- Acesso à Informação
- Início
- O Ipea
- Ouvidoria
- Fale Conosco
- Agenda de Autoridades
- Imprensa
- Presidência
- Publicações
![]()
Resultados 5441 - 5460 de 21966
|
Brasil Econômico (SP): Crescimento: Ipea: desafio é a produtividade Pesquisa do Instituto, a ser divulgado em setembro, conclui que eficiência do trabalhador cresce abaixo do PIB há três décadas. Produtividade é desafio para manter crescimento Estudo do Ipea conclui que eficiência do trabalhador cresce abaixo do PIB há três décadas Por Sonia Filgueiras, de Brasilia Além do contexto internacional de incertezas e da baixa taxa de investimento, o desempenho da economia brasileira já começa a enfrentar um desafio adicional: a contribuição dada pela incorporação de novos trabalhadores ao mercado mostra esgotamento. Para retomar taxas mais significativas de crescimento nos próximos anos, o país dependerá crescentemente da expansão de sua eficiência produtiva. E, neste ponto, emerge um gargalo: "A produtividade do trabalho tem mostrado crescimento historicamente baixo nos últimas três décadas. Embora mais elevadas de 2001 a 2011, permaneceram inferiores à taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) per capita", afirma Fernanda de Negri, diretora de Estudos Setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A conclusão integra os resultados de uma pesquisa a ser divulgada por pesquisadores do Ipea em setembro. "O foco em políticas de elevação da produtividade da economia é decisivo de agora em diante", acrescenta Fernanda, uma das autoras do estudo, que examinou a evolução dos indicadores de produtividade no Brasil, em especial a produtividade do trabalho e seus componentes. Os pesquisadores do Ipea fizeram a decomposição do crescimento do PIB per capita entre 1992 e 2011 nos seus três fatores constituintes: crescimento da produtividade do trabalho (PIB sobre pessoal ocupado); crescimento da taxa de ocupação (número de ocupados em relação à população economicamente ativa); e taxa de participação da população economicamente ativa na população total. Os dois últimos refletem fortemente a inclusão de mão de obra no mercado de trabalho. De 2001 a 2009, quase metade do crescimento do PIB per capita anual médio (48,79%) resultou da incorporação de parte do contingente de população ao mercado de trabalho — ou seja, do aumento das taxas de ocupação e participação. Para o período de 2001 a 2011, que incorpora mais dois anos à média, os pesos desses dois indicadores caem para 12,21% e 17,16% respectivamente (tabela). A integração de novos contingentes populacionais ao mercado de trabalho e a redução dos níveis de desemprego passam a explicar, portanto, 29,37% do crescimento do PIB per capita. "Não são esperadas contribuições significativas das taxas de ocupação e participação nos próximos anos. Assim, a manutenção de taxas de crescimento do PIB per capita só poderá ser alcançada se houver um crescimento representativo da produtividade", reitera Fernanda. Ganhos de produtividade no trabalho são obtidos a partir da melhoria da qualidade da mão de obra - investimentos em treinamento e educação básica, aí incluídos os ensinos fundamental e especialmente o médio - e investimentos em tecnologia e inovação. São fatores que, junto com a falta de infraestrutura, puxam o Brasil para baixo nos rankings mundiais de competitividade. Além das questões de infraestrutura. "Avançou-se muito nos investimentos em P&D no Brasil. No entanto, ainda apresentamos uma baixa taxa de inovação, por exemplo", observa a pesquisadora. Ao examinar a produtividade do trabalho no setor industrial, a pesquisa do Ipea aponta que é a indústria de transformação (que inclui têxteis, fármacos, alimentos, metalurgia e eletrônicos, entre outros) a que mais preocupa. Tomando-se como indicadores as Contas Nacionais, a produtividade média anual deste segmento mostra queda de 0,8% para o período de 2000 a 2009, contra um aumento de 2% na produtividade da indústria extrativa (que inclui a extração de petróleo, gás natural e minérios). Considerando-se relação entre a produção física obtida pelo IBGE na Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) e as horas pagas, os dois segmentos mostram produtividade positiva, mas, ainda assim, a indústria de transformação tem desempenho inferior. O próximo passo dos pesquisadores do Ipea é tentar contribuir com um diagnóstico mais preciso a respeito da produtividade do capital. Está em andamento uma segunda pesquisa, junto aos empresários, com o objetivo de entrar nos detalhes sobre as causas para a baixa produtividade. "A produtividade do trabalho tem mostrado crescimento historicamente baixo nos últimas três décadas, inferiores à taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) per capita" Fernanda de Negri Economista do Ipea
|
|
Estado de Minas (MG): Ipea - Metropolitanas em foco Coluna de Mario Fontana A população de Belo Horizonte é de cerca de 2,4 milhões de habitantes, a sexta do país. No entanto, sua região metropolitana tem perto de 6 milhões, a terceira do Brasil. Amanhã, em Brasília, tem lançamento do livro Território metropolitano, políticas municipais, que trata dos problemas das grandes regiões metropolitanas A professora Jupira Miranda, da Escola de Arquitetura da UFMG, é uma das colaboradoras do trabalho, editado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. O Brasil precisa começar a tratar com a maior urgência os enormes congestionamentos reinantes nas superpovoadas regiões metropolitanas.
|
|
Correio Braziliense (DF): Câmbio ajuda o Fisco A escalada do dólar, que ameaça explodir a inflação e assusta os brasileiros com viagem marcada para o exterior, vem dando uma ajuda às contas públicas. A arrecadação de Imposto de Importação cresceu quase 18%, em julho, graças à valorização de 11% da moeda norte-americana no período. Foram R$ 3,4 bilhões no mês e R$ 20,5 bilhões nos sete primeiros meses do ano, volume 11,25% superior ao do mesmo intervalo de 2012. Apesar disso, por causa da desacelaração da economia e do peso das desonerações promovidas pelo governo para estimular a atividade, o total arrecadado pelo Fisco teve um crescimento real (descontada a inflação) bem menor — apenas 0,89% em relação a julho de 2012, somando R$ 94,3 bilhões, o montante mais baixo para o mês desde 2010. O valor acumulado no ano, de R$ 638,3 bilhões, cresceu apenas 0,55% na comparação com o ano passado. Segundo os dados da Receita, a renúncia fiscal teve um salto de 75%, alcançando R$ 43,7 bilhões de janeiro a julho. Só a redução a zero da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico(Cide), para evitar alta maior dos combustíveis, já custou R$ 7,53 bilhões, neste ano, aos cofres federais. "A disparada do dólar ajudou o Imposto de Importação porque os contratos são firmados com meses de antecedência. Nos próximos meses, contudo, a tendência é que as compras no exterior diminuam, se a divisa continuar nesse patamar elevado", afirmou o economista da RC Consultores, Marcel Caparoz. O que preocupa, disse Caparoz, são os tributos com mais peso na arrecadação tributária, como a contribuição para a Previdência Social e o Imposto de Renda (IR), que respondem por quase um terço do total. Ele observou que, desde março, a receita anualizada do IR vem sendo negativa. Mesmo com o baixo crescimento apresentado até agora pela coleta de tributos, e com as previsões pessimistas do mercado para a expansão da economia no segundo semestre, o secretário-adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, disse que o órgão mantém a previsão de que a arrecadação deve aumentar 3% em 2013 — o mesmo índice previsto pelo governo para a variação do Produto Interno Bruto (PIB). O coordenador de Previsão e Análise da Receita, Raimundo Elói de Carvalho, admitiu, no entanto, que pode rever a projeção, se a atividade econômica continuar patinando. A estimativa de aumento de 3% na arrecadação pode não se confirmar. A cada dois meses, a previsão é revista", afirmou. Gastos Para especialistas, o governo está contando com as concessões em infraestrutura para cumprir a meta. Somente o leilão de uma grande área do pré-sal, previsto para outubro, deve engordar os cofres públicos em R$ 15 bilhões. Com as demais licitações, as autoridades contam com a entrada de R$ 22 bilhões. "Esse montante ajudaria a Receita a ter um aumento superior a 3% na arrecadação e até contribuiria para a meta de superavit primário (economia para o pagamento da dívida pública). Seria, porém, um efeito contábil passageiro. O risco é o governo se entusiasmar e deixar de fazer os ajustes necessários nos gastos públicos", comentou Caparoz. Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), observou que as despesas primárias do governo continuam aumentando em cerca de 7%, um ritmo muito mais acelerado que o PIB, o que estimula a desconfiança do mercado na política econômica. "Acho a previsão de Receita exagerada. Mas, mesmo que a arrecadação aumente mais que o PIB, o problema do baixo crescimento continua e o gasto cresce em ritmo acelerado. Isso abre muito pouco espaço para uma redução da carga tributária", destacou Mansueto. Para ele, a complexidade e o peso dos impostos ainda estão entre os principais motivos da expansão pífia da economia. O economista lembrou que, mesmo com todas as desonerações, o PIB não deu sinais de recuperação, o que deixa o governo com margem de manobra cada vez menor para estimular a atividade produtiva.
|
|
O Globo (RJ): Bolsa Família é obra em andamento Editorial Não é à toa que o Bolsa Família freqüenta textos de especialistas dentro e fora do país. O destaque do programa começa pelo tamanho. Ao completar dez anos, o BF atende 13,8 milhões de famílias ou, direta e indiretamente, 50 milhões de pessoas, 25% da população, ao custo, este ano, de R$ 24 bilhões ou 0,5% do PIB. Se é muito ou pouco, depende da postura mais crítica ou menos do analista. Neste aniversário do programa, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, cujo ministro, Marcelo Neri, também preside o instituto, estimou que o BF reduziu em 28% a pobreza extrema, apenas no ano passado. Na década, 22 milhões foram resgatados da miséria. No aspecto macroeconômico, o programa, ao injetar dinheiro no consumo, faz a economia crescer, argumenta-se em Brasília. Sem dúvida, embora o relevante seja saber se não haveria destino mais importante para alguma parcela deste dinheiro. Criado em 2003, no início do primeiro governo Lula, pela fusão de algumas linhas de assistência a famílias pobres herdadas de FH — subsídio a gás de cozinha, bolsa escola etc. —, o BF se destina a combater a pobreza por meio da transferência direta de renda. O instrumento é mesmo indicado para o enfrentamento da miséria absoluta. Uma das maiores críticas ao programa se refere ao seu gigantismo, em algum momento provavelmente estimulado pelos dividendos político-eleitorais de qualquer ação assistencialista, principalmente em regiões mais pobres, Norte-Nordeste. Não se coloca em dúvida a necessidade de iniciativas de transferência de renda em países de grande desigualdade social como o Brasil. Mas 50 milhões de pessoas é, no mínimo, de difícil supervisão. Por isso, volta e meia surgem casos escabrosos de desvios. Por exemplo, a descoberta de que 2.168 políticos eleitos em 2012, vereadores na maioria, eram beneficiários do BF. Há também dúvidas sobre a efetividade do acompanhamento da frequência escolar dos filhos de milhões de inscritos no programa, uma contrapartida essencial, pois terá de ser pela educação que a correia de transmissão da pobreza entre as gerações será rompida. Neste aspecto, preocupa que, como revelado em série de reportagens do GLOBO, já exista uma segunda geração de dependentes dos repasses assistenciais. Outro dado de alerta: 45% das famílias cadastradas em 2003 continuam no BF. O tema remete às chamadas "portas de saída" do programa: educação, treinamento, para que as pessoas possam ascender socialmente pelo esforço e qualificação próprios. Mesmo o governo considera que o BF atingiu um limite. Ganha ainda mais importância, portanto, preparar o bolsista para entrar no mercado de trabalho ou se tomar um empreendedor. A tentação, de fundo político, de perpetuar a destinação deste 0,5% do PIB ao assistencialismo será um erro, num país com outras sérias carências.
|
|
Portal Estadão.com: FAT pode ser usado com professor de jovem aprendiz O governo estuda usar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para pagar professores de ensino médio que estejam dispostos a monitorar o trabalho de jovens aprendizes em micro e pequenas empresas. A expectativa é que a versão-piloto do programa seja adotada em 2014 em grandes centros urbanos, de acordo com o que afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República, Guilherme Afif Domingos.
Segundo a proposta em estudo, cada professor poderá orientar de 5 a 10 alunos - entre os que atende em sala de aula - e receber um valor entre 70 e 100 reais mensais por estudante. Dessa forma, se acompanhar o máximo de alunos, o professor pode receber um complemento, por mês, entre R$ 700 e R$ 1 mil. Os recursos virão do FAT porque a atividade pode ser enquadrada como qualificação profissional. "Seria uma forma de reforçar o orçamento do professor para uma atividade de acompanhamento do mesmo aluno, num trabalho que complementará a educação dele", afirmou.
Essa é uma forma, segundo Afif, de estimular os empresários de micro e pequenas empresas a contratar aprendizes, uma vez que eles não teriam de pagar as entidades que hoje fazem o acompanhamento deles das médias e grandes empresas. Eles pagarão o salário do adolescente, além de providenciar o registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social.
A regra será a mesma que vale, atualmente, para aprendizes que trabalham em grandes empresas: carga diária de até seis horas e pagamento equivalente ao salário mínimo por hora trabalhada. O chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República aposta que adolescentes podem deixar de fazer atividades ilícitas se tiverem mais oportunidades.
"O contingente de jovem que vai para o tráfico é o que está impedido de ir para o mercado de trabalho. Infelizmente, eles são cooptados para ser aviãozinho do tráfico", disse. "O limite de tempo é para que o trabalho de aprendizagem não atrapalhe a escola. Ele vai trabalhar no período extraclasse", esclareceu.
Ainda não está fechado o número de jovens que podem entrar na primeira fase do programa. O cálculo é feito em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e depende do montante de recursos que ficará disponível, além do número de jovens projetados no primeiro programa-piloto.
O objetivo da medida, conforme a administração federal, é chegar a personagens que hoje não são beneficiados por programas de estágio, como adolescentes humildes e pequenas empresas que ficam em locais mais afastados. "Trabalhando na microempresa, o jovem terá visão mais aproximada do empreendedorismo. Na grande empresa, ele fica mais distante, numa estrutura maior e impessoal", avalia.
|
|
AGência Estado: Gleisi elogia política de juros e foco na estabilidade A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, destacou nesta quinta-feira, 22, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDES), realizada no Palácio do Planalto, a redução dos juros praticada recentemente no Brasil. "Atingimos o menor patamar da história entre novembro de 2012 e março de 2013 em 7,25%", disse. Logo depois, falou sobre os motivos que levaram à elevação da taxa básica. "Tivemos uma recomposição em razão do processo inflacionário, mas temos taxas de juros bem menores do que praticamos no nosso histórico", destacou a ministra. Atualmente a Selic está em 8,50% ao ano. No discurso de hoje no CDES, Gleisi destacou que o Executivo não está deixando de lado a preocupação com a estabilidade. "Estamos construindo um modelo de desenvolvimento sem abrir mão dos pressupostos da estabilidade econômica", disse. E ela reforçou que o mercado interno continua sendo um importante motor para impulsionar a economia nacional. "Com o foco na consolidação do mercado do consumo interno, temos no Brasil muito espaço para o mercado de consumo", afirmou. A ministra-chefe da Casa Civil afirmou ainda que, muitas vezes, há uma discussão "não realista" envolvendo consumo e investimento. "Ambos, consumo e investimento, são necessários", destacou a ministra. "O consumo sustenta também o crescimento da economia. Precisamos a retomada dos investimentos privados com a qualificação do capital humano", afirmou. Gleisi disse que sem investimentos privados não será possível fazer frente aos desafios do Brasil. E lembrou que os investimentos em infraestrutura "começam a sair no segundo semestre", com editais de licitação nesse setor. "Não podemos sossegar enquanto tiver brasileiro abaixo da linha de miséria", afirmou. Hoje o CDES realiza a reunião "Pactos e a Nova Transformação Brasileira", coordenada pelo ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos Marcelo Neri e pela ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann. O objetivo é promover um diálogo entre os conselheiros e pesquisadores do Ipea e os principais dirigentes dos ministérios afetos ao pactos e promover um debate sobre a natureza e a extensão das transformações pregressas, atuais e prospectivas, a fim de subsidiar a formulação de inovações na ação pública, informa o site do conselho.
|
|
Valor Online: Importação de insumos perde peso na pauta Nos últimos cinco anos, marcados pelo encolhimento da indústria doméstica e pelo câmbio valorizado, a importação de produtos acabados cresceu mais do que a de bens intermediários. Em consequência, a participação das matérias-primas e dos insumos importados no total das importações caiu de 48% para 43% entre 2008, ainda no pré-crise, e 2013. Os números levam em consideração o período de janeiro a julho. Ancorado na demanda das famílias, o grupo que avançou nas importações foi o de bens de consumo, que saiu de uma participação de 12,5% em 2008 para 16,6% neste ano. Com o novo patamar do câmbio, os percentuais devem ser novamente alterados porque a expectativa dos analistas é que a importação dos bens finais seja mais afetada que a dos intermediários. A desvalorização do real frente ao dólar deve contribuir para desacelerar os desembarques e, segundo especialistas, permitir um ganho de competitividade das indústrias locais de bens de consumo, que mantiveram sua produção em detrimento do importador ocasional, que surgiu com o real valorizado, ou das empresas que substituíram uma parcela maior da produção pela revenda de importados. Dados da produção física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção física de bens de consumo se acelerou mais do que a da indústria de transformação como um todo nos últimos meses. A produção da indústria de transformação nos 12 meses encerrados em junho deste ano caiu 2,6% em relação a igual período encerrado em dezembro de 2008. Há, porém, alta de 3,2% em relação à produção verificada no ano de 2012. No mesmo critério, a produção de bens de consumo duráveis em junho já chegou ao mesmo nível de 2008 e está 7,4% maior que a do ano passado. No segmento de semiduráveis e não duráveis, a produção física nos 12 meses encerrados em junho ficou praticamente estável em relação a 2012 - queda de 0,14%. A produção desse grupo, porém, caiu menos de 2008 para o ano passado, com queda de 1,3%. Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor da Barral M Jorge, diz que a mudança de patamar cambial neste ano pode contribuir para mudar o quadro atual e frear a importação de bens acabados de consumo. Há uma expectativa geral de que o patamar médio de câmbio no segundo semestre fique mais desvalorizado do que o do primeiro semestre. "O efeito do câmbio não é imediato, porque os contratos são assinados a prazos mais longos, mas uma desvalorização maior e a forte oscilação cambial já começaram a dar maior insegurança para o importador", afirma o consultor. Num primeiro momento, diz Barral, um certo nível de desvalorização do real pode ser compensado pelo importador com o corte de margem e a manutenção de preços competitivos. "Um dólar a R$ 2,40, porém, já começa a comprometer mais o importador", diz. O ex-secretário destaca que o efeito da desvalorização deve afetar principalmente os bens de consumo. "Por questões estruturais, o Brasil deve manter uma alta participação de importação de bens de capital que não são produzidos internamente. Da mesma forma há intermediários que não produzimos, ou produzimos sem capacidade de atender toda a demanda." Fernando Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) diz, porém, que mesmo com a maior desvalorização do câmbio no segundo semestre, os intermediários demorarão a recuperar a fatia que tinham na importação. "A questão não é somente o câmbio. Tudo depende da retomada da produção industrial." José Augusto de Castro, da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), tem análise semelhante. Assim como a perda de espaço dos intermediários se deu de forma gradativa, a recuperação deve acontecer de forma lenta. "A indústria ainda não deu sinais de retomada sustentada e o consumo das famílias se estabilizou, o que continua afetando a confiança", diz Castro. Além disso, a troca do fornecedor externo pelo interno não acontece de uma hora para outra. É preciso verificar ainda se não houve desestruturação da cadeia produtiva no período em que o dólar estava mais barato e mais favorável à importação. Tudo isso, diz Castro, irá influenciar na retomada de produção da indústria e na absorção de insumos. De 2008 até hoje os insumos e intermediários perderam terreno principalmente porque sua importação, em volume, cresceu bem menos que a dos bens de consumo. Considerando a média do ano de 2008, o quantum importado de intermediários cresceu 16,7% até o primeiro semestre deste ano. No mesmo período, os desembarques de bens duráveis tiveram alta bem maior, de 38,2%, e o de não duráveis, de 70,9%. Os preços também tiveram variação diferenciada, mas não na proporção dos volumes. Na mesma comparação, o preço médio dos intermediários importados cresceu 5,4%. O preço médio dos bens de consumo duráveis subiu 16,8% e o de não duráveis, 12,9%. Ribeiro diz que a evolução da importação de intermediários reflete um ritmo de crescimento da indústria mais desacelerado em relação à elevação do consumo doméstico. De 2008 até hoje, argumenta, houve um período de valorização do real frente ao dólar, que favoreceu o atendimento à demanda interna, principalmente por meio da importação de bens acabados. "A produção industrial não acompanhou o mesmo ritmo do consumo e da importação", afirma. A menor importação de intermediários está ligada ao baixo crescimento relativo da produção industrial no período, argumenta. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 16,6% em 2008 para 13,3% no ano passado. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias aumentou de 58,9% para 62,3%, respectivamente. Castro também acredita que o recuo de cinco pontos percentuais da fatia dos intermediários na importação reflete a perda de espaço da indústria na economia. "Houve um aumento da demanda doméstica e a indústria interna não havia feito investimentos necessários na capacidade de produção para suprir esse aumento de consumo no mesmo ritmo." Ao mesmo tempo em que favoreceu as importações, explica, o real valorizado em relação ao dólar tirou parte da capacidade de competição da indústria local. O patamar cambial atual, diz Castro, ajuda mais a indústria, embora não resolva todas as questões relacionadas à competitividade.
|
|
Valor Online: PIS/Cofins sobre transporte é reduzido Senador Jorge Viana (PT-AC): "É um projeto que atende à voz das ruas" O plenário do Senado aprovou ontem, por unanimidade e em votação simbólica (sem registro nominal de votos), projeto de lei reduzindo a zero as alíquotas das contribuições sociais para o PIS, Pasep e Cofins que incidem sobre as receitas dos serviços de transporte coletivo municipal. O benefício abrange o transporte coletivo intermunicipal efetuado em regiões metropolitanas regularmente constituídas. De autoria do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), a proposta já foi aprovada na Câmara e vai à sanção presidencial. A agilidade na votação - o projeto foi votado pela manhã na Comissão de Serviços de Infraestrutura - deveu-se a um acordo das lideranças do Senado com o governo. "É um projeto que atende à voz das ruas. Toda cidade de porte médio e grande, neste país, enfrenta um problema gravíssimo que é a situação do transporte coletivo.(...) As cidades estão insustentáveis", disse o relator na Comissão de Infraestrutura, Jorge Viana (PT-AC). Entre os dados que ele citou, está o aumento de quase 200% do preço da passagem de ônibus, nos últimos 12 anos. "A inflação foi menor que 150%. Já o custo de veículo aumentou 50%. Então, nós empurramos a população para andar cada um no seu carro, dificultamos a vida de quem quer fazer uso do transporte coletivo. O preço do óleo diesel cresceu mais de 250% de 2000 para cá, muito mais que o da gasolina, que cresceu 120%. É uma equação que não tinha outro caminho a não ser o das ruas, do Movimento Passe Livre, dessa crise que nos leva a debater a situação do transporte coletivo." Segundo o relator, o projeto resultará em uma renúncia de receita estimada para 2013 e para os dois anos seguintes em R$ 1,5 bilhão, prevista na Lei Orçamentária de 2013. Não há estimativa de quanto as tarifas poderão ser reduzidas, mas, de acordo com Jorge Viana, o cálculo é que as empresas terão redução de 4% no custo da composição total das tarifas. O petista disse que, embora esteja tramitando no Congresso uma medida provisória tratando da desoneração do transporte coletivo nas cidades, o governo decidiu aprovar o projeto, por considerá-lo mais abrangente. Viana elogiou o fato de o projeto estender o benefício ao transporte coletivo intermunicipal efetuado em regiões metropolitanas regularmente constituídas, o que, segundo ele, vai contribuir para reduzir o preço das tarifas dos meios de transporte usados pelas camadas mais pobres da população. "Faço aqui a observação de alguns dados: o custo de transporte público no Brasil, em torno de 80% dele, é coberto pela tarifa, ou seja, quem menos pode mais paga. Essa é a situação que estamos vivendo, e isso cria uma insustentabilidade no funcionamento das cidades. Um técnico do Ipea deixa bem claro, aponta que as famílias mais pobres gastam 13,6% com transporte", afirmou o relator, no plenário. Segundo ele, os incentivos públicos ao transporte privado, como o IPI, causam um "círculo vicioso", ao estimular as pessoas que podem a comprar veículo próprio e não dar o mesmo incentivo para o transporte coletivo. "Houve uma inversão de valores no país. Os mais pobres são excluídos. Enquanto a média nacional de gasto das famílias com transporte hoje é de 3,4%, a média dos mais pobres é de 13,6%", completou. (RU) De Brasília
|
|
Monitor Mercantil Digital: Periferia tem receita per capita até R$ 819 menor do que sedes Com orçamento menor, esses municípios têm menos verbas para políticas públicas
A receita orçamentária per capita é, em média, R$ 100 menor nos municípios periféricos, em relação à das sedes das regiões metropolitanas (RM) brasileiras. A informação é do livro Território metropolitano, políticas municipais, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília
A diferença é ainda maior (R$ 819) quando se considera apenas o grupo de regiões metropolitanas criadas na década de 1970 - batizada pela obra de "metrópoles antigas", como Rio de Janeiro, São Paulo, e Belo Horizonte.
A publicação analisa a questão metropolitana no Brasil, pelos aspectos políticos, institucionais e financeiros. Com menos recursos, as periferias das RMs enfrentam mais dificuldades para lidar com desafios em áreas como transporte urbano, saneamento básico e saúde pública.
O livro tem dez artigos, assinados por pesquisadores do Ipea e professores universitários: "Questões urbanas, ou intraurbanas, consideradas de competência exclusiva municipal não podem ser responsabilidade única de municípios, quando inseridos em dinâmica territorial mais ampla, vinculada a outros municípios e pólos", analisa a publicação.
E observa que os municípios não têm recursos minimamente compatíveis: "Além disso, a demanda por serviços urbanos é criada no conjunto de municípios e não pode ser satisfeita de forma eficiente e independente."
O Ipea observa que "os poucos casos" de associação intermunicipal metropolitana ocorrem atualmente de forma voluntária, gerando "claros benefícios mútuos". "E que existe uma distribuição objetiva e quantitativamente desigual e perversa de ônus e bônus entre os municípios metropolitanos integrados - tanto no que se refere aos recursos fiscais, quanto à presença da violência e às dificuldades de mobilidade urbana", avalia.
|
|
O Estado de S.Paulo (SP): Negro tem 3,7 vezes mais risco de ser morto Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado ontem, revelou que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio e 3,7 vezes maior do que um branco. Pelo levantamento, a expectativa de vida de um homem brasileiro negro é menos que a metade da de um branco. A conclusão é de que a cor aumenta a vulnerabilidade dos negros, que têm 8% mais chances de se tomarem vítimas de homicídio que um homem branco, ainda que nas mesmas condições sociais.
|
|
Valor Econômico (SP): Desigualdade pode cair menos nos próximos anos O fim da vigência da lei segundo a qual o piso salarial brasileiro é corrigido anualmente pela inflação do período mais a variação real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, previsto para 2015, pode trazer não só desconforto ao novo governo, como acender o sinal amarelo no ritmo de redução da desigualdade de renda no Brasil. Nos últimos dez anos, uma combinação de programas de transferências de renda, melhorias no mercado de trabalho e expressivos aumentos salariais acima da inflação derrubaram os índices de desigualdade no país. De 2001 a 2011, o Índice de Gini relativo à renda domiciliar caiu 12% no Brasil, o que, segundo especialistas, é um recuo bastante relevante para um índice que costuma se mover a passos de tartaruga. Quanto mais baixo o Gini, menor a desigualdade. Criado pelo italiano Corrado Gini, o índice mede o grau de concentração de renda e varia de zero (perfeita igualdade) a um (desigualdade extrema) No período, a renda proveniente do trabalho contribuiu com 62% da queda do indicador. Apenas os reajustes reais do salário mínimo responderam por 16% da queda do Gini. Somados à previdência (que se move basicamente com base nos aumentos do salário mínimo), os reajustes contribuíram com 25% da queda da desigualdade no período, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feitos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. Sem os reiterados aumentos do salário mínimo acima da inflação, o país não estaria na estaca zero em termos de redução das iniquidades de renda, mas é certo que teria uma história bem menos interessante para contar. Parte dos economistas dizem, no entanto, que os aumentos reais de salário mínimo representariam um fator precário de redução de desigualdade, com alto potencial inflacionário e data de validade. Há outro fator de preocupação: a legislação em vigor, segundo a qual o piso salarial brasileiro deve ser corrigido anualmente pela inflação do período (medida pelo INPC) mais variação real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, vale só até 2015. Dessa forma, afirmam os especialistas, a política de redução de desigualdade deveria caminhar no sentido de melhorias educacionais com impactos importantes sobre a produtividade do trabalho em todos os níveis de qualificação. "A qualificação e aumento da produtividade dariam fôlego para aumentos de rendimento do trabalho e redução da desigualdade. Hoje, estamos numa trajetória inviável de aumentos do rendimento do trabalho acima da produtividade", diz Sonia Rocha, economista e pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), um "think tank" voltado para estratégias para o desenvolvimento. A pesquisadora reconhece que os aumentos reais do salário foram fundamentais para a queda do desigualdade no país, não só por meio do impacto do salário mínimo via mercado de trabalho, mas também via transferências de renda previdenciárias ou assistenciais. Com relação à previdência, diz Sonia, metade das aposentadorias pagas tem o valor igual ao do salário mínimo. No caso das transferências assistenciais, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago mensalmente por idade ou invalidez a cerca de 3,6 milhões de indivíduos pobres tem, por lei, valor igual ao salário mínimo. Sonia avalia, contudo, que após um período vigoroso de reajustes salariais reais - de 1997 a junho de 2013, diz ela, os ajustes representaram um ganho real de 108% para o salário mínimo -, é possível que a política esteja perto do seu esgotamento. "Em algum momento, que pode estar próximo, o salário mínimo deixará de ser sancionado pelo mercado de trabalho e o efeito distributivo positivo do aumento real do salário mínimo seria neutralizado por aumentos indesejados sobre as taxas de desemprego e de formalização." Sergei Soares, pesquisador do Ipea e especialista em desigualdade, avalia que os efeitos de desemprego, não presenciados nos últimos anos, em algum momento podem vir à tona, se o salário mínimo continuar crescendo muito acima da inflação. "É o efeito francês, em que os aumentos do salário mínimo não influenciam demais na desigualdade, porque acarretam efeitos de desemprego quase tão grandes quanto os efeitos de redução de desigualdade entre os que continuam empregados." Segundo Soares, é possível que a desigualdade de renda caia a um ritmo um pouco menor, se a política vigorosa de aumentos reais de salário mínimos for abandonada. "Fora uma mudança muito drástica no crescimento econômico do país, alguma coisa inesperada como uma crise cambial muito forte, podemos contar com a desigualdade caindo por outra década". A importância da discussão pode ser medida pelo tamanho da desigualdade de renda que ainda persiste, diz Soares. Apesar do imenso progresso dos últimos anos, o país ainda é extremamente desigual. Nas contas do pesquisador, se o Gini se mantiver nesse ritmo, serão necessárias pelo menos mais duas décadas e meia para que o país chegue perto do Canadá. Também do Ipea, Fernando Gaiger afirma que aumentos salariais acima da inflação em um movimento de crescimento econômico e da produtividade são excelente motor de redução da desigualdade. Mas, segundo ele, o atual cenário, com o PIB andando de lado, falta de incrementos à produtividade e inflacao ao redor de 6% ao ano, pode afetar a dinâmica distributiva. Como uma das possíveis saídas ao impasse, Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, fala da importância de aumentar o porcentual de pessoas que chegam ao ensino superior e melhorar a qualidade da educação pública, ajudando a diminuir as desigualdades de renda entre estudantes das escolas públicas e privadas. João Saboia, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também acredita que o processo de queda das disparidades de renda deve seguir com o aumento da escolaridade da população, cujo nível ainda é muito baixo quando comparado com aos vizinhos latino-americanos. Ele ressalta ainda que o desenvolvimento do ensino técnico pode ter um papel importante na produtividade do trabalho e obtenção de salários mais elevados no futuro, com os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, como um complemento voltado para os excluídos. Saboia acredita, porém, que os aumentos reais do mínimo ainda têm papel importante nesse jogo. Lembra que as discussões de distribuição de renda no Brasil usualmente utilizam os dados da PNAD, que não captam os ganhos de capital, como aplicações financeiras, bastante concentradas no topo da pirâmide de rendimentos. "Se considerados esses rendimentos, certamente o Gini do país ainda seria mais elevado." Por Flavia Lima | De São Paulo
|
|
Valor Econômico (SP): Pedidos ao BNDES sobem só 6% e podem afetar investimento Por Elisa Soares | Do Rio A insegurança que ronda a economia brasileira pode ter afetado também a disposição dos empresários para planejar novos investimentos. No primeiro semestre deste ano, o valor dos novos pedidos de financiamento que foram apresentados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) superou em apenas 6% as consultas apresentadas no mesmo período de 2012. O avanço se dá sobre uma base alta de comparação, mas mesmo assim, para economistas ouvidos pelo Valor PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor, o dado reafirma um cenário econômico de incertezas, com lenta recuperação da indústria e da confiança do empresário. As alterações regulatórias, especialmente no setor de energia, também contribuem para um alongamento da desconfiança dos investidores. O superintendente da área de Planejamento do BNDES, Cláudio Leal, disse que o banco não percebe tendências decrescentes gerais, mas reconhece a existência de um ambiente de instabilidade, com necessidade de "superar expectativas que tragam de novo tranquilidade para a decisão de investir". Para Leal, o segundo semestre será melhor, com a chegada dos projetos decorrentes das concessões na área de infraestrutura. Nos últimos dez anos, em média, 68% das consultas feitas em um ano se transformam em desembolsos nos 12 meses seguintes, embora essa relação oscile de um ano para outro. "Se olharmos pela ótica dos desembolsos, eles cresceram bem. É verdade que a indústria não está bem, mas o volume de desembolsos no primeiro semestre deste ano é um fator positivo. Já o avanço das consultas em geral indica que a economia não está bem. O aspecto dos novos pedidos de financiamento condiz com o que estamos observando na economia", disse o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza. As consultas feitas ao banco de fomento no primeiro semestre deste ano somaram R$ 124 bilhões. Na comparação como igual período de 2012, o detalhamento das consultas mostrou que 16 setores, de um total de 45, demandaram menos ao banco. As quedas ficaram, principalmente, com os segmentos da indústria extrativa (queda de 47,41% em relação ao primeiro semestre de 2012), química (recuo de 41%), equipamentos de informática, eletrônico e ótico (queda de 77,68%) e telecomunicações (recuo de 36,35%). Segundo Leal, esse movimento reflete, em parte, ciclos de investimentos de determinados segmentos industriais, com oscilações normais, como telecomunicações e papel e celulose, por exemplo. Outras indústrias, como a extrativa, provavelmente fizeram fortes investimentos no passado recente, na avaliação do Souza, do Iedi. Já setores mais ligados ao mercado externo, como química, farmacêutica e equipamentos de informática - que também apresentaram recuo nas consultas em relação ao primeiro semestre de 2012 - podem ter movimento explicado pelo cenário externo desfavorável e pela competição com produtos importados no mercado nacional, ainda na análise de Souza. Para o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mansueto de Almeida, ainda não é possível fazer uma leitura definitiva dos dados apresentados nas consultas para afirmar que há redução no apetite por investimentos por parte dos empresários. "A maioria dos setores que tiveram consultas maiores no primeiro semestre do ano passado, na comparação com 2013, teve padrão de consumo mensal irregular", disse Almeida. Ou seja, tiveram um mês ou outro com consultas muito elevadas, sendo o restante em média similar a observada nos primeiros seis meses deste ano. Se por um lado não é possível afirmar que consultas menores em alguns setores são suficientes para, sozinhas, refletirem redução no apetite dos empresários, por outro elas servem como alerta para um cenário econômico que já não está tão favorável. Segundo economistas, esse recuo em alguns setores pode refletir que o esperado crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) está mais lento do que se previa inicialmente. A demora na recuperação da indústria e redução no ritmo de expansão do emprego e do comércio, observadas nos resultados das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao longo deste ano, podem estar retardando a retomada da confiança do investidor. Para o Iedi, a expectativa dos empresários industriais em relação aos seus negócios precisa ficar mais firme e positiva para se observar efetivo aumento nas consultas ao BNDES. "Redução nas consultas em setores ligados a indústria de transformação indicam mercado interno mais fraco. Ninguém pretende investir se não houver cenário claro de recuperação econômica", diz o economista do IBMEC/ RJ, Gilberto Braga. Para o diretor do instituto de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Frederico Rocha, a incerteza regulatória também influencia a decisão de investimento. As alterações no marco regulatório de petróleo e de energia elétrica, diz, deixaram empresas reticentes quanto à taxa de retorno dos projetos.
|
|
O Globo (RJ): O Brasil imaginado Coluna de Merval Pereira Talvez o Brasil precise de um pouco mais de mau humor e receio do futuro para realizar suas utopias, como comentou o historiador José Murilo de Carvalho, coordenador do ciclo de palestras "Futuros do presente: o Brasil imaginado", em que a Academia Brasileira de Letras vem debatendo os diversos aspectos do nosso projeto de país. O ex-presidente e acadêmico Fernando Henrique Cardoso abriu a série, destacando a importância do soft power no mundo atual, seguido pelo ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e presidente do Ipea, Marcelo Neri, que falou sobre o futuro social do país, e pelo professor da USP Jacques Marcovitch, que abordou o futuro internacional. O ciclo se fecha na terça-feira, com a palestra do escritor Silviano Santiago, prêmio Machado de Assis 2013 da ABL, sobre o futuro cultural. O comentário de José Murilo se deveu a dois tópicos dessas palestras, pois Neri ressaltou que o Brasil é heptacampeão em felicidade futura, de acordo com pesquisas em 160 países, e Marcovitch, que os países que mais se destacaram nos últimos anos na capacidade de enfrentar a crise econômica e de se readaptar ao novo mundo multipolar têm, entre as características comuns, a consciência dos riscos que correm, "uma sensação de risco que leva a que pensem estrategicamente". Neri separou os grandes avanços alcançados pelo país nos últimos 50 anos por décadas, ressaltando uma curiosidade: todas as grandes transformações ocorreram em anos terminados em 4: o golpe de 1964, inaugurando um período de crescimento econômico, com aumento da desigualdade e falta de liberdades; em 1974, depois do choque do petróleo no ano anterior, começa a abertura política; processo lento que atinge o ápice em 1984 com a campanha das "Diretas Já", iniciando a década da redemocratização, mas da instabilidade política e econômica. As décadas seguintes foram a da estabilização, com o Plano Real em 1994, e a da redistribuição de renda e queda da desigualdade, a partir de 2004, com a eleição de Lula no ano anterior, e o surgimento do que ele chamou de "a nova classe média". "Agora, temos as manifestações e não sabemos o que esperar para 2014", ressaltou, salientando que as reivindicações das ruas refletem as prioridades brasileiras atuais: melhoria na saúde e educação, e combate à corrupção. Dar mais acesso aos serviços do estado, este deve ser o objetivo do futuro: "Colocamos uma massa de brasileiros no mercado, e agora temos que dar mais mercado para essas pessoas". Neri chamou a atenção para novas pesquisas que mostram que, embora a felicidade e a renda tenham correlação muito próxima, no Brasil ela é menos forte. "Somos felizes como fator cultural, o otimismo é nossa característica", disse, citando uma pesquisa sobre a satisfação com a vida nos próximos 5 anos, na qual o Brasil se sagrou o "heptacampeão mundial de felicidade futura". Já Marcovitch salientou a necessidade de o país ter visão estratégica para alcançar seu lugar no futuro, que deve ser "nossa luta de todos os dias". Marcovitch buscou países que "podem ajudar a pautar nossa agenda de construção do futuro" entre aqueles que têm conseguido melhorar sua situação no período de 2008 a 20012, apesar da crise. Países que do ponto de vista do bem-estar, de segurança, de inovação, de capacidade de integrar vários segmentos sociais, conseguem superar os problemas. Entre eles, Austrália, Israel, Holanda, Hong Kong, Coreia, Singapura. Eles têm algumas das melhores universidades, "o que revela a preocupação com as próximas gerações, com a inovação, com as humanidades, a cultura". Esses seriam "estados estratégicos", países com capacidade de inovação tecnológica. Alguns deles, apesar de permanentemente ameaçados, conseguem se manter no topo da lista por terem consciência dos riscos que correm - riscos ambientais, de segurança, econômicos. São países que têm forte identidade cultural e se destacam pela qualificação de sua governança. Marcovitch destacou "a capacidade de perceber e de transmitir a seus cidadãos as perspectivas reais dos riscos que esses países correm. Essa consciência de risco passa a se constituir em uma agenda de prioridades". O Brasil, pela sua dimensão continental, precisaria criar mais espaços de reflexão fora do centro-sul, e pensar seu futuro a partir das especificidades de suas regiões: "A construção do futuro depende da conexão entre academia e sociedade na construção de um sonho, de uma utopia". Os pontos-chave 1 Marcelo Neri ressaltou que o Brasil é heptacampeão em felicidade futura, de acordo com pesquisas em 160 países. 2 Jacques Marcovitch salientou que os países que mais se destacaram nos últimos anos têm entre as características comuns a consciência dos riscos que correm. 3 O que fez com que o historiador e acadêmico José Murilo de Carvalho comentasse: talvez o Brasil precise de um pouco mais de mau humor e receio do futuro para realizar suas utopias.
|
|
Estado de Minas (MG): 26,3 milhões de toneladas de comida jogados no lixo{ Série do Estado de Minas mostra que os alimentos jogados fora no Brasil dariam para saciar a fome de 13 milhões de pessoas. Comida que ninguém come Levantamento da FAO mostra que o país joga no lixo 26,3 mi de toneladas de alimentos por ano. Essa quantidade saciaria 13 milhões de famintos e poderia reduzir a inflação Diego Amorim e Carolina Mansur Brasília e Belo Horizonte – O Brasil esbanja recursos naturais. De tudo se perde. A cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogados fora: volume suficiente para distribuir 131,5kg para cada brasileiro ou 3,76kg para cada habitante do planeta. Toda essa comida alimentaria facilmente os 13 milhões de brasileiros que ainda passam fome, nas contas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Poderia ainda facilitar o trabalho do Banco Central no combate à inflação. Com uma oferta maior de produtos, os preços não subiriam tanto e o país poderia até mesmo diminuir a importação de feijão preto da China. O desperdício de comida provoca mais do que prejuízos financeiros, gera revolta e inconformismo. Ainda assim, o Brasil pouco se mobiliza no sentido de mudar esse quadro. Desde 1998, a chamada Lei do Bom Samaritano, em alusão a uma passagem bíblica, tramita no Congresso Nacional, e não há previsão alguma para que seja votada. A intenção da proposta é isentar doadores de alimentos de responsabilidade civil e penal, se agirem de boa fé, na distribuição de comida — semelhante ao que ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos. Enquanto essa lei não é aprovada, o Estado brasileiro pune severamente os doadores. A legislação atual prevê até cinco anos de prisão caso quem receba os alimentos sofra algum tipo de dano em decorrência da comida. Com isso, donos de restaurantes, por exemplo, se sentem obrigados a despejar no lixo as sobras diárias da produção. "É um crime", define o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Gustavo Timo. O ajuste na legislação, segundo Timo, poderia ajudar e muito o Brasil a conter o desperdício. "A regra em vigor é completamente inapropriada. Por parte do setor, não falta boa vontade", insiste o representante da Abrasel, ressaltando que em outros países existem programas organizados de doações, para evitar que toneladas de comida em bom estado acabem no lixo. ENTRAVES Combater a assombrosa perda de alimentos, no entanto, é muito mais complexo. O pesquisador Antônio Gomes, do Centro de Agroindústria de Alimentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), enumera outros entraves, como o manuseio inapropriado dos produtos no campo, as embalagens inadequadas utilizadas no transporte e o armazenamento ineficaz no atacado. Aprimorar o escoamento da produção agrícola, sustenta Gomes, aumentaria a oferta de alimentos sem a necessidade de alterar a área plantada. Em determinados casos, como o da banana e o do morango, o desperdício no caminho entre a propriedade e a prateleira do supermercado chega a 40%. "Quem arca com esse prejuízo é o consumidor", lembra o pesquisador da Embrapa, ao explicar que no fim das contas o produto que se perdeu no caminho se converte em aumento de preço. O desperdício de que fala Gomes é facilmente percebido nas centrais de abastecimento. Por dia, os irmãos Berlândio e Ernandes da Silva jogam no lixo de 50 a 60 caixas de alimentos que, na avaliação deles, não poderiam ser aproveitados. "Às vezes, a comida já chega estragada. Ou então com uma aparência que a gente sabe que a dona de casa não vai comprar", diz Ernandes. VIDA REAL São muitos os brasileiros que diariamente ficam de prontidão nas Ceasas espalhadas pelo país, enquanto funcionários separam as frutas e verduras aceitáveis pelo mercado. "A gente fica sentido, porque, mesmo assim, a perda é muito grande. Tanta gente passando fome e nós aqui jogando essa comida no lixo", desabafa Berlândio. Desde que contraiu uma trombose na perna e perdeu o emprego de auxiliar de serviços gerais, Cilene de Sousa Rodrigues, de 47 anos, vai à Ceasa de Brasília duas vezes por semana garantir os alimentos da casa, onde vive com seis pessoas. "Isso aqui é ouro", afirma ela, segurando uma maçã retirada de uma caçamba de lixo. "Amanhã é dia de verdura", avisava ela. Todos os dias milhares de pessoas também desperdiçam comida nos restaurantes. Além de não consumirem tudo o que foi produzido pelos estabelecimentos, deixam comida no prato. No restaurante self-service João Rosa, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde cerca de 350 refeições são servidas por dia – uma média de 120 quilos de comida –, a perda chega a ser de 16% do total produzido, cerca de 20 quilos por dia. Em dinheiro, o prejuízo diário varia entre R$ 600 e R$ 800. No mês, considerando 20 dias úteis, pode chegar a R$ 16 mil. Além da comida que sobra no bufê e vai para o lixo, em função das normas da vigilância sanitária que não permitem o reaproveitamento, a sócia-proprietária Catarina das Graças Artur, conta que parte do seu faturamento também vai embora com aqueles que colocam a comida no prato, mas não comem. "Cerca de 30% não consomem tudo o que servem", afirma. Perdas de dinheiro e horas no trânsito O brasileiro tem demorado cada vez mais para chegar ao trabalho. O desperdício de tempo no trânsito, sobretudo nas metrópoles, pode superar uma hora a depender do trecho percorrido. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceira com a Universidade de Oxford, mostra que a mobilidade urbana pune principalmente os habitantes das cidades mais populosas, onde a renda per capita é maior e a proporção de pessoas com carro também. Nos últimos 20 anos, o tempo gasto no trajeto aumentou 4,5% no Brasil. Esse percentual cresceu ainda mais em Brasília e em Belo Horizonte, onde as taxas foram de 6,2% e 6,5%, respectivamente.
A pesquisa mostra que, em áreas metropolitanas, o deslocamento do brasileiro até o trabalho saltou de 36 minutos, em 1992, para 38 minutos. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, passou de 38 minutos para 43, em média. No Distrito Federal, o tempo saiu de 33 minutos para 35 em cada deslocamento, enquanto em Belo Horizonte variou de 32 para 34 minutos.
Transformando tempo em dinheiro, a estimativa é que, ao passar 38 minutos no trânsito, o brasileiro deixe de receber R$ 6,65, o equivalente a pouco mais de meia hora de trabalho. O cálculo considera rendimento médio real, de R$ 1.848,40, divulgado pela Pesquisa Mensal de Emprego de julho, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse valor é dividido pelas 176 horas trabalhadas no mês (44 semanais, segundo a CLT), que resulta na hora de trabalho em R$ 10,50.
O técnico do Ipea responsável pela pesquisa, Rafael Henrique Moraes Pereira, destaca que o tempo de deslocamento nas áreas metropolitanas do Brasil aumentou 4% para os mais pobres e 15% para os mais ricos. A pesquisa revela que com o passar dos anos, os brasileiros de maior renda aumentaram o tempo que ficam no trânsito. Até 1992, o deslocamento dessa parcela da população era nove minutos menor que o registrado pela fatia de baixa renda. Essa diferença, agora, caiu para seis minutos. "Muitas cidades estão se espraiando, o que aumenta as distâncias para todos. No caso dos ricos, os condomínios estão ficando mais distantes", explica. Na pesquisa, Pereira ressalta ainda a importância de investimentos em transporte urbano. Curitiba e Porto Alegre, que nos anos 1990 investiram na área, praticamente mantiveram o tempo médio de viagem dos habitantes. "Não existe saída se não repensarmos o transporte público. É praticamente impossível enxergar uma taxa de mobilidade saudável nas grandes cidades em função da pouca oferta de transporte", comenta. Cansados de acordar até três horas antes do expediente e ainda enfrentar filas intermináveis na estação do metrô, o representante comercial Hélcio Lemos e a esposa, a publicitária Rafaela Cristine Lemos, optaram por fazer o trajeto de casa para o trabalho de carro. Para isso, perdem quase duas horas no trânsito. "De metrô e ônibus é ainda pior porque estão sempre cheios e perdemos muito tempo esperando um veículo mais vazio", conta Hélcio. "No fim do trajeto, já estamos bem cansados e perdemos um pouco da produtividade no trabalho, sem contar o estresse", completa Rafaela. A vontade do casal é transformar o tempo perdido em atividades ou em mais tempo para dormir, mas o que acontece é o inverso. "Acabamos trabalhando mais para não pegar o horário de rush, ficamos mais tempo no trabalho", lamenta Hélcio. (CM)
|
|
Correio Braziliense (DF): Engarrafamento sai caro
O brasileiro tem demorado cada vez mais no trânsito para chegar ao trabalho. O desperdício de tempo, sobretudo nas metrópoles, pode superar uma hora, a depender do trecho percorrido. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceira com a Universidade de Oxford, mostra que a mobilidade urbana pune, principalmente, os habitantes das cidades mais populosas, nas quais a renda per capita é maior e a proporção de pessoas com carro, também. Nos últimos 20 anos, o tempo gasto no trajeto aumentou 4,5% no Brasil. Esse índice cresceu ainda mais em Brasília e em Belo Horizonte, 6,2% e 6,5%, respectivamente.
A pesquisa mostra que, em áreas metropolitanas, o período de deslocamento do brasileiro até o trabalho saltou de 36 minutos, em 1992, para 38 minutos. Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, passou de 38 minutos para 43, em média. No Distrito Federal, o tempo foi de 33 para 35 minutos, enquanto, em Belo Horizonte, variou de 32 para 34 minutos.
Transformando tempo em dinheiro, a estimativa é que, ao passar 38 minutos no trânsito, o brasileiro deixe de receber R$ 6,65, o equivalente a pouco mais de meia hora de trabalho. O cálculo considera rendimento médio real em julho, de R$ 1.848,40, divulgado pela Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse valor é dividido pelas 176 horas trabalhadas no mês (44 semanais, segundo a CLT), que resulta na hora de trabalho em R$ 10,50.
O técnico do Ipea Rafael Henrique Moraes Pereira destaca que o tempo de deslocamento nas áreas metropolitanas do Brasil aumentou 4% para os mais pobres, que dependem de transporte público, e 15% para os mais ricos. O levantamento revela que, com o passar dos anos, os brasileiros de maior renda aumentaram o tempo que ficam no trânsito. Até 1992, o deslocamento dessa parcela da população era nove minutos menor que o registrado pela fatia de baixa renda. Essa diferença, agora, caiu para seis minutos. “Muitas cidades estão se espraiando, o que aumenta as distâncias para todos. No caso dos ricos, os condomínios onde vivem estão ficando mais distantes”, explica.
Diante desse quadro, Pereira ressalta a importância de investimentos em mobilidade, para o qual os governos têm dado pouca importância. Por isso, os recentes protestos nas ruas contra o reajuste das tarifas. Curitiba e Porto Alegre, que, nos anos 1990, investiram, mantiveram praticamente inalterado o tempo de viagem da população. “Não existe saída se não repensarmos o transporte. É praticamente impossível enxergar uma taxa de mobilidade saudável nas grandes cidades em função da pouca oferta de locomoção”, comenta.
Cansados de acordar até três horas antes do expediente e ainda enfrentar filas na estação do metrô, o representante comercial Hélcio Lemos e a mulher, a publicitária Rafaela Cristine Lemos, optaram por fazer o trajeto de casa para o trabalho de carro. Mesmo assim, perdem quase duas horas no trânsito. “De metrô e ônibus é pior, porque estão sempre cheios e perdemos muito tempo esperando um veículo mais vazio”, conta Hélcio. “No fim do trajeto, já estamos bem cansados e perdemos um pouco da produtividade no trabalho, sem contar o estresse”, completa Rafaela.
A vontade do casal é de transformar o tempo perdido em atividades de lazer ou em mais tempo para descansar, mas o que acontece é o inverso. “Acabamos trabalhando mais para não pegar o horário de rush. Ficamos mais tempo no emprego”, lamenta Hélcio.
|
|
5456. Agência EFE (Espanha) - La mitad de los desempleados brasileños tiene más de once años de estudio
Agência EFE (Espanha) - La mitad de los desempleados brasileños tiene más de once años de estudio
El porcentaje de desempleados brasileños con más de once años de estudio saltó del 20 % en 1992 hasta el 50 % en 2012, según un estudio divulgado el lunes por el estatal Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA).
De acuerdo con el informe, mientras que es cada vez mayor el porcentaje de los trabajadores más calificados entre los desempleados, es cada vez menor la de los que aún no concluyeron la educación primaria.
"El contingente de personas dispuestas a trabajar pero que por algún motivo no consiguieron un puesto de trabajo está concentrado entre los trabajadores de mayor calificación y no lo contrario", asegura el estudio del IPEA.
Los datos contradicen una de las principales quejas de los empresarios en el sentido de que Brasil carece de mano de obra calificada para varias actividades.
"Hay evidencias contrarias a la noción de que el país sufre con una escasez de mano de obra calificada. Por el contrario, la oferta de trabajo calificado viene aumentando continuamente, especialmente en la última década", según el documento.
El informe admite que el precio relativo de la mano de obra más calificada también viene reduciéndose gradualmente.
"De esa forma, lo que Brasil sufre es con la escasez de mano de obra no calificada",agrega.
"Los datos mostraron que la gran falta de mano de obra se registra en las ocupaciones poco calificadas, como por ejemplo en la agricultura, la construcción civil, el trabajo doméstico", según Marcelo Neri, presidente del IPEA.
El estudio mostró que, como consecuencia precisamente a la falta de mano de obra para estas actividades, estos empleados fueron los que tuvieron un mayor aumento de la renta en los últimos años.
El IPEA no descarta que algunos sectores específicos enfrenten escasez de profesionales calificados y especializados, "pero esa no es la característica del mercado de trabajo como un todo".
El estudio fue elaborado con base en los resultado de la edición de 2012 del Estudio Nacional por Muestras de Domicilios, una amplia encuesta que el Gobierno realiza anualmente desde 1967 y que calculó en 2,2 millones el número de brasileños desempleados el año pasado y en 93,9 millones los ocupados.
Según este sondeo, la tasa promedio de desempleo en Brasil cayó desde el 8,9 % en 2004 hasta el 6,1 % en 2012.
De acuerdo con datos divulgados la semana pasada por el Gobierno, la tasa de desempleo en Brasil en agosto bajó al 5,3 % de la población activa, por debajo del 5,6 % medido en julio y la menor en lo que va del año.
Para el IPEA, el mercado laboral brasileño tuvo un desempeño sorprendente el año pasado pese al bajo crecimiento de la economía del país (0,9 %) pero aún no vive la situación considerada como de "pleno empleo".
"Tal vez los salarios están aumentando, lo que puede ser una señal de pleno empleo, pero los números no permiten hablar por ahora de pleno empleo en Brasil", según Neri.
|
|
O Globo (RJ): Menos interferência Fortalecimento da Agência Brasileira de Cooperação deve ser apoiada com entusiasmo
ARTIGO - RUBENS BARBOSA*
Recente relatório, elaborado pelo Ipea e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, reúne dados e informações sobre as principais iniciativas implementadas pelo Brasil, de forma bilateral ou multilateral, no contexto da Cooperação Brasileira com outros países em desenvolvimento. Em 2010, o país investiu aproximadamente R$ 1,6 bilhão na cooperação para o desenvolvimento, representando um aumento nominal de 91% em relação a 2009. Deste total, R$ 548 milhões foram gastos a título de contribuição para 143 organismos internacionais. Outros R$ 490 milhões tiveram como destino ações de cooperação técnica, científica, tecnológica, educacional ou ajuda humanitária. 68,1% dos processos bilaterais de cooperação foram com países da América Latina e Caribe, e 22,6% com países do continente africano. Durante a recente visita da presidente Dilma Rousseff à Etiópia para reunião da União Africana, foi criado o Grupo África para estudar medidas com vistas a ampliar a assistência técnica e de desenvolvimento do Brasil aos países daquele continente. Foi noticiado nessa oportunidade que uma das medidas em estudo pelo Governo brasileiro seria a transformação da ABC em uma autarquia, com mais autonomia e maiores recursos financeiros (da ordem de R$300 milhões. A ABC continuaria com a vinculação com o Itamaraty, embora com autonomia orçamentaria, e seria criada uma carreira própria para os funcionários da futura agencia. O fortalecimento da ABC é uma noticia alvissareira que deve ser apoiada com entusiasmo. Virá aperfeiçoar e reforçar um importante instrumento da politica externa a serviço da projeção do Brasil no exterior (“soft power”). A ABC só não pode executar sua missão de forma mais eficiente e atuante pela absoluta falta de recursos. Caso essas providências sejam tomadas, ficaria afastada a ideia de atribuir à Agência a competência para tratar de comércio internacional, com o suposto objetivo de favorecer a balança comercial do pais. Para as funções que poderiam ser atribuídas a essa nova Agência já existem outros órgãos : a Agência Brasileira de Exportações (APEX), que cuida da promoção de produtos no exterior, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que cuida de buscar investimentos produtivos e inovação, e o próprio Itamaraty. O setor externo necessita de menos interferência do governo (quase 20 Ministérios e agências interferem no comércio exterior) e mais coordenação no processo decisório. No documento Agenda de Integração Externa, recentemente divulgado, a Fiesp pede a reforma do processo decisório para tornar mais efetiva a ação do governo por meio do fortalecimento da CAMEX como ponto focal da formulação da politica de comercio exterior e da negociação externa. Para alcançar esse objetivo, a Fiesp propõe vincular a CAMEX diretamente ao presidente da Republica a fim de dar um peso politico maior no contexto da politica econômica e ampliar a coordenação interna. *Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp
|
|
O Globo (RJ): E a tal desindustrialização? Apesar de ter perdido espaço no emprego total a partir de 2008, o ministro Marcelo Neri exibe, hoje, no Ipea, números que mostram que a indústria tem índice crescente de trabalhadores com carteira: — O Brasil tem hoje o mesmo percentual de emprego na indústria que o observado na Alemanha (em tomo de 21%) e maior que o dos EUA (15%). É. Pode ser.
|
|
Exame.com: "Tarifa zero" pode custar até R$ 15,3 bi, diz Ipea Os três principais projetos de lei para subsídio do transporte público têm falhas e podem custar até R$ 15,3 bi, de acordo com o Ipea São Paulo - De acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), órgão ligado ao Governo Federal, os três principais projetos de lei para subsídio do transporte público em análise no Congresso possuem falhas em sua elaboração e podem custar até R$ 15,3 bilhões aos cofres públicos. O valor foi calculado com base no número de beneficiários do Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico) para programas sociais de 44 cidades com mais de 500 mil habitantes e beneficiários do bolsa família, excluindo-se a parcela da população que já possui gratuidade ou subsídio no transporte público (como idosos e trabalhadores formais). Segundo os critérios adotados pelo levantamento, até 11,34 milhões de pessoas seriam beneficiadas pelos projetos de subsídio ou gratuidade no transporte, a maioria concentrada nas grandes capitais. No entanto, o cálculo exclui estudantes não cadastrados nos programas sociais do governo federal. Se considerados o Censos Escolar e da Educação Superior, o número estimado de beneficiários estudantes seria de 13,8 bilhões a um custo de mais de R$ 16 bilhões apenas para o passe livre estudantil. O estudo leva em consideração três projetos de lei em tramitação no congresso selecionados com base na conformidade com a pauta das reivindicações das manifestações de junho deste ano, abrangência social e na rapidez em que passaram a ser analisados após os protestos. Em alguns casos apresentados pelo Ipea, a média de tempo entre as movimentações do projeto de lei caiu de 42 dias antes das manifestações para um dia e meio após o dia 17 de junho, dia em que as manifestações ganharam maior tamanho e visibilidade. No caso do PLS 248/2013 proposto pelo presidente do Senado Renan Calheiros logo após as manifestações, o projeto foi votado e aprovado em apenas dois dias em regime de urgência. Os três projetos em questão propõem políticas como o Vale Transporte Social (PL 2965/2011), gratuidade para estudantes (PLS 248/2013) e desoneração do transporte público urbano (PL 310/2009), este último visto como o de maior possibilidade de aprovação de acordo com o estudo realizado pelo Ipea. O levantamento feito também leva em consideração o projeto de emenda constitucional 90/2011, de Luiza Erundina, que torna o acesso ao transporte público um direito social. De acordo com o Ipea, os projetos Vale Transporte Social e Passe Livre para estudantes falham ao não discriminar os beneficiários destes subsídios. No caso do VT Social, que usa como base de beneficiários o Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico) para beneficiários de Programas sociais, o estudo aponta para a falta de caracterização das necessidades reais de deslocamento e de identificação precisa dos beneficiários a partir do CadÚnico. "A generalidade dos termos deste PL pode levar a dificuldades em estabelecer o valor do subsidio e o impacto da sua possível aprovação como lei", afirma o relatório divulgado nesta quinta-feira. Em relação ao Passe Livre para estudantes, o estudo do Ipea alerta para a ausência, assim como no VT Social, de menção à uma política nacional de mobilidade ou princípios que liguem os projetos à acessibilidade. "Novamente fica clara a intenção do legislador em instituir a gratuidade, apontando a fonte de recurso, como define atualmente a legislação, mas não tratando da mobilidade", revela o documento que alerta para o aumento no número de usuários e viagens observados em casos analisados em outros países e para a necessidade de investimentos na melhoria do sistema devido anteriores à gratuidade. Visto como o projeto com maiores chances de ser aprovado, o Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano, que visa à desoneração do transporte público, também é criticado. O relatório aponta para a falta de clareza do projeto de lei para especificar que a isenção de tributos deve ser destinada à redução da tarifa cobrada dos usuários. "Considerando que essa cadeia de fornecedores/produtos (do transporte público urbano) é oligopolizada e em diversos casos bastante longa, corre-se um risco maior da margem de desoneração, no médio e longo prazo, ser convertida em aumento da margem de lucro anulando o ganho dos usuários", alerta o estudo.
|
|
Estadão.com: Inflação e geração morna de empregos pioram efeito câmbio
A mais grave seca nos EUA em 40 anos, com alta nos preços das commodities, também afeta cenário para o País
A alta do dólar em si não é um problema. O que incomoda são as condições em que ela ocorre. Não veio sozinha, mas ao lado de um crescimento econômico morno, com a geração de emprego em desaceleração e, pior, de uma inflação já pressionada. Esse é o componente que mais preocupa. O economista Bráulio Borges, da LCA Consultoria, explica que, já no ano passado, o real perdeu 15% de seu valor, passando de R$ 1,80 para R$ 2. Isso aconteceu porque o governo agiu para evitar que o dólar fizesse o real se valorizar ainda mais.
O objetivo era proteger a indústria nacional, que perde competitividade em exportações se o real fica forte. O problema, segundo Borges, é que o momento foi errado. Ocorreu junto com a pior seca no mercado americano em 40 anos, quando os preços das commodities subiram, e gerou um surto inflacionário no final de 2012.
Espiral. No primeiro semestre deste ano, o País entrou na espiral inflacionária - inflação que gera inflação pelos reajustes, já que o Brasil ainda tem muitas contas indexadas. No caso da indústria, é o reajuste dos salários dos trabalhadores que por sua vez gera reajustes de preços.
Em um encontro com jornalistas em meados de agosto, Ilan Goldfajn, economista chefe do Itaú Unibanco, contextualizou esse efeito para o momento atual do País. Em condições normais de temperatura e pressão, não haveria nenhum problema com a atual trajetória do câmbio. "Um câmbio depreciado teria o benefício de estimular a economia", disse Goldfajn.
O problema é que agora qualquer ponto porcentual de alta vai fazer com que a inflação fique acima da meta, o que minaria a confiança dos investidores, das empresas e das famílias.
Há outro diferencial neste momento: a alta ocorre em circunstâncias globais atípicas. Diferentemente do passado, não é puxada por uma crise internacional, como a derrocada dos Tigre Asiáticos em 1997 ou o efeito tequila gerado pelo México em 1994. Reflete, na verdade, uma notícia boa: a expectativa de recuperação da economia americana. Seguindo uma trajetória igualmente diferente, a cotação não explode. Sobe de forma persistente. Na mesma medida, os repasses não são instantâneos, mas homeopáticos.
"Não é uma crise cambial, é um rearranjo global, sem os efeitos dramáticos que vimos em outros momentos de instabilidade cambial, mas que vai nos afetar", diz Fernando Ribeiro, coordenador do Grupo de Estudos de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "A questão é que na prática não temos como prever até onde vai valorização do dólar, nem o momento, a intensidade e a extensão do impacto sobre a inflação."
Repasse. Na média, os economistas estimam que a cada 10% de desvalorização do real, a inflação sobe 0,5 ponto porcentual. Para ocorrer o repasse, é preciso que a moeda se fixe no novo patamar, e o repasse acontece de três a seis meses depois. Outros fatores precisam acompanhar o dólar, como a alta dos preços das commodities internacionais e o nível de atividade. Se os preços das commodities caem, podem eventualmente segurar o efeito inflacionário do câmbio, como aconteceu logo após a crise de 2008, segundo explica o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), André Modenesi./ A.S. e JOSETTE GOULART
|
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
|