renda contribuírem para elevar o número de crianças na escola, não asseguram que elas não trabalhem. - Há ocultação do trabalho precoce - afirma. Falha em mostrar desigualdade Especialistas consideram que o indicador de desenvolvimento humano ainda precisa trazer à tona a desigualdade social presente no país. Para Flavio Comim, professor de Cambridge, o indicador de desenvolvimento humano deveria ser corrigido pela desigualdade, a exemplo do que ocorre no IDH global. Esse índice, que tem metodologia diferente da do indicador municipal, em 2012 apontou o Brasil na 85ª posição, entre 187 países. Porém, quando sofreu o ajuste pela desigualdade, mostrou queda para o 97º lugar. O coordenador da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, também considera que o IDH não revela a desigualdade. A entidade divulgou um relatório recente sobre as piores formas de trabalho infantil, no qual o rural está incluído. - Em Santa Catarina, o trabalho infantil rural é uma realidade. As perguntas são: como afastar crianças da atividade produtiva e garantir o orçamento familiar e como passar para o filho aquilo que se sabe sobre a terra, sem obrigá-lo a trabalhar - afirma.
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Jornal do Commercio (RJ): Falhas ocultam 8 mil homicídios por ano, mostra estudo
O número de homicídios no Brasil seria 18,3% superior ao dos registros oficiais dos últimos 15 anos se não fosse o excesso de burocracia e a falta de comunicação entre as instituições responsáveis pelos dados. A conclusão é de um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que revela que entre 1996 a 2010 cerca de 129 mil assassinatos foram erroneamente classificados como mortes violentas por causa indeterminada. Por ano, mais de 8 mil homicídios deixaram de entrar na conta do Ministério da Saúde.
Segundo a pesquisa, apenas em 2010, 10,3% das mortes violentas ocorridas no País foram registradas sem a determinação de sua causa. Para Daniel Cerqueira, pesquisador responsável pelo estudo, esse número revela "uma grave disfuncionalidade no sistema de produção de informações sobre óbitos violentos".
Cerqueira explica que, de modo geral, os problemas na classificação do que ele chama de homicídios ocultos acontecem por falhas dentro dos órgãos competentes, mas principalmente pela falta de comunicação entre Instituto Médico Legal (IML), secretarias estaduais e municipais de saúde e polícias. "Veja o caso de São Paulo, que está entre os sete Estados com maior índice de homicídios ocultos: a perícia legista é uma das mais desenvolvidas de todo País, no entanto, falta comunicação entre as organizações".
O levantamento aponta que, entre 2007 e 2010, os Estados com o maior índice de assassinatos não registrados por 100 mil habitantes foram Rio de Janeiro (18,1), Bahia (12,9), Rio Grande do Norte (10,3), Pernambuco (7), Minas Gerais (6,6) e São Paulo (5,8).
Para Cerqueira, a correta apuração e classificação dessas mortes têm impacto direto na segurança pública. "Esse (dados oficiais de homicídios do Ministério da Saúde) é o único termômetro estatístico confiável para a avaliação de indicadores de formulação de políticas públicas para mitigar o drama da segurança no País", destacou. (Agência Estado)
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Valor Econômico (SP): Juro em alta leva empresas locais a aumentar investimento no exterior
Não é apenas a lógica dos empréstimos captados fora do país que muda com uma taxa de juros mais alta aqui dentro. O destino de investimentos feitos pelas empresas brasileiras também parece sofrer influência direta de juros mais apertados: se a Selic, a taxa básica, sobe, os investimentos feitos pelas companhias no exterior também crescem. Se a taxa cai, os investimentos fora caem junto, deixando margem para que se questione se essas aplicações, em um ambiente mais favorável, não poderiam ter ficado no Brasil.
No primeiro semestre, segundo dados do Banco Central, os aportes de companhias com sede no Brasil para investir e aumentar seu capital em outros países cresceram 61,4% comparados ao mesmo período em 2012, atingindo US$ 11,3 bilhões. A alta coincide com o momento em que a Selic, após chegar a 7,25% no ano passado, seu piso histórico, voltou a subir.
"Os juros são o custo de oportunidade do investimento. Se a Selic sobe, sobe o custo de se investir, e então fica comparativamente mais vantajoso investir em outros países do que no Brasil", explicou Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria.
Segundo cálculo feito por Salto para o Valor, para cada ponto que a Selic ganha, US$ 1,6 bilhão sai do Brasil para ser investido em outro país. O levantamento levou em conta a evolução da taxa de juros e dos investimentos brasileiros no exterior desde 2006. De abril, quando sofreu seu primeiro aumento no ano, para cá, a Selic já ganhou 1,25 ponto, chegando aos atuais 8,5%. Se as projeções de mercado se concretizarem, ganha ainda mais 0,75 ponto até o fim de 2013, chegando a 9,25%.
"Tendo o dinheiro em caixa, a empresa pode seguir duas decisões: investir em um projeto, ou aplicar em um título público, que irá pagar a Selic. Então, quanto maior a Selic, menor o número de projetos viáveis", explica Salto, ressaltando no entanto que uma série de outros fatores são colocados na mesa de decisões que não apenas os juros, como o ambiente de negócios, a disponibilidade de mão de obra ou o crescimento do país. "Se a intenção da companhia é continuar expandindo a produção, há a oportunidade de fazer isso fora e o ambiente da Selic é adverso, ela fará", afirma Salto.
"O juro é com certeza fundamental para definir o investimento, mas tem uma lógica muito mais de curto prazo", disse Edison da Silva Filho, técnico de estudos internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "A flutuação dos juros não deveria influenciar as decisões de gasto produtivo e de remessa para o exterior. Se isso ocorre, é por um caráter muito mais especulativo", disse. Nesse caso, explica, em um momento em que não só o Brasil, como economias do mundo inteiro, seguem um rumo incerto, o redirecionamento dos recursos para outras subsidiárias seria antes uma forma de as multinacionais garantirem liquidez local do que necessariamente a intenção de expandir o negócio tão cedo.
Para Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), mesmo com trajetórias coincidentes, a Selic não é a determinante na decisão de se investir fora. Em sua visão, um juro mais alto estimula inclusive o contrário. "A empresa pode deixar esse dinheiro aqui rendendo em um aplicação financeira antes de voltar a investir", diz.
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Jornal da Globo: Pesquisa mostra a frequência com que jovens trocam de emprego Em um ano, sete em cada dez pessoas de 15 a 24 anos saem do emprego. Taxa de desemprego na faixa etária mais baixa é bem maior. . Janaína Lepri São Paulo, SP
Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que os jovens brasileiros trocam muito de emprego. Em um ano, sete em cada dez trabalhadores de 15 a 24 anos se desligam do trabalho. A rotatividade dos atendentes é alta no balcão. Na rede de fast food, 70% dos funcionários têm menos de 23 anos. Esse é o primeiro emprego da maioria e mantê-los é um desafio. A empresa prefere contratar jovens para trabalhar nos restaurantes porque eles chegam praticamente sem vícios. Mas para deixar um funcionário pronto leva quase um ano. Para não ter que começar do zero sempre, a rede de fast food passou a investir cada vez mais em 'recompensas'. Foi o que aconteceu com Anderson Silva Rego, de 18 anos, gerente de área do McDonald's. A habilidade na fritadeira rendeu um prêmio ao rapaz, que ganhou uma bolsa de estudos de um ano, um home theater e mudou de uniforme. “Depois de sete meses, fui promovido para o cargo de gerente de área. Almejo ainda uma possibilidade de estar sendo promovido no próximo ano. Agora que eu estou bem mais motivado”, diz. “A chance de a gente perder esses funcionários cai pela metade. Então, quando eu perdi dois funcionários, eu passo a perder somente um”, diz Leylah Maclof, gerente de RH do McDonald's. A preocupação tem fundamento. Uma pesquisa do Ipea mostra que os jovens saem do emprego com muita frequência. Em um ano, sete em cada dez trabalhadores de 15 a 24 anos se desligam do trabalho. É quase o dobro das demissões entre as pessoas com mais de 25 anos. Por isso, a taxa de desemprego na faixa etária mais baixa é bem maior. “É o comportamento mesmo do jovem que ao entrar no mercado de trabalho, eventualmente, encontra uma coisa diferente do que ele esperava, de uma expectativa que ele tinha e, eventualmente, não se satisfaz e vai procurar outro caminho”, diz Carlos Henrique Corseuil, pesquisador do Ipea. A presidente de uma empresa especializada em RH diz que os mais jovens não vão mudar de atitude. Caberá aos empregadores se adaptarem. “Os benefícios e os prêmios funcionam no curto prazo. Depois, ele cansa daquilo. Ele fica pensando: e o meu crescimento, e o que eu estou fazendo de novo?", diz Eline Kullock, presidente do Grupo Foco. A mesa de pingue-pongue no meio do escritório é indica que na empresa de TI é o funcionário quem decide a hora de trabalhar e de relaxar. Também é ele quem resolve o horário que chegará e quantos dias irá querer de férias. A diretora de marketing diz que essa independência toda leva a um comprometimento maior. “Já que a gente passa a maior parte do tempo no trabalho, que seja um ambiente que a gente goste. Então, quanto mais a gente gosta, mais a gente produz. Então, a empresa tem essa preocupação e sabe que isso dá resultado”, diz Eliane Yumi, gerente de marketing da Return Path.
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Folha.com: Menos de 2% dos resíduos sólidos são reciclados
Mesmo com 60% dos municípios do país tendo alguma iniciativa de coleta seletiva, a quantidade de resíduo sólido urbano que de fato retorna à cadeia produtiva não chega a 2%.
Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2012, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 51,4% do material coletado são matéria orgânica; 13,5%, plástico; 13,1%, papel, papelão e tetra pak; 2,9%, metais; 2,4%, vidro; e 16,7%, outros materiais.
De acordo com a Abrelpe, em 2012 foram produzidas 1.436 mil toneladas de alumínio primário, e a reciclagem fica na faixa de 36%, chegando a 98,3% das latas de bebida, patamar com pouca variação nos últimos cinco anos. A produção de papel foi 10 milhões de toneladas, e a taxa de recuperação com potencial para reciclagem está em 45,5%.
Já em 2011, o consumo aparente de plásticos foi de 6,8 mil toneladas, das quais 1.000 toneladas recicladas -57% no caso de PET. Em 2001, a reciclagem dessas garrafas era 32,9%.
No setor de vidros, o dado mais recente é de 2008, quando a capacidade de produção instalada foi 3 mil toneladas, sendo 1.292 no setor de embalagens. Dessas, 47% são recicladas --incluindo 20% de embalagens retornáveis--, 33% reutilizados e 20% vão parar em aterros e lixões.
O gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Hipólito, explicou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos não prevê prazo para implantar a coleta seletiva e a reciclagem dos materiais.
"Nós colocamos metas no plano nacional: para 2015 uma quantidade de reciclagem e outra para 2019. Para os resíduos úmidos tem a compostagem, a biodigestão. Mas nós estamos trabalhando tudo paralelamente, porque não pode fechar primeiro o lixão para depois fazer a reciclagem", disse Hippólito.
Em tese, na hora de se fechar um lixão e colocar em funcionamento um aterro sanitário, onde só poderá ser depositado rejeito, obrigatoriamente terá que haver a coleta para retirar a parte que não deve ser enterrada, acrescentou.
Quanto às cooperativas de catadores, Hipólito disse que foi criado um comitê interministerial para analisar essa inclusão socioeconômica. Já foram organizadas cerca de 200 cooperativas, das 1.300 que o ministério estima existirem no Brasil. Também foi lançada uma campanha educativa sobre a importância da separação dos resíduos.
"Nós solicitamos ao Ipea, em 2010, um estudo sobre quanto o Brasil perde ao ano por não reciclar, por enterrar as coisas que poderiam ser reaproveitadas, e o número é de R$ 8 bilhões por ano. É muito dinheiro", disse.
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Correio Braziliense (DF): Dívida cresce e assusta A estratégia do governo de estimular o consumo das famílias por meio do aumento do crédito, assim que o mundo ruiu com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, fez com que a dívida pública do Brasil desse um salto monumental. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que, nos últimos cinco anos, o endividamento bruto passou de 63,5% para 67,2% do Produto Interno Bruto (PIB), nível superior ao registrado por vários países da Zona do Euro antes do estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos. A França, por exemplo, tinha, ao fim de 2007, um índice de 64,2%. O salto da dívida bruta brasileira foi estimulado, sobretudo, pela injeção de recursos, pelo Tesouro Nacional, nos bancos públicos. Apenas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu mais de R$ 300 bilhões, criando, no entender do economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), um orçamento paralelo, que ajudou a minar a confiança dos agentes econômicos no país. Para ele, o desconforto é enorme, pois, não bastasse a transferência de recursos às instituições públicas, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, com o aval do ministro da Fazenda, Guido Mantega, recorreu a truques fiscais para dar às contas públicas uma saúde que elas não têm. A maquiagem nos números foi tão intensa que o Brasil está sob ameaça de rebaixamento pelas agências de classificação de risco. Foi justamente a expressiva recuperação do país logo depois do estouro da bolha imobiliária que levou essas empresas a concederem à economia brasileira o tão sonhado grau de investimento, chancela de porto seguro para o capital. Hoje, porém, o que impera no Brasil é o pessimismo. Em especial porque o reforço de capital dos bancos públicos, que já respondem por mais de 50% do crédito concedido no Brasil, teve outro efeito colateral: o endividamento excessivo das famílias. Pelos cálculos do Banco Central, em setembro de 2008, 32% da renda dos lares brasileiros estavam comprometidos com o pagamento de dívidas. Em junho deste ano, último dado disponível, 45% do orçamento familiar vinham sendo usados para a quitação de juros e das parcelas de débitos contraídos com os bancos. Inflação Na avaliação do estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, as ações do governo no auge da crise mundial foram louváveis, porque permitiram ao país sair rapidamente de um severo processo recessivo. O problema foi ter insistido nas medidas de incentivo ao consumo além do recomendável. Pior: em vez de o Brasil ter impulsionado o crescimento, o que se viu foi o aumento da inflação e a desaceleração da atividade, uma vez que o poder de compra das famílias foi corroído. Para o economista Andrew Storfer, da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), as fragilidades do Brasil cinco anos depois da quebra do Lehman Brothers foram se acentuando à medida que ficou clara a saída dos países desenvolvidos da recessão. "Diante de tantos buracos na economia, o capital ficou receoso e passou a buscar oportunidades menos arriscadas nos países desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos, que voltaram a crescer", assinala. "Com isso, fica claro que o Brasil está jogando fora a oportunidade de ser um país melhor a médio e longo prazos. O que todos esperavam era uma nação que mostrasse uma face para o mundo de mais investimento, mais amigo do capital, e não criando insegurança." No entender de Rostagno, infelizmente, se os ajustes vierem, será somente em 2015, depois das eleições presidenciais. O problema é que, até lá, os entraves acumulados exigirão um esforço redobrado para botar ordem na casa. E a fatura, mais uma vez, acabará no colo do lado mais fraco, a população, sobretudo a mais pobre. Nova ordem global O estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, considera que a velha ordem global está de volta. Com os países ricos saindo do atoleiro no qual se meteram a partir de setembro de 2008, e os emergentes sentindo o baque da desconfiança, a tendência é de que as nações mais ricas voltem a responder pela maior parte do crescimento mundial e, claro, de que fiquem com a maior parcela dos investimentos que circulam pelo mundo. Aperto Saldo da crise levou Brasil a acumular dívida superior à da França no pré-crise Disparada Para turbinar a economia, governo injetou dinheiro em bancos públicos, o que elevou dívida bruta (% do PIB)... Brasil 2007 65,2 2008 63,5 2009 66,9 2010 65,1 2011 64,9 2012 68,5 2013* 67,2 2014* 65,8 França 2007 64,2 2008 68,2 2009 79,2 2010 82,3 2011 86,0 2012 90,2 2013* 92,7 2014* 94,0 *Projeção Orçamento apertado Na mesma toada, seguiu o endividamento das famílias brasileiras, que é recorde Comprometimento da renda (em %) Set/08 32,21 Dez/09 35,41 Dez/10 39,16 Dez/11 41,70 Dez/12 43,41 Jun/13 44,82 Portas fechadas Desde a crise, sete bancos já foram liquidados extrajudicialmente Banco Morada Cruzeiro do Sul Banco Prosper BVA Banco Simples Banco Rural Banco Mais Troca de controle Outras instituições, que também tiveram problemas financeiros, acabaram vendidas para concorrentes Unibanco Panamericano Schahin Matone Fonte: Banco Central e FMI
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O Globo: Edmar Bacha – O Pibinho e a Pnadona
Consta que o general Mediei, então ocupando a Presidência do país, teria dito, no auge do chamado milagre econômico do regime militar, que "a economia vai bem, mas o povo vai mal" A frase me inspirou a criar, em 1974, a fábula sobre o reino da Belíndia, uma ilha em que poucos belgas eram cercados de muitos indianos. Recentemente, economistas do governo, preocupados com a sequência de "pibinhos" acompanhados de elevada inflação, resolveram partir para a luta e proclamar que "a economia vai mal, mas o povo vai bem”. Marcelo Neri tem dado entrevistas dizendo que Belíndia agora tem novo significado: a renda de nossos "belgas" cresce pouco como a dos europeus, mas a renda de nossos "indianos" cresce igual à dos chineses. Será que o Brasil mudou tanto assim, e deixou de ser uma Belíndia para se tornar uma Indiabela?
Antes fosse. A realidade é que desde 1980 o país está parado no meio do caminho, incapaz de sair da renda média para se tornar um país rico. A distribuição da renda melhorou a partir da estabilização em 1994 e especialmente nos anos da bonança externa da década passada. Mas essa melhora só foi suficiente para o Brasil deixar de ser o país com a pior distribuição de renda do mundo e continuar no grupo dos países mais desiguais do planeta.
Marcelo Neri, em artigo no GLOBO (4 de outubro), se entusiasma com o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, segundo a qual o crescimento da renda por brasileiro teria sido de 8% de 2011 a 2012, um número maior do que o da China. O contraste com o PIB per capita não poderia ser maior, pois este aumentou apenas 0,1% de 2011 a 2012. Como pode o PIB per capita ter se estagnado e a renda per capita na Pnad ter crescido tanto assim?
Neri não explica. Apenas assevera que entender o Brasil não é tarefa para amadores e mantém seu otimismo de que em 2013 haverá uma alta na felicidade geral da nação. Euforia ministerial à parte, parece melhor adotar uma atitude mais cautelosa.
Caberia, antes de tudo, entender por que os dados da Pnad destoam tanto daqueles do PIB. Tarefa para profissionais, diria o Neri! Infelizmente, os profissionais andam batendo cabeça a respeito desse assunto. Alguns acham que o PIB está subestimado. Outros acham que se trata de conceitos distintos de renda real, pois a renda da Pnad é corrigida pela inflação (INPC) e o PIB é corrigido pelo chamado deflator implícito. Outros notam que o PIB é um conceito formuito mais amplo que a renda das famílias na Pnad e que a comparação deveria ser feita, não com o PIB, mas com o consumo das famílias nas contas nacionais. Outros salientam que a Pnad apenas pergunta às pessoas qual foi sua renda em setembro de cada ano, enquanto que o PIB engloba uma massa muito maior de informações e cobre o ano inteiro.
Há, finalmente, a questão do salário mínimo, cujo valor real vem sendo reajustado bem acima da inflação há alguns anos. É possível que a renda reportada pelas pessoas à Pnad seja muito influenciada pelo valor do mínimo legal e supere os ganhos financeiros que elas de fato auferem, especialmente quando transitam da informalidade para a formalidade. A evidência de o consumo das famílias nas contas nacionais não acompanhar o crescimento da renda da Pnad seria um indício dessa superestimação.
Enquanto os economistas debatem as respostas para o dilema PIB x Pnad, é bom lembrar que o PIB retiata o potencial de produção do país. Se o PIB se mantiver estagnado, mais cedo ou mais tarde toda a população sofrerá. Durante algum tempo, especialmente num país tão desigual quanto o nosso, é possível elevar a renda dos mais pobres através de taxação e transferências, por exemplo. Isso é válido, mas não é sustentável. O Brasil precisa encontrar um caminho em que a distribuição de renda se alie ao crescimento, algo que ainda não conseguimos. •
Edmar Bacha é diretor do Instituto de Estudos de Política Económica/Casa das Garças
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Valor Econômico (SP): Reeleição caiu onde IDHM mais evoluiu Por Cristian Klein Os prefeitos das cidades que registraram o maior aumento proporcional no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 2010, divulgado pelo PNUD, tiveram maior dificuldade de se reeleger em 2012 do que seus pares pelo país. Em vez de se beneficiarem eleitoralmente da forte melhora nos indicadores de renda, saúde e educação - que compõem o índice - os prefeitos dos cem municípios com o maior avanço entre os IDHs de 1991 e 2010 viram suas chances de reeleição despencarem. É o que mostra o levantamento feito pelo Valor Data, a partir do cruzamento de dados do PNUD, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
Os resultados surpreendem e, de acordo com especialistas consultados pelo Valor, sugerem um fenômeno semelhante ao ocorrido nacionalmente em junho: as manifestações de rua, que ocorreram a despeito da sensação de bem-estar, do baixo nível de desemprego e do consumo ainda elevado.
Os prefeitos dos cem municípios com maior crescimento no IDH - entre 201% e 369% - tiveram uma taxa de reeleição de 48,7%. É uma proporção menor que a dos prefeitos das cem cidades que registraram as menores evoluções de IDH (entre 21% e 33%, ou seja, um patamar dez vezes inferior) no período - municípios em boa parte que já têm os maiores IDH em termos absolutos. Neste grupo, o índice de reeleição foi de 55,8%, praticamente o mesmo da média nacional, que ficou em 55%.
A comparação das taxas entre os cem que mais evoluíram, os cem menos e o total de 5.568 municípios mostra que a expectativa de renovar o mandato foi ficando cada vez mais difícil, apesar do progresso no IDH.
Desde que passou a vigorar o instituto da reeleição, em 2000, nas últimas quatro corridas municipais a taxa média nacional de recondução foi de 59,7% (pela taxa líquida, que inclui também os prefeitos que poderiam se reeleger mas não tentaram, esse percentual é de 41,3%).
O índice de reeleição nos cem municípios que mais evoluíram no IDH subiu de 68,8% para o pico de 82,4%, em 2004, quando passou a declinar fortemente, para 68,8%, em 2008, e para os 48,7% do ano passado.
Para o economista Renan Gomes de Pieri o resultado não é contraditório, pois ao sair de um patamar muito baixo de desenvolvimento a tendência da população local seria a de naturalizar os ganhos e exigir mais. Com mais educação, viriam uma noção maior de cidadania e um maior rigor com os governantes. Seria uma versão do processo ocorrido nos protestos de junho e que deixaram a classe política e estudiosos perplexos, uma vez que o cenário não indicava tamanha turbulência ou insatisfação.
De Pieri é um dos autores de um artigo, baseado em sua dissertação de mestrado de 2011, que relacionou o impacto da melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) sobre as chances de reeleição dos prefeitos nas eleições de 2004 e 2008. Os dados da primeira disputa, quando o Ideb ainda não era divulgado, foram utilizados para controlar a relação causal, se ela não seria contrária, ou seja, se a reeleição é que estaria impactando a melhora no indicador - o que não foi confirmado. A pedido do Valor, Renan de Pieri estimou a probabilidade de reeleição dos prefeitos e também encontrou a correlação negativa nos municípios com maior avanço de IDH.
"Há o aumento do IDH, que, em princípio, nos leva à ideia de que estes prefeitos seriam recompensados. Mas pode ter ocorrido qualquer evento político local ou mesmo que os eleitores destes municípios tenham ficado mais exigentes. A reeleição neste caso pode ficar até mais difícil. É algo semelhante ao que aconteceu em junho. A despeito de termos uma taxa de 3% de desemprego, tivemos uma das maiores mobilizações populares que o país já viu", diz De Pieri. "Se fizermos um cruzamento entre reeleição de governadores e crescimento econômico a correlação talvez também seja negativa, pois a população está de olho em outros fatores como a qualidade dos serviços públicos e a corrupção", acrescenta.
Na dissertação, o pesquisador encontrou uma correlação positiva: o aumento em um ponto na escala do Ideb cresceria a probabilidade de reeleição em cinco pontos percentuais. O professor André Portela, da FGV-SP, que foi o orientador no estudo, diz que o trabalho quebra um mito de que educação não dá voto, mas ressalva que a diferença entre o Ideb, o IDH (que ainda inclui renda e saúde) e o perfil dos municípios pode levar a resultados distintos.
Não adianta um prefeito investir em educação, exemplifica, se no perfil demográfico do município há uma predominância de idosos, que demandam mais por investimentos em saúde. Ou o contrário: se numa população majoritariamente de jovens, a gestão privilegiar políticas públicas voltadas para saúde em detrimento daquelas da educação. "Por isso, nós, economistas em geral, somos críticos a essas rubricas, com percentuais obrigatórios para saúde ou educação. Quando elas são baixas, são irrelevantes. Mas se forem altas, restringem a alocação de recursos de forma mais apropriada", diz.
De Pieri destaca que, embora seu estudo tenha apontado um efeito da educação nas chances de reeleição, o impacto seria menor que outras realizações mais visíveis. "Educação dá voto, mas a relação custo-benefício é alta. Para o prefeito, é mais barato fazer uma ponte. O retorno eleitoral é mais garantido. Na educação, é difícil o eleitor enxergar o produto", afirma.
Essa dificuldade pode ajudar a explicar a baixa taxa de reeleição. Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - parceiro do PNUD na elaboração do IDHM - afirma que 65% da evolução do indicador na última década se devem à educação - enquanto 35% foram puxados pela renda e pela saúde.
Ele lembra que o efeito sobre as chances de renovação de mandato dos prefeitos, no entanto, são "realmente difíceis de achar". "O IDH resume muitas políticas distintas e compartilhadas, que envolvem vários partidos e níveis de governos diferentes", diz. Neri ressalta que a educação - embora tenha sido o componente que mais contribuiu para a evolução no IDH - é a antítese do ciclo político, pois o estudante, seu maior beneficiado é, majoritariamente, "aquele que não vota, que não é protagonista" na eleição. Uma prova disso, cita o presidente do Ipea, seria o trabalho de um ex-aluno seu - o economista Gabriel Buchmann, morto aos 28 anos, em 2009, quando fazia uma escalada na África - que mostrou diminuição de gastos educacionais em anos eleitorais.
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Brasil Econômico: 'Inflação no centro da meta, só em 2015' Por Eliane Velloso, Edla Lula e Paulo Henrique de Noronha Um dos críticos mais duros da política econômica, que usa regularmente a internet para expor suas conclusões, Mansueto Almeida, economista e pesquisador do ipea, avalia que a queda do IPCA em julho comemorada pela presidente Dilma Rousseff foi um “ponto fora da curva”. Em entrevista ao Brasil Econômico, ele aponta o que considera uma série de erros do governo, como as falhas na comunicação de medidas à sociedade. Mansueto traça um cenário sombrio para a economia brasileira: “Quem quer que ganhe a eleição terá uma agenda muito difícil” "Ficaremos em banho-maria até 2014. Mas, em 2015, teremos ajuste" ENTREVISTA MANSUETO ALMEIDA Economista e pesquisador do Ipea Semana passada, quando a presidente Dilma Rousseff comemorou o resultado do IPCA de julho dizendo que “a inflação está sob controle”, Mansueto Almeida, economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (ipea), postou em seu blog: “Quem fala isso, é porque não entende de economia e/ou não olhou os dados”. Duro crítico da política econômica oficial, que usa regularmente a internet para expor suas conclusões, Mansueto, que é PhD em Políticas Públicas pelo prestigiado Massachussets Institute of Technology (MIT), enumera, nesta entrevista ao Brasil Econômico, uma série de erros que o governo vem cometendo na economia — a começar por sua comunicação. Ele lembra que no final do ano passado, na hora de explicar as medidas para reverter o superávit fiscal e o PIB abaixo da meta, “todo mundo do governo desapareceu, a sociedade ficou sem saber o que eram aquelas medidas”. Mansueto traça um cenário sombrio para a economia brasileira, dizendo que o governo fez apostas erradas. Está preocupado, por exemplo, com o excesso de subsídios e desonerações, que um dia terão que ser pagos —“não tem almoço grátis”. E diz que, se em 2014 o dólar chegar a R$ 2,40, a Petrobras terá que reajustar o preço dos combustíveis. “Quem ganhar a eleição no próximo ano, logo após assumir, terá uma agenda muito difícil. O ano de 2015 será de ajustes, não será possível ficar fazendo mais do mesmo”, prevê, acrescentando que trazer a inflação para a meta será tarefa para o novo governo, em 2015. Eliane Velloso,Edla Lula e Paulo Henrique de Noronha O senhor é um crítico ácido e freqüente da política econômica oficial. Afinal, o que está errado? Há um conjunto de coisas erradas. O governo fez algumas apostas, de que o crescimento no país iria retornar e a taxa de investimento aumentar, baseado em políticas como o direcionamento de créditos para alguns segmentos, mais subsídios para determinados tipos de investimentos, e algumas desonerações tributárias mais específicas para setores diferentes. Uma série de coisas que poderiam ter dado certo, mas que de fato não entregaram o resultado esperado. Como tempo, os investidores externos e domésticos foram ficando apreensivos e perdendo a confiança no potencial de crescimento da economia brasileira. Além disso, alguns indicadores pioraram muito. Nossa taxa de investimento hoje é de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) e há um déficit em conta corrente que caminha para 4% do PIB. Nossa economia fiscal, no início deste governo, era de 3,1% do PIB e agora o superávit caminha para metade disso. Então, há uma série de indicadores que, na margem, pioraram. Há uma incerteza muito grande em relação ao futuro da economia brasileira e as medidas do governo para tentar solucionar não estão sendo muito efetivas, não trazem o benefício esperado. O mais grave é o problema de comunicação do governo com a sociedade e o mercado. Essa falta de transparência não era necessária. Em que medida esta falta de transparência em relação às contas públicas interfere na performance da economia brasileira? Isso cria uma série de incertezas desnecessárias. Um exemplo bom é o resultado fiscal do ano passado. Em agosto ou setembro já se sabia que o crescimento seria ruim, que o governo não teria condições de cumprir a meta de superávit primário. Mas em vez de fazer aquilo que fez em 2009, quando claramente mostrou que não seria possível cumprir a meta e reduzi-la, o governo optou, na última semana do ano, na véspera de um feriado, por adotar uma série de medidas. Todo mundo do governo desapareceu para dar explicações sobre o que estava acontecendo. A sociedade ficou sem saber o que eram aquelas medidas, tomadas apenas para cumprir a meta do superávit primário. Esse tipo de ação sem transparência e sem uma comunicação efetiva com a sociedade é muito ruim para a credibilidade da política econômica.
Quando começou a se deteriorar essa comunicação? Em meados do ano passado. Tivemos dois movimentos simultâneos. Piorou a interlocução do Ministério da Fazenda com o Banco Central e piorou a comunicação da equipe econômica coma sociedade e como mercado. No momento em que a gente teve frustração na expectativa de crescimento econômico, o Ministério da Fazenda começou a adotar um tom mais otimista na tentativa de reverter as expectativas pessimistas. Mas esse tom otimista fez com que o diagnóstico da equipe econômica se distanciasse cada vez mais do diagnóstico do mercado financeiro e dos analistas independentes. Aí começou um diálogo entre cegos e mudos. Analistas aqui e lá fora estavam muito preocupados e apreensivos com os rumos da economia brasileira e, de outro lado, havia a convicção externada por membros da equipe econômica de que as coisas estavam caminhando na direção correta e que o crescimento iria voltar. Parecia até que analistas e governo estavam vivendo em mundos paralelos...
Será que o governo foi pego de surpresa por essa mudança de cenário e, sem saber o que responder, se retraiu?Talvez seja um pouco disso. Falar pelo governo é sempre muito delicado,mas faz parte do jogo. Mesmo quando a situação está ruim, os policy makers (elaboradores de políticas) têm que tentar mostrar que conhecem a situação, que estão a par dos problemas e que estão adotando as medidas adequadas. Na realidade, isso nunca foi feito de forma muito clara no ano passado. E foi piorando com o passar do tempo. Talvez porque parte da equipe econômica tivesse incertezas e não queria externar, e acabou se retraindo. Isso dificultou até o anúncio da agenda positiva do governo. As concessões são um bom exemplo. Quando se tem incertezas, a posição do mercado e dos investidores é sempre se retrair e esperar a poeira baixar.
O senhor comunga da ideia de que o governo abandonou o tripé macroeconômico de câmbio flutuante,metade inflação e superávit primário? Não diria que abandonou, mas tenho convicção de que a gestão do tripé macroeconômico piorou bastante, especialmente na questão fiscal e nas metas de inflação. Nos últimos cinco anos,Com exceção de 2009, a inflação vem ficando próxima a 6% ao ano. Antes, quando a inflação esperada para o ano seguinte se distanciava da meta, o Banco Central (BC) tomava medidas para aproximar a taxa para o centro. Nos últimos anos, isso não ocorreu. Ninguém acreditava que o BC iria tomar as medidas necessárias para trazer a inflação para o centro da meta. E quando isso ocorre num mercado de trabalho aquecido, você causa um problema, porque as pessoas vão demandar reajustes salariais baseados não no centro da meta,mas numa taxa de 6%. O custo disso é muito alto. O último dado de inflação (variação do IPCA em apenas 0,03% em julho), que é muito bom, eu diria que é um ponto fora da curva. Os preços livres nos últimos meses estão rodando a 8% ao ano. O que trouxe a inflação para baixo foi o preço administrado. Combustível, tarifa de transporte urbano. São coisas que conseguem segurar por algum tempo, mas não por muito tempo . A última vez que teve aumento de tarifa de transportes em São Paulo foi em 2011. Ano passado não teve, este ano não teve, próximo ano é eleitoral, provavelmente não terá. Mas em algum momento vai ter que reajustar, ou vai causar um prejuízo brutal para o setor privado. Você tem hoje um fato novo que é a desvalorização do real. E isso também contribui para aumentar um pouco a inflação. E qual é a sua expectativa de inflação? Tanto este ano quanto no próximo as expectativas estão girando em torno de 5,8% ou 6%. Ninguém espera que a inflação vá voltar para o centro da meta nem este ano, nem no próximo. Essa é uma agenda que ficou para o próximo governo. O governo tem demonstrado uma tendência de recorrer a subsídios para segurar as tarifas controladas. Essa política é sustentável? Tudo isso tem um custo. E nada é sustentável. Uma das primeiras coisas que a gente aprende no curso de Economia é que não existe almoço de graça. O governo vai ter que pagar de alguma forma o empresário que tema concessão pública e a única forma de pagar é com recursos públicos. Ele vai ter que pegar esse dinheiro que estava planejando gastar em outro serviço público e vai jogar no transporte para cobrir o prejuízo que os empresários estão tendo, porque não puderam aumentar tarifas. Ano passado o governo fez o descasamento entre o preço internacional do petróleo e o preço vendido aqui no mercado doméstico. A fórmula era permitir que parte da Cide fosse direcionada para a Petrobras. A gente não tem mais essa opção. Se o câmbio continuar em R$ 2,30 e eventualmente for para R$ 2,40 em 2014, a Petrobras vai ter que reajustar o combustível, em um ano de eleições. O que acha de alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal para se investir em mobilidade urbana? Não se deve mudar a lei. Deve -se analisar cada caso e discutir no Senado no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos. Aumentar o endividamento faria sentido se fizesse parte de uma rediscussão do pacto federativo. O que as pessoas esquecem é que a carga tributária no Brasil é muito elevada, é 36% do PIB para um país de renda média em torno de US$ 10.500 - é a maior carga tributária do mundo para países com nosso nível de desenvolvimento. Não vamos resolver nossos problemas aumentando a carga para 45% do PIB. Mas quando a gente olha todas as propostas em discussão — aumentar recursos para a saúde, para a educação, investir em mobilidade — se somar tudo, a gente vai caminhar para uma carga de 45% do PIB. Será necessário definir o que é prioritário, o que deve ser subsidiado, o que deve ser cobrado e fazer o investimento correspondente. Relatórios de bancos estrangeiros estão considerando o mau humor do mercado com relação ao Brasil... isso afeta os investimentos externos? O investimento estrangeiro direto continua em um nível muito elevado, o dinheiro continua entrando até porque, com o dólar elevado, ficou mais barato investir aqui. Por outro lado, como aumentou a incerteza do investidor, ele cada vez mais vai exigir uma taxa de retorno maior. O aumento de incertezas é que torna os investimentos mais caros. Outro problema é que como estamos entre os cinco maiores destinos de investimento externo nos últimos três anos, esse movimento se direciona para o setor extrativo (mineração ou petróleo e gás) ou de serviços, não torna o Brasil uma economia mais exportadora. O segundo ponto é que a captação de dinheiro lá fora é importante para empresas e para bancos domésticos e isso vai ficar cada vez mais difícil nesse cenário de incertezas. ‘O BRASIL FALHOU NA AGENDA DE PRODUTIVIDADE, NÃO CRESCEU COMO DEVERIA’ O governo errou ao adotar medidas como as desonerações? O governo falhou em várias coisas. O Brasil era um país que,depois da redemocratização, adotou várias reformas, que continuaram até o primeiro mandato de Lula. Mas a partir de 2006 essa agenda ficou esquecida, parou, e não houve mais mudanças institucionais. Houve apenas a criação do fundo de previdência dos servidores públicos. As outras reformas foram muito tímidas. Há uma agenda longa de redução do custo Brasil: cortar impostos, aumentar investimento público, facilitar a abertura e encerramento de empresas. Todo investimento na área de portos, rodovias e ferrovias demorou muito. Quando se pega qualquer comparação internacional, a qualidade de nossa infraestrutura é sempre mal avaliada. Isso tem relação também com a regulação: o número de impostos e o tempo que o empresário gasta para cumprir a legislação tributária fiscal. Há estudos antigos mostrando que esse é um problema grave e que a gente não avançou em praticamente nada nos últimos seis anos. E a indústria? Está realmente patinando? Até 2008 havia um crescimento de vendas e a indústria acompanhava esse movimento. A partir dali, surgiu um mundo diferente, com excesso de produtos manufaturados no restante do mundo. E descobriu-se que o custo de produção no Brasil é muito caro. Seja para produzir algo intensivo em trabalho, como sapato, seja para produzir máquinas e equipamentos. Quando é para produzir algo intensivo em trabalho, como nas indústrias de confecção, calçados e brinquedos, a gente não consegue concorrer com os asiáticos, que têm o custo da mão de obra muito mais barato que o Brasil. Por exemplo, em Bangladesh, o salário mínimo é de US$ 37 e o país exporta US$ 20 bilhões em confecções. Já na indústria de máquinas e equipamentos, o problema é que não temos a produtividade e nem a tecnologia para concorrer com Japão, Alemanha ou Estados Unidos. A indústria está atrás de descobrir qual é o nicho em que ela vai ser competitiva. O que vemos é que a indústria vai perder participação no PIB. O Brasil falhou na agenda de produtividade, não vem crescendo como deveria.
Ou seja, a indústria terá que se segurar como mercado interno... Nem isso. Antigamente o que salvava a indústria era o mercado doméstico. Mas num país em que você tem excesso de produtos manufaturados mais baratos, o varejo importa. A indústria hoje está bastante preocupada, tomando várias medidas para aumentar a produtividade e ter uma estrutura de custo enxuta para ser competitiva. Mas esse é um cenário que a gente não sabe bem como vai evoluir. Aumentar imposto de importação é uma saída? Do ponto de vista de proteger a indústria faz sentido, mas é preciso perguntar se o consumidor e o eleitor querem isso.Por que o eleitor votou no governo atual e no governo passado? Porque ele teve um ganho de renda brutal. Todas as análises dos últimos dez anos mostram isso e ninguém pode ir contra os dados. A desigualdade de renda diminuiu. As pessoas premiaram o governo nas eleições porque tiveram acesso maior a crédito, ganho de renda real, puderam comprar eletrodomésticos. Mas qual seria o caminho? Há duas agendas. A da indústria é ter que investir mais em inovação e melhorar a gestão da empresa. No Brasil, há uma diferença muito grande na gestão de empresas do mesmo setor. E tem a agenda governamental, que não depende muito dos empresários. Um ponto é diminuir o número de impostos. Uma empresa pequena, tanto faz ter dois, quatro ou dez funcionários, se ela não estiver no Simples, terá que contratar um contador, pois o empresário não conhece a legislação. O custo que vai pagar para levar o produto ao porto e quanto tempo vai levar para exportar é um problema que não depende do empresário, depende de haver boas estradas e portos eficientes. E o BNDES? O BNDES é um banco que, sem ajuda nenhuma do Tesouro, tem capacidade de empréstimo anual perto de R$ 100 bilhões. É um valor muito alto em qualquer lugar do mundo. Mas nos últimos cinco anos o governo começou a aumentar seu endividamento para dar recursos ao BNDES. Isso talvez fosse necessário em2009, quando houve a crise. Mas muito do que se fez foi desnecessário. O aumento do endividamento foi muito rápido e numa magnitude grande. O total de empréstimos do Tesouro para bancos públicos no final de 2007 era de R$ 14bilhões, o equivalente a 0,4% do PIB. O último dado, de junho, mostra o total de empréstimos para bancos públicos em R$ 438 bilhões, equivalente a 9,6% do PIB. Saímos de 0,4% para 9,6%. Parte era necessário, mas parte não. Como empréstimos ou parcerias com empresas privadas muito boas, que poderiam pegar recursos com bancos privados. Comparando, um dos programas sociais que todos reconhecem que funciona no Brasil, o Bolsa Família, favorece 40 milhões de pessoas e custa 0,5% do PIB. E a participação dos bancos comerciais na oferta de crédito? Os bancos públicos tiveram uma ampliação muito grande da oferta de crédito em 2009 e isso fez sentido porque havia uma retração enorme por parte dos bancos privados. Depois é que não fez muito sentido. Em 2011 e 2012 houve a redução forçada dos juros nos bancos públicos, o governo teve sucesso nisso, porque havia excesso de liquidez no mercado internacional. Os bancos públicos expandiram muito os empréstimos porque usam recursos subsidiados. Eu receio que tenha havido exagero na expansão desse tipo de empréstimo dos bancos públicos. O Brasil pode reduzir os juros e também os bancos puderam reduzir os juros de forma relativamente rápida, mas era visível que aquilo não seria sustentável. Se você olhar os balanços que estão saindo dos bancos privados, apesar de eles terem reduzido a concessão dos empréstimos, a oferta de créditos continua aumentando, só que numa velocidade menor que a dos bancos públicos. O lucro dos bancos privados cresce — então eles estão fazendo corretamente. É bom ter banco público, é bom ter competição. Mas tem que ter cuidado para não quebrar o banco público. Não se pode forçar os bancos a determinados tipos de políticas que eles não vão ter condições de cumprir. A gente fez isso nos anos 70 e 80 e deu no que deu. Apolítica de estímulo ao consumo se esgotou? Claramente, sim. A economia está crescendo muito menos e, embora o nível de desemprego esteja baixo, o risco de desemprego aumentou e a renda real não está crescendo tão forte quanto antes. E o consumidor está mais endividado. Ninguém sabe como tudo isso vai evoluir, mas o consumidor está apreensivo. Só com a expectativa de mudanças na política monetária dos EUA, o dólar chegou a R$ 2,30. Quando os EUA de fato iniciarem essa política, o que vai impactar efetivamente no Brasil? Se eles aumentarem um pouquinho a taxa de juros,que o mercado esperava mais para 2015, isso claramente afeta o fluxo de capital para países emergentes. Significa que a gente terá um câmbio muito mais desvalorizado e taxas de juros maiores. Câmbio desvalorizado ajuda a indústria, mas também deixa mais caro vários insumos. E taxas de juros maiores afetam o crédito para consumo e capital de giro. O que vai acontecer nos próximos anos ainda é uma incerteza muito grande, mas eu diria até que os EUA não se recuperando de forma muito rápida é melhor para o Brasil no curto prazo. E no longo prazo é muito bom ter uma economia norte-americana mais forte. Só que isso vai exigir um dever de casa do brasileiro. Se a recuperação formais rápida do que todo mundo espera, no curto prazo o Brasil vai sentir isso em juros, em câmbio e em fuga de capitais. O problema é que todos os analistas mostram que o cenário de crescimento que havia até 2008 não vai se repetir nas próximas duas décadas. E a gente tem um problema adicional. Com a taxa de desemprego muito baixa, é mais difícil conseguir mão de obra qualificada. Hoje, a agenda de crescimento da produtividade para o Brasil é ainda mais importante do que era dez anos atrás. Naquela época, quando começou o ciclo recente de crescimento, que foi até 2010, se partiu de uma economia com desemprego em 12%. Agora, a taxa é de 6% e passamos por mudanças demográficas rápidas. Para crescer, será preciso fazer uma série de reformas e aumentar a produtividade. Não dá para apenas comprar mais máquinas e dar emprego, porque não vai ter mão de obra. E o orçamento federal? Ninguém dá muita bola para o orçamento no Brasil, quando na verdade deveria ser a votação mais importante do ano. Há alguns problemas. Primeiro, grande parte dos subsídios no Brasil não passa pelo orçamento, a sociedade não tem dimensão do volume de subsídio concedido e nem se discute quem está recebendo esse subsídio.Outro grande problema é que o governo não faz o debate do que é prioritário, deixa os deputados e senadores fazerem várias emendas. O orçamento sai do Congresso com um volume de investimento muito acima do que você sabe que terá capacidade de executar. E, logo no início do ano, se faz o contingenciamento. Aí, antes e depois de votações importantes ao longo do ano, o governo negocia com sua base quais emendas vai executar, ou não. E se mudar para o orçamento impositivo? Do ponto de vista da economia, não vai acontecer nada. Porque um governo que quer gastar muito e é premiado pela sociedade para gastar muito, vai continuar gastando muito. Mas muda a relação entre o Congresso e o Executivo. Se o orçamento impositivo passar, o governo vai ter que executar o que for aprovado. Então a base de negociação entre governo e Congresso passa a se dar na discussão orçamentária. E aí o poder de barganha passa das mãos do Executivo para o Legislativo. O problema é mais político do que econômico. Qual sua expectativa para a economia brasileira em 2014? A gente vai ficar em banho-maria com alguma agenda positiva na área de concessões, como o leilão dos campos do pré-sal. Quem quer que ganhe a eleição no próximo ano, logo depois da eleição vai ter uma agenda muito difícil. O ano de 2015 vai ser um ano de ajustes, não será possível ficar fazendo mais do mesmo. Nos últimos dez anos, a economia cresceu, a pobreza caiu, as desigualdades diminuíram. Mas há muitas outras coisas que não podem mais ser feitas. Por exemplo, o próximo governo deve colocar para a sociedade a rediscussão do cálculo do reajuste do salário mínimo. Há uma discussão no mercado sobre o fim do “prazo de validade” do ministro Guido Mantega e da equipe econômica. Qual a sua avaliação? Eu até entendo essa apreensão do mercado. Mas o ministro da Fazenda, apesar das críticas que se possa ter à atuação dele, é uma pessoa simpática e que cumpre ordens. Quando o Mantega foi presidente do BNDES, não havia esses megaempréstimos do Tesouro para o banco. Mas isso não é o ministro da Fazenda, é uma equipe de Fazenda, com o consentimento do presidente da República. Agora, depois da eleição de 2014, a agenda para qualquer que seja o governo vai exigir uma atuação diferente do que fez a equipe econômica que está aí. Essa é uma equipe muito boa para expandir crédito público, conceder crédito subsidiado num momento em que o problema do Brasil era de falta de demanda. Mas esse não é mais o problema do Brasil. Hoje o problema do Brasil está ligado a questões de oferta.
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Correio Braziliense: FGTS: veto de Dilma é balde de água fria É muito difícil empreender no cenário que se tem perpetuado no Brasil, no qual cada vez mais o vício das manipulações e articulações de interesses nos centros decisórios do poder se sobrepõe ao justo e necessário, pondo em risco os bons resultados dos negócios.
À classe empresarial cabe gerar emprego e renda. E o faz na árdua tentativa de manter saudáveis a matemática ambiência produtiva e os níveis de empregabilidade, enquanto o nada exato jeito brasileiro de governar complica o cotidiano dos empreendedores.
Foi balsâmica, ímpar, a aprovação na Câmara dos Deputados, em 3 de julho, do PLP 200/2012, do Senado, extinguindo a multa de 10% sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nos casos de demissões sem justa causa. Os parlamentares corrigiram uma insana situação criada para os empregadores em 2001 - quando, para aliviar o governo das perdas nas contas individuais dos trabalhadores, foram obrigados a passar a recolher 50% do saldo do Fundo nas dispensas imotivadas.
Alívio para o governo, sim, porque aos beneficiários do FGTS permite-se apenas sacar 40% do saldo, destinando-se ao erário federal os 10% recolhidos pelas empresas. Some-se a isso o fato de, há 17 meses, o próprio Conselho Curador do Fundo ter informado ao Executivo que a conta estava quitada e que o adicional de 10% poderia ser extinto.
Mas a "contribuição" foi mantida. Mais uma vez os empresários tiram dos caixas das suas organizações valores que poderiam investir em expansão e inovações de seus negócios - inclusive na tão necessária capacitação profissional -, e os dão para engorda dos cofres públicos.
Isso seria compensador se houvesse contrapartidas em bens e serviços para todos os cidadãos e organizações da sociedade. Mas onde estão esses retornos? O veto presidencial a esse estímulo que o mercado tanto brindou foi um balde de água fria nos empreendedores, já exauridos da draconiana garra arrecadatória do governo que, mais uma vez, dita regras e trata o setor produtivo como se fosse a banda podre desprezível e punível do sistema.
Como se não houvesse a menor relação entre os níveis de crescimento econômico e os de geração de emprego por quem os proporciona. Recente estudo encomendado pela Presidência da República, com participação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Data Popular aponta que, entre 2001 e 2011, o número de postos de trabalho no setor privado aumentou de 33 milhões para 45 milhões (3,3 ao ano).
O emprego com carteira assinada subiu de 21 milhões para 34 milhões - 13 milhões a mais, ou 5,1% ao ano. Traz esse estudo um claro perfil da atuação dos empregadores do setor privado - um desempenho que lhes revigora a voz na queixa sobre demandas públicas que os desmerecem, como o veto em questão.
Estima a atividade industrial que, na mais de uma década em que vigorou a regra, o mercado desembolsou R$ 45,3 bilhões no reequilíbrio das contas do Fundo, e que, entre julho do ano passado e abril deste ano, pôs R$ 2,7 bilhões nesse saco sem fundos.
Quando vetou o projeto de extinção da multa, três semanas após sua aprovação por 315 deputados federais, a presidente Dilma Rousseff arguiu que "a sanção do texto levaria à redução de investimentos em importantes programas sociais e em ações estratégicas de infraestrutura", como o Programa Minha Casa, Minha Vida. Ora, a quem mais é preciso dizer, esclarecer e comprovar que a parte social do empresariado em todo o processo já está mais do que sacramentada, quando o setor atende à expectativa que adequadamente se tem de seu papel - que é o de gerar empregos?
Ao fazê-lo, a presidente Dilma desqualifica também ampla maioria do Senado e da Câmara dos Deputados nessa sua coerente iniciativa de livrar o empreendedor do pagamento de valores já devidamente quitados com a classe trabalhadora. Mas, iniciando os trabalhos do semestre, o Congresso Nacional acena insatisfação da própria base aliada com a articulação política do Planalto, que se mostra inclinada a votar projetos que não afagam o governo.
E também a derrubar os vetos presidenciais. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), já convocou para o próximo dia 20 sessão conjunta das duas casas legislativas para deliberação acerca dos vetos. É chegada a hora de se ouvir a voz de milhões de empresários brasileiros torcendo para que tudo comece a mudar de verdade no Brasil das recentes manifestações clamando por um novo país. A derrubada do veto de Dilma ao PLP 200/2012 pode ser sim um passo nessa jornada.
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Folha de S.Paulo (SP): Dia dos Pais Por Aécio Neves Acabei me decidindo por esse tema em função do simbolismo da data que, apesar de tão esmaecida pelo viés comercial, acaba por reforçar a constatação da velocidade dos dias e da inevitável dificuldade que muitos de nós temos em priorizar tempo, compromissos, desejos e expectativas.
Por mais diferente e única que seja cada experiência, existem algumas questões que, em maior ou menor grau, são comuns a todos os que experimentam o sentimento da paternidade.
E algumas delas foram agravadas no Brasil de hoje.
A primeira, mais óbvia, é o temor de que, em algum momento, nossos filhos acabem alcançados pela alarmante e dramática violência que se abate sobre a nossa juventude. Trata-se de uma tragédia de muitas faces, entre as quais se destacam os homicídios e os acidentes de trânsito, contados aos milhares por ano, e que justificam os temores e apreensões de tantos pais e mães.
Outra preocupação é o alto desemprego entre os jovens, que destoa do discurso do pleno emprego tão alardeado pelo governo. A taxa para quem tem entre 16 e 24 anos está quase três vezes acima da média, pontuando em 15%, o que confirma que ainda devemos a eles novas portas de oportunidades para que possam construir suas vidas profissionais e conquistar sua preciosa autonomia.
A mim preocupa, sobretudo, o desafio de construção de um senso ético que faça sentido para as novas gerações e que, para ser coletivo, precisa ser, antes de tudo, individual.
Para os nossos filhos, o mundo virtual é o mundo real e chama a atenção o crescimento de relatos de bullying, da cruel e gratuita exposição da privacidade provocada por amigos na internet. Infelizmente, estão longe de constituir episódios isolados e parecem apontar para uma triste e desrespeitosa banalização das relações humanas.
Há uma geração que precisa ser ouvida para ser fortalecida em seus valores e identidades, desafio que se impõe à sociedade como um todo.
Recente pesquisa do Ipea, realizada com 10 mil jovens em todo o Brasil, mostra a forte sintonia da juventude brasileira com o conjunto de reivindicações da população: educação de qualidade; melhoria dos serviços de saúde; acesso a alimentos; governo honesto e atuante; proteção contra o crime e a violência; melhores oportunidades de trabalho; transporte eficiente e estradas.
Mas é Dia dos Pais.
Pai é para sempre. Mesmo quando não está mais entre nós. Por isso, dedico a coluna desta segunda-feira especialmente àqueles que, como eu, ainda não se acostumaram com a cadeira vazia no almoço de domingo.
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18057. Diário Comércio Indústria&Serviços - DCI: Encontro sobre o financiamento do transporte público
Diário Comércio Indústria&Serviços - DCI: Encontro sobre o financiamento do transporte público SÃO PAULO - A Rede Nossa São Paulo e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) irão promover, amanhã, um evento público sobre mobilidade urbana com o objetivo de apresentar alternativas de financiamento para o transporte público que reduzam o preço da passagem aos usuários e, ao mesmo tempo, melhorem a sua qualidade. No encontro, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentará um estudo que simula os modelos de financiamento do transporte público, impactos no barateamento dos custos das tarifas e seus efeitos deflacionários.
Outro tema do evento, que reunirá representantes do poder público e da sociedade civil, será a relação entre a melhora na qualidade do transporte público e o benefício que isso causaria à saúde dos brasileiros e ao meio ambiente.
Falarão sobre o assunto o professor Paulo Saldiva, especialista em poluição atmosférica e um dos fundadores do Instituto Saúde e Sustentabilidade, e o diretor executivo do Greenpeace, Fernando Rossetti.
Já confirmaram presença no encontro o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitos, José Fortunati, além da deputada federal Luiza Erundina, autora da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 90/2011, que estabelece o transporte público como direito fundamental, além do diretor do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, e do técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Henrique Ribeiro de Carvalho. O jornalista Milton Jung, âncora da Rádio CBN, mediará o evento.
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O Globo (RJ): Com baixa qualificação, país pode desperdiçar força de trabalho jovem na próxima década Por Clarice Spitz RIO - O Brasil terá na próxima década uma oportunidade que, se não for bem aproveitada, pode se tornar o maior desperdício de sua História. Até 2023, a população de jovens entre 15 e 24 anos somará mais de 33 milhões. É uma força de trabalho que tem potencial para aumentar o crescimento econômico do país. Mas, na última década, o desempenho dos jovens no mercado de trabalho ficou aquém da média nacional. Eles estudaram mais, porém tiveram dificuldade maior para obter emprego. Levantamento exclusivo do IBGE mostra que, entre junho de 2003 e junho de 2013, a taxa de desemprego dos jovens de 16 a 24 anos caiu 41,6%. Na média dos trabalhadores de todas as idades das seis maiores regiões metropolitanas do país, a queda foi bem maior, de 53,8%.
E isso ocorreu num momento de maior crescimento econômico e forte redução do desemprego. E, ainda, em meio a um avanço da escolaridade dos jovens. Em junho de 2003, pouco mais da metade dos brasileiros de 16 a 24 anos que estavam no mercado de trabalho tinham ensino médio. Hoje, entre os que estão empregados e os que buscam uma vaga, quase dois terços já concluíram o ensino médio. Falta de experiência é obstáculo Para o professor João Sabóia, do Instituto de Economia da UFRJ, o ideal seria a taxa de desocupação dos jovens ter acompanhado o mesmo ritmo da queda média do país. Mas ele lembra que a entrada do jovem no mercado de trabalho será sempre um desafio. E lista a inexperiência como um empecilho. Aliado a isso, cita os baixos níveis de qualidade do ensino médio e a falta de um viés mais profissionalizante na educação como entraves. - Mesmo com mais escolaridade, ele é mais inexperiente. Além disso, temos a questão da qualidade. Se tivéssemos desenvolvido um ensino mais técnico, teríamos nos voltado mais para o mercado de trabalho. O ensino hoje é genérico, tem em seu conteúdo coisas que não serão sequer utilizadas - diz Sabóia. O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, chama atenção para o fato de que, tradicionalmente, os jovens têm de superar mais obstáculos para obter um posto de trabalho. - Os jovens são a maioria na fila da desocupação. Eles são mais inexperientes e têm mais dificuldade de inserção no mercado de trabalho, também são os primeiros a serem cortados. Marcelo Neri, ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembra que, até os 17 anos, o ideal é que o jovem esteja apenas estudando, para ter uma inserção de maior qualidade no mercado de trabalho na vida adulta. Ele afirma que o país está desperdiçando a oportunidade de preparar esses jovens e aproveitar essa força de trabalho para aumentar o crescimento econômico do país. A janela demográfica favorável, afinal, tem prazo para acabar. - É um desperdício. O jovem é a porta de entrada da economia e da sociedade. A porta de entrada da inclusão digital e da inovação. Talvez seja um sinal de que o país do futuro não está tão próspero - afirma. Perpetuação da desigualdade A carioca Clara Lopes teve na qualificação uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Ela optou pelo ensino técnico aos 14 anos, já pensando em ajudar no orçamento familiar, e começou a trabalhar aos 18 anos. Aos 26 anos, Clara acaba de concluir o ensino superior em Sistemas para Internet no Senac Rio. Com isso, ganha o triplo do que recebia antes da graduação. Ela trabalha numa empresa no centro do Rio como analista de testes. E acha que levou vantagem sobre amigos que fizeram apenas o ensino médio, muitos deles hoje desempregados. - É mais difícil para eles, que só têm o ensino médio. As empresas exigem cada vez mais formação e experiência - conta Clara. A professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Tatiane Menezes destaca que, sem qualificação, os jovens poderão ser um problema para o país no futuro. E lembra que, apesar do avanço da escolarização, fatia significativa dos jovens ainda não concluiu o ensino médio. - Perdemos uma oportunidade em todos os sentidos. À medida que o país cresce, se desenvolve, precisa de mão de obra produtiva. Os jovens que não conseguem se colocar pela falta de qualificação terão cada vez mais dificuldade para se inserir, o que significa que estamos perpetuando a pobreza e a desigualdade.
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Zero Hora (RS): Repórter na segurança: A polícia de que o Brasil precisa Tema de duas Propostas de Emenda Constitucional (PEC) esquecidas no Congresso, a desmilitarização da Polícia Militar ganhou corpo em episódios como a repressão da PM em São Paulo nos protestos e com o recente desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Na esteira do debate sobre a desmilitarização, assuntos como ciclo único (polícia responsável tanto pela repressão ao crime quanto pela função judiciária), corrupção nas corporações e mais eficência na investigação vêm à tona. Para especialistas e defensores dos direitos humanos, seria hora de repensar a polícia. Na sexta-feira, foi informado o afastamento do coronel César Augusto Morelli do comando da Tropa de Choque da PM paulista, entre outras razões, pela contestada atuação nos protestos. Também surgiu a informação de que um traficante teria matado o pedreiro Amarildo para incriminar a PM. A discussão sobre a reinvenção das corporações ocorre num contexto de violência em alta. O Brasil só perde para Venezuela e Colômbia em taxa de homicídios na América Latina, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), e tem a maior quantidade de mortes violentas do mundo em números absolutos, com cerca de 50 mil por ano – a Índia, segunda colocada, tem 40 mil homicídios por ano, com população cinco vezes maior que a brasileira. Para piorar, a taxa de solução desse tipo de crime no Brasil é de apenas 8%. E ainda há os cerca de 8,6 mil casos que não entram na estatística, conforme revelou na semana passada o Mapa dos Homicídios Ocultos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em maio de 2012, a Dinamarca chegou a recomendar, na reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que o Brasil extinguisse a Polícia Militar. A Anistia Internacional tem a mesma postura, em defesa da unificação das polícias em um padrão civil, com ciclo único (leia entrevista ao lado). O sociólogo Marcos Rolim é adepto da ideia de manter as duas polícias, mas com o ciclo completo em ambas (policiamento e investigação), sendo os casos divididos por tipo de delito. – O problema é que temos duas metades de polícia que ficam brigando uma com a outra e não compartilham informação – observa Rolim. Com a estrutura atual, prevista no artigo 144 da Constituição Federal, à PM cabe o policiamento ostensivo e à Civil as funções de polícia judiciária. Na visão do delegado Fábio Motta Lopes, diretor da Divisão de Ensino da Academia de Polícia Civil (Acadepol) e professor de Direito na Unisinos, o ciclo completo nas duas esferas é inviável. – Policiamento de rua e investigação criminal são funções totalmente distintas – defende Lopes. À semelhança das Forças Armadas Por trás do termo desmilitarização há ainda outro aspecto sensível: a PM é constitucionalmente definida como uma força reserva do Exército, portanto, submetida a um modelo organizacional concebido à imagem e semelhança das Forças Armadas em questões de hierarquia e disciplina. – Na medida em que não estão organizadas como polícias, mas como pequenos exércitos, os resultados são, salvo honrosas exceções, os desastres que conhecemos: ineficiência no combate ao crime, incapacidade de exercer controle interno, insensibilidade no relacionamento com os cidadãos – enumera o antropólogo Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública. Essa característica estrutural teria reflexos no treinamento dos soldados, voltado para combater o inimigo e não para mediar conflitos sociais. O coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal Jair Tedeschi diz que o treinamento militar acabou – exceto nas unidades de choque. Durante os protestos no país, foi justamente a tropa de choque que atuou na contenção de multidões e na repressão aos grupos de vândalos infiltrados nos movimentos sociais. Em Estados como Rio e São Paulo, multiplicam-se críticas às corporações. Na Capital, 50 expedientes foram abertos pela Defensoria Pública para apurar supostos excessos na conduta policial.
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Confira o programa cujos convidados foram Samuel Cruz, do Ipea, e Jeferson Nacif, da Anatel
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