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Folha.Com (SP): Arauto das más notícias Folha destaca apenas dados negativos da Pnad, apesar de a pesquisa ter apontado aumento de renda em 2012 A edição que a Folha fez da pesquisa Pnad, que traça anualmente um quadro social do país, é um prato cheio para quem acha que o jornal só publica más notícias. Todos os destaques pinçados no levantamento eram negativos. O título na capa informava que "Analfabetismo e desigualdade ficam estagnados no país" (28/9). Em "Cotidiano", havia o aumento da diferença de renda entre homem e mulher, os salários inchados pela falta de mão de obra especializada e o celular como o único tipo de telefone em mais da metade dos lares. A análise dizia que o resultado da pesquisa pode significar "o fim da década inclusiva". Outros jornais optaram por manchetes do tipo uma no cravo outra na ferradura: "Renda média sobe, mas desigualdade para de cair" ("O Globo"), "Analfabetismo para de cair no país; emprego e renda sobem" ("Estado"), "Em todas as regiões houve aumento de renda, mas a desigualdade ficou estagnada" (Jornal Nacional). Com seu característico catastrofismo, a Folha fez uma leitura míope da pesquisa, que é muito importante pela sua abrangência -são 363 mil entrevistados respondendo sobre escolaridade, trabalho, moradia e acesso a bens de consumo. O dado mais surpreendente era que a renda do brasileiro cresceu em 2012, ano em que o PIB subiu apenas 0,9%. Na Folha, esse fenômeno só foi citado no meio de uma reportagem sobre a desigualdade. Coube ao colunista Vinicius Torres Freire, no dia seguinte, chamar a atenção para o fato de que o Brasil estava mais rico "e não sabíamos". "É possível dizer que a taxa de pobreza deve ter caído bem no ano passado", escreveu Freire. Pelos cálculos de Marcelo Neri, 50, presidente do Ipea, 3,5 milhões de brasileiros saltaram a linha de pobreza em 2012. "No conjunto das transformações, foi a melhor Pnad dos últimos 20 anos", diz Neri. A desigualdade parou mesmo de cair, mas foi porque os muito ricos (1% da população) ficaram ainda mais ricos (a renda subiu 10,8%), num ritmo mais rápido do que os muitos pobres (10% na base da pirâmide) ficaram menos pobres (ganho de renda de 6,4%). É claro que não se deve desprezar o abismo social, mas não dá para ignorar que houve uma melhora geral no ano passado, o que é um mistério a ser explicado pelos economistas. Se o jornal subestimou o dado da renda, deu espaço demais para o fato de o analfabetismo ter parado de cair. Teve nesse ponto a companhia dos outros jornais e da TV. Depois de 15 anos de queda contínua, a taxa de analfabetismo variou de 8,6% para 8,7%. A diferença, irrisória, pode ser apenas uma flutuação estatística. Nem o fato de a taxa ter parado de cair é importante, segundo os especialistas. Os analfabetos brasileiros concentram-se, principalmente, na faixa etária mais alta (60 anos ou mais). Os mais velhos, que não tiveram acesso à escola na infância, são mais difíceis de serem alfabetizados. "Entre os jovens, a proporção de analfabetos continua caindo. A conclusão é que, embora nossa educação tenha muitos problemas, este não é um deles", explica Simon Schwartzman, 74, presidente do Iets. O destaque dado à diferença entre a remuneração de homens e mulheres também foi descabido. Em 2011, a brasileira recebia 73,7% do salário de um homem. No ano passado, era 72,9%. Além de não ser uma variação muito significativa, pode ser um problema amostral. "As mulheres não estão necessariamente ganhando menos do que os homens. Se elas já têm uma renda média menor, basta crescer a participação feminina no mercado de trabalho para aumentar a diferença entre os sexos", afirma Marcio Salvato, 44, professor de economia do Ibmec. Entre os bens de consumo, o jornal destacou o celular e as motos. Wasmália Bivar, 53, presidente do IBGE, ressalta a máquina de lavar roupa, presente em 55% das casas. "Para a vida das famílias mais pobres, é um bem de grande significado, porque dá mais tempo livre para as mulheres." Não é fácil escolher o que há de mais relevante em uma pesquisa extensa como a Pnad, mas não dá para adotar o critério dos piores números. O jornalismo deve ter como primeira preocupação o que vai mal, apontar os problemas, só que o necessário viés crítico não pode impedir que se destaque o que é de fato o mais importante.
ESTADÃO.COM.BR (SP): Burocracia e gestão pública serão tema de debate nesta quarta-feira Grupo Estado promove mais um seminário da série 'Fóruns Estadão Brasil Competitivo' Obras atrasadas, licitações que não atraem investidores e outros problemas que emperram o desenvolvimento do Brasil podem ser explicados por falhas de gestão pública e excesso de burocracia. Para debater esses aspectos da política econômica, o Grupo Estado promove nesta quarta-feira, 25, mais um seminário da série "Fóruns Estadão Brasil Competitivo". O debate reúne especialistas e representantes da administração pública para avaliar como melhorar a gestão de projetos, obras e administração pública no Brasil. A desistência de grandes empresas petrolíferas em participar do leilão do campo de Libra, no pré-sal, a falta de interessados no leilão de rodovias federais e o atraso na obra de duplicação da rodovia Régis Bittencourt, entre São Paulo e Curitiba, são alguns dos temas. Outras questões que envolvem gestão são estradas e ferrovias vitais para o escoamento de safras que nunca ficam prontas, hidrelétricas que enfrentam restrições ambientais e empreendimentos que acabam ficando muito mais caros do que nos planos originais. O primeiro painel tratará o tema "burocracia, controle de gestão de grandes projetos: como aumentar a eficiência". Participam o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, Paulo Godoy; o presidente da Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Kuster; e o economista do Ipea Mansueto de Almeida. No segundo painel, cujo tema serão "os desafios e a agenda para melhorar a governança e a eficiência da gestão pública", participam José Paulo Silveira, diretor associado da Macroplan; e Rof Kuntz, jornalista do Estadão.
Agencia EFE: Maria da Penha não reduziu homicídios de mulheres no Brasil, aponta Ipea  Rio de Janeiro, 25 set (EFE).- A Lei Maria da Penha, destinada a combater a violência doméstica e de gênero que entrou em vigor há sete anos no Brasil, não provocou redução no número de mulheres assassinadas por seus companheiros no país, de acordo com estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A taxa de mulheres vítimas de violência de gênero no Brasil se manteve praticamente estável nos seis anos anteriores à entrada em vigor da Lei Maria da Penha e nos cinco anos seguintes. De acordo com o Ipea, enquanto a taxa de homicídios de mulheres pelos companheiros foi de 5,28 para cada 100 mil habitantes entre 2001 e 2006, esse índice ficou em 5,22 entre 2007 e 2011. A taxa, que era de 5,41 mortes para cada 100 mil habitantes em 2001 e de 5,02 em 2006, chegou a cair até 4,74 em 2007, ano da entrada em vigor da lei, mas voltou a subir até 5,43 em 2011. Os analistas do Ipea qualificaram a redução dos homicídios entre 2006 e 2007 como 'sutil' e alegaram que é necessário adotar outras medidas para reduzir a violência contra as mulheres, geralmente praticada por seus companheiros ou ex. Segundo o Ipea, entre 2001 e 2011 foram registrados cerca de 50 mil casos de mulheres mortas por violência doméstica e de gênero, metade por arma de fogo e 34% com armas brancas. E 29% morreram na própria casa. 'Ocorreram em média 5.664 mortes de mulheres por causas violentas ao ano, 472 por mês, 15,52 por dia e uma a cada hora e meia', segundo a pesquisa. De acordo com o estudo, 61% das vítimas era negra, 48% tinha baixa escolaridade e 54% tinha entre 20 e 39 anos. Em 3% dos casos além da morte foram registrados maus-tratos, agressões corporais, violência sexual, negligência, abandono, crueldade mental ou tortura. 'Essa situação é preocupante já que os feminicídios são eventos completamente evitáveis, que abreviam a vida de muitas mulheres jovens e causam perdas incalculáveis, assim como consequências potencialmente adversas para as crianças, para as famílias e para a sociedade', destaca o relatório. Em agosto a presidente Dilma anunciou que aproveitaria as conclusões de uma pesquisa do Congresso sobre violência de gênero para impulsionar novas iniciativas que protejam as mulheres e que garantam punição para os agressores. Na época o presidente do Senado, Renan Calheiros, se comprometeu a levar para votação o mais rápido possível 13 projetos de lei propostos no relatório, entre eles o que tipifica como delito o 'feminicídio' - o homicídio de mulheres por causa da questão de gênero, a violência sexual, a mutilação. 'São projetos que modificam a Lei Maria da Penha e alteram o Código Penal para definir o feminicídio. Tudo isso com o objetivo de salvar vidas e oferecer assistência às vítimas', disse o senador. EFE
Lançado nesta sexta-feira, 20, a publicação abrange os avanços sociais de 2011 e da primeira metade de 2012
Brasil Econômico (SP): Menos vagas que o necessário Para manter o pleno emprego, seria necessário criar 62 mil postos de trabalho em 12 meses, informa o Ibre/FGV Por Fernanda Nunes Para manter o mercado de trabalho no mesmo patamar atual, considerado de pleno emprego por economistas, é necessária a geração de 62 mil vagas na média móvel de 12 meses. Contudo, atualmente, estão sendo criados 47 mil empregos no período. A constatação faz parte de estudo do Banco Brasil Plural, divulgado na edição de setembro da revista “Conjuntura Econômica”, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), e publicado com exclusividade pelo Brasil Econômico. Analistas ouvidos pelo Ibre afirmam que a fórmula de crescimento do consumo em decorrência da melhora do mercado de trabalho, sobretudo da renda, “passou a dar sinais mais claros de esgotamento no primeiro semestre deste ano”, como informa a “Conjuntura Econômica”. E, mesmo que a taxa de desocupação medida pelo Instituto Brasileirode Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, mantenha-se em níveis próximos à de 2012, de 5,5%, há indicação de que o cenário por trás dos números não são tão favoráveis. “Os índices de ocupação e remuneração estão estagnados. Isso significa que não podemos confiar muito no salário como potencial motor para o crescimento e expansão do emprego futuro”, diz o diretor adjunto da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Henrique Corseuil. Desde maio, o rendimento médio real está desacelerando, tendo passado de 2,0% para 1,9% em junho e para 1,7% em julho, como aponta a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Além disso, a economista do Banco Brasil Plural Fernanda Guardado destaca que os trabalhadores formalizados que têm data base no terceiro trimestre deste ano terão dificuldade de renegociar o salário em agosto e setembro, o que afetará a recomposição salarial. “Ganhos reais da ordem de 3% ou 4%, como obtidos no último ano, serão muito mais difíceis de serem conquistados”, afirma. O emprego em atividades industriais sujeitas à concorrência externa são as que tendem a apresentar mais deterioração, segundo o gerente executivo de Política Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castelo Branco. É o caso dos segmentos têxtil, de couros e calçados e de máquinas e equipamentos. Nesse caso, já são registradas perdas de postos de trabalho, diz ele. Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Ibre/FGV, a necessidade de ajuste entre salário e produtividade já era clara em meses passados. Os setores de varejo e serviços, no entanto, são os mais sensíveis no curto prazo, apontam analistas. “Já não conseguiremos absorver boa parte do 1 milhão, 1,5 milhão de pessoas que entram no mercado de trabalho. Não acho que começaremos a desempregar, mas essa menor capacidade de absorção certamente gerará um aumento da taxa de desemprego”, ressalta o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Fábio Pina. Ele defende que a política de ganho de produtividade seja mais direcionada ao setor de serviços, que responde por 65% do Produto Interno Bruto (PIB), do que à indústria.
The Economist (USA): More in sorrow than anger FIRST came a report on September 1st that the United States’ National Security Agency (NSA) had been monitoring the phone calls and e-mails of Brazil’s president, Dilma Rousseff, and other senior officials. Then came evidence that the NSA appeared to be spying on Petrobras, Brazil’s national oil company. An angry Ms Rousseff demanded explanations, an apology and a guarantee that these “illegal practices” would cease, as a condition for going ahead with a long-planned state visit to Washington next month. Although Barack Obama said he understood the concerns raised by Brazil, more explicit contrition was apparently not forthcoming in a 20-minute phone call on September 16th. The two leaders announced the “postponement” of the visit. But with no date rescheduled, that looked more like cancellation. Thus the first international result of a stream of revelations from Edward Snowden, a fugitive NSA contractor, about the agency’s industrial-scale snooping (relayed in this case via a Brazilian television programme), has been a further deterioration in the often-awkward relations between the two largest countries in the Americas. Few in Brazil were surprised by Ms Rousseff’s decision. In the circumstances “being seen in an evening gown with President Obama” risked seeming “submissive and weak”, according to Oliver Stuenkel, an international-relations specialist at the Getúlio Vargas Foundation, a university. Two things magnified the risk: the possibility of further revelations concerning Brazil from Mr Snowden’s trove of documents, and a presidential election in a year’s time at which Ms Rousseff, who is less popular than she was, will seek a second term. Furthermore, Brazil had no big issues to negotiate during the visit and some in Latin America will applaud Ms Rousseff for standing up to the United States. The short-term cost of the spying row looks greater for the United States. Brazil is mulling a bid from Boeing to provide its air force with 36 Super Hornet jet fighters. Officials might now prefer rival bidders from France or Sweden. Then there is the interest of American energy companies in bidding for a slice of a giant deep-sea oilfield at an auction next month. Brazil’s energy regulator says the integrity of the auction has not been compromised by the snooping on Petrobras. But nationalist members of Brazil’s congress may not agree. The revelations have also triggered a debate in Brazil about the way the internet operates. What really worries the government is that the “huge vulnerabilities in its protection systems online were left exposed”, according to Rubens Barbosa, a former Brazilian ambassador to Washington. Brazil “has one of the most vulnerable and unprotected internet infrastructures in the world”, according to a recent paper by IPEA, a government-linked think-tank. Officials are now talking about laying fibre-optic cables to connect directly to Latin America and Europe so that Brazil’s international online traffic bypasses the United States. They also plan to tackle the country’s shortage of internet exchange points, which make eavesdropping easier. They have ordered Brazil’s post office to launch a free encrypted e-mail service to try to compete with Gmail and others. Ms Rousseff has urged the Congress to approve a long-proposed regulatory code for the internet. This is resisted by telecoms companies, because it enshrines network neutrality, which would prevent them from charging more for premium content, such as online video. Its supporters say this code would make it easier to punish, if not prevent, online spying. The president has also requested that the bill include a requirement that Brazilians’ electronic data be stored in Brazil and not abroad. One risk for Brazil from the spying row is that it provokes protectionism: in the 1980s a military government barred the import of computers in a failed attempt to foster a local computer industry. The difference, according to Matias Spektor, a Brazilian professor of international relations at King’s College in London, is that the proposed code is the subject of a fierce democratic debate and the clash of interests. An internet providers’ lobby, which includes Microsoft and Google, say the code would further raise the high costs of using the internet in Brazil. American officials say in private that only the naive were astonished to hear that the NSA monitors other governments. Some in Washington will see the cancellation of the first state visit by a Brazilian president since 1995 as a disproportionate reaction. It may confirm their view that Brazil is a perennially difficult partner. Ironically, Ms Rousseff has taken some pains to improve relations with the United States, damaged by the efforts of Luiz Inácio Lula da Silva, her predecessor, to negotiate with Iran over its nuclear programme. Mr Spektor thinks that no Brazilian president could have gone ahead with the visit in the circumstances. Nevertheless, he sees in the affair “a very unhelpful confirmation of very deep-rooted fears that the United States is out to stop Brazil from rising”. Those fears, which American officials say are groundless, are much more intense in Brasília than in the country at large. Nationalism has palpably increased under the left-wing Workers’ Party, in power since 2002. One result is that Brazil’s relations with the United States are more distant than those of many other emerging powers, such as India, South Africa or Turkey. That is odd, since the two countries are important trading and investment partners. Mr Barbosa insists that the affair will not prevent both sides continuing with business as usual. But it is unlikely that the newly arrived American ambassador in Brasília will be invited to present her credentials to Ms Rousseff soon. However justified, the cancellation of the president’s visit represents an opportunity foregone.
O Globo online: Freio de Arrumação Por Ancelmo Gois A Carta de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destaca que o desempenho da atividade econômica no primeiro semestre confirmou o diagnóstico apresentado nas últimas Cartas de Conjuntura. Os documentos apontavam para uma recuperação moderada do crescimento. No curto prazo, a tendência é de acomodação do nível de atividade. A Carta deste mês será apresentada na próxima quinta-feira, às 11h, no auditório do Ipea no Rio de Janeiro (Avenida Presidente Antônio Carlos, 51, 10º andar, Centro). A publicação trimestral tem o objetivo de acompanhar a conjuntura econômica brasileira por meio de seus principais indicadores da atividade econômica, produção industral, PIB, mercado de trabalho e inflação, entre outros.
O ESTADO DE S. PAULO - Serviço público ameaçado
O Estado de S. Paulo (SP): Connect Brasil Coluna de Sonia Racy O líder do ranking mundial de inclusão digital é a Suécia (93%). Lanterninha? Mali, na África (0,8%). O Brasil está na 56ª posição entre 130 países pesquisados, com 46,1% dos lares conectados à internet. Entretanto, em termos de avanço nos últimos seis anos, o País está em 6º. Os dados, inéditos, foram calculados por Marcelo Neri, do Ipea e da SAE. Connect 2 Com base nesses números, Neri debate amanhã – com os também ministros Marco Raupp e José Elito Siqueira –, na Escola do Exército, no Rio, proposta de sua secretaria para a área de segurança cibernética.
The Economist (Inglaterra): Grounded Having come tantalisingly close to taking off, Brazil has stalled. Helen Joyce explains what it must do to get airborne again In June this year Brazil was struck by an outbreak of mass protests as sudden as a tropical storm. Brutal policing of demonstrations against a rise in bus fares elicited a wave of solidarity and brought more than a million marchers to the streets on subsequent nights. It also gave vent to previously unsuspected public fury over rising inflation, high taxes, poor public services and political corruption. Even football, a Brazilian passion, became a target of the protesters’ ire. Many carried placards contrasting their government’s lavish spending on stadiums for next year’s World Cup with the dire state of the rest of the country’s infrastructure. The change in political weather came after almost two decades of brightening skies. Since 1994, when hyperinflation was tamed with a new currency, the real, successive governments have pursued generally sound economic policies and adopted anti-poverty programmes. The economy grew rapidly and inequality declined. The global commodity boom helped by sucking in Brazilian iron ore and agricultural produce, and in 2007 Brazil struck vast deposits of deep-sea oil. Being chosen to host both the 2014 World Cup and the 2016 Olympics seemed due recognition that its days as a chronic underachiever were behind it. But Brazil’s economy did not play ball. Having grown by 7.5% in 2010, the fastest rate for a quarter-century, it slowed to 2.7% in 2011 and a mere 0.9% in 2012. This year will see a tepid recovery at best. Inflation is sticking at around 6%. Pessimists recall that the one period of impressive growth within living memory, in the 1970s, ended in chaos and hyperinflation. In recent years Brazil has been seen as one of the leading emerging-market economies that would help drive global growth in the next half-century. But many now wonder whether it has managed nothing more than a vôo de galinha(chicken flight), a brief, unsustainable growth spurt followed by a rapid return to earth. During Brazil’s “economic miracle” of the 1970s it was the rich who captured most of the gains. At the time Edmar Bacha, an economist, invented a new label for it, “Belíndia”—a combination of a small, rich country, like Belgium, and a large, poor one, like India. Public education, health care and roads were provided for the Belgian part. Those living in India did without and expected nothing better. Brazil is still one of the world’s most unequal countries. Its murder rate rivals Mexico’s. Public health care is a lottery. Fewer than half its pupils leave school fully literate. But it is no longer Belíndia. In the past quarter-century a better labour market and a basic social safety net have cut poverty by two-thirds. In the past decade the income of the poorest 10% of Brazilians has almost doubled in real terms, whereas that of the richest 10% has grown by less than a fifth. Brazil’s Gini coefficient, a measure that expresses income inequality, is at a 50-year low. But “there is a sense in which Brazil is still Belíndia,” says Marcelo Neri, the president of IPEA, a government-funded think-tank: “A rich country that’s growing like Belgium—that is, slowly—and a poor one that’s growing fast, like India.” More than half Brazil’s population of 200m now belongs to a new lower-middle class, living in households with a monthly income per person between 291 and 1,019 reais ($127-446). Most of these gains in income have come from earnings, though government transfers have made an important contribution, especially in the poor north-east. Tens of millions of Brazilians now live in more solid houses equipped with cookers, fridges and washing machines. Many own cars. Children of illiterate domestic servants have jobs in the formal economy and study for degrees at night. But when the new middle classes step outside their doors, traces of 1970s Belíndia are still all around. The number of cars in circulation has more than doubled in a decade, but most roads are still unpaved and few new ones have been built. Public transport consists mainly of packed, decrepit buses. Air traffic has also more than doubled in the past ten years, but airports have barely been touched. Children attend school in two, sometimes three shifts a day. Two-fifths of Brazilians are not covered by local primary health care. When life was a struggle for survival, the economy and jobs were the main concerns. Now that people are a little better off, the parlous state of infrastructure and public services is at the front of their minds. The government has tried but largely failed to respond to growing demand for public goods. Many of the big infrastructure projects included in its Growth Acceleration Programme announced in 2007 are running years behind schedule and way above budget. Dilma Rousseff, the president, appears at last to have accepted that Brazil will need private-sector involvement to get the roads, railways, ports and airports it needs, but her conversion has been late and grudging. Concessions to run three airports were auctioned at the beginning of 2012, but auctions for more airports, as well as ports, roads and railways, were delayed while the government quibbled over the terms. The dangers of complacency Many Brazilian politicians seem to believe that the protests were simply growing pains, but they are being unduly complacent. They should have realised that the new middle classes would want decent public services, commutes without epic traffic jams and elected representatives who were visibly working towards these ends. Several parties have proposed electoral reforms to make politicians more responsive to voters, but they all want different things, so reaching consensus will be difficult. A less favourable economic climate is now making it even harder to meet the voters’ increasingly vocal demands. The slowdown in growth has caused a downturn in investment, which last year was just 18.4% of GDP, not enough to lead a recovery or to build the infrastructure Brazil needs. Ms Rousseff has been hectoring businessmen to invest more, ignoring the fact that it is mainly government obstructionism and heavy-handedness that hold them back. And commodity prices seem unlikely to bail out Brazil’s economy with another growth spurt. The country has also blown its chance to cash in on its demographic bonus. Its birth rate has declined steeply over the past few decades but it still has a young population, with many people currently of working age, and a relatively small number of dependants at either end of the age scale. Unfortunately most of this bonus is going on a crazily generous pension system. That will soon put an even bigger strain on public finances as large numbers of workers start to retire. Despite all these caveats, this special report will argue that, given the will, there is scope for the social and economic advances of the past two decades to continue. Brazil’s agribusiness has made huge productivity gains and offers opportunities for further growth. Innovative consumer firms are catering to the new middle classes and are starting to expand abroad. Brazil’s politicians have been put on notice that today’s young adults, better educated than the previous generation, will be less willing to accept corrupt, venal politics and more insistent on getting decent public services in return for the high taxes they pay. The way to fund such services is not to increase public spending, which at 38.5% of GDP is already far higher than in comparable countries, but to get growth going again. To achieve that, the government will have to resume the reforms it dropped during the good times: trimming pension benefits, cutting red tape, lowering and simplifying taxes and updating labour laws. Successful infrastructure auctions, too, would help get investment back on track, and abandoning anti-profit rhetoric would improve business sentiment. But the most urgent problem that Brazil needs to tackle is a sharp loss of competitiveness.
O Estado de S.Paulo (SP): Sacolão Por Sonia Racy Nenhumadas 12 cidades que receberão partidas da Copa do Mundo no ano que vem está preparada para separar e destinar, adequadamente, seu lixo. Foi o que concluiu pesquisa que a BBC Brasil acaba de tabular. Pior: os índices de reciclagem não chegam nem a 10%. Porto Alegre foi a sede que apresentou o melhor resultado, 9,1%. Segundo o Ipea, o Brasil perde, anualmente, R$ 8 bilhões ao deixar de reciclar lixo.
Folha de S.Paulo (SP): Flexibilidade permite a dentista investir na formação Especialização no setor público é uma das apostas O dentista com seu motorzinho pode ser um pesadelo para muita gente, mas ele é um profissional fundamental. É o responsável pela saúde e pela beleza dos dentes e de parte do rosto. Entre as vantagens da profissão estão a alta empregabilidade 90%, de acordo com o Ipea e a possibilidade de organizar o próprio horário, caso o profissional opte por ser autônomo. Marcelo Ribeiro Bergamini, 34, trabalhou por um ano num consultório particular antes de montar seu próprio negócio, em 2003. "Tenho autonomia para atender o paciente no tempo que ele precisa ser atendido, usando as formas que aprendi serem as mais corretas, sem as regras de uma clínica que não é minha", diz. A flexibilidade de horários possibilitou que ele concluísse a especialização e o mestrado em dentística --campo responsável pela recuperação da anatomia e da função dos dentes. Essa e outras áreas relacionadas a estética e implante terão destaque nos próximos anos, segundo o diretor do curso de odontologia da Unip, Carlos Allegretti. Mas o cenário de atuação é mais amplo. Hoje, o dentista pode ser consultor em empresas de produtos odontológicos e trabalhar em operadoras de planos de saúde. SAÚDE PÚBLICA A saúde pública também é uma boa aposta. "A especialização nessa área tem sido uma tendência devido à ampliação do serviço público", afirma Claudio Miyake, presidente do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo. Recém-formado, Valdemar Pereira Miná Neto, 24, optou por essa estabilidade. "A ideia de ter um salário fixo e não depender da sazonalidade da economia pesou na decisão", conta. Ainda neste mês, Valdemar inicia seu trabalho em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) na Grande São Paulo. Com foco na área pública desde o início da graduação, ele desenvolveu um projeto para uma comunidade ribeirinha da Bahia com ênfase em educação e saúde bucal. "Numa perspectiva futura, promover saúde e trabalhar com a prevenção será cada vez mais importante do que a ação curativa." O curso de odontologia dura de quatro a cinco anos, incluindo o período de estágio, em que os alunos atendem pacientes sob supervisão de um docente.
Folha de S.Paulo (SP): No seu caminho Saber como o mercado valoriza os profissionais é uma boa pista para a escolha Na trilha para escolher a profissão, não existe caminho certo ou errado. Algumas pistas indicam a direção, mas só o próprio viajante pode definir o melhor destino. As condições do mercado de trabalho para as carreiras são uma orientação objetiva. Para ajudar nessa avaliação, o "Guia das Profissões" traz uma lista de dez carreiras universitárias em situação mais vantajosa no país atualmente, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Com dados do Censo 2010, o instituto comparou o desempenho de 48 profissões, combinando salário, carga horária, taxa de ocupação e cobertura previdenciária. As carreiras apresentadas neste especial foram selecionadas entre as mais bem colocadas na lista e de forma a contemplar as áreas de exatas, humanas e biológicas. Medicina, com a maior remuneração e mais chance de emprego, lidera o ranking. Mas avaliar a profissão pelo valor que ela tem hoje é limitado --também é importante saber a tendência dessa atuação para o futuro. "As carreiras expressam as demandas da sociedade. E o que vai dar trabalho ou condições de remuneração varia imensamente com a mudança tecnológica", alerta Gilson Schwartz, autor de "As Profissões do Futuro" (Publifolha). Outra pista para a escolha é o autoconhecimento. No site da Folha, um exercício elaborado pelo coach Maurício Sampaio, autor de "Escolha Certa" (ed. Dsop), pode ajudá-lo nesse processo.
Folha de S.Paulo (SP): Médico tem a melhor remuneração Dermatologia é uma das especialidades mais disputadas na carreira atualmente Dedicação é a palavra-chave para aqueles que optam pelo curso de medicina. O tempo voltado para a carreira que exige constante atualização começa bem antes de o jovem entrar no mercado de trabalho, com os concorridos vestibulares. Por outro lado, a extensa oportunidade de trabalho e o retorno financeiro podem compensar o esforço de quem enxerga na área sua vocação. Segundo o Ipea, a carreira médica tem a melhor remuneração (uma média de R$ 6.940 mensais) e taxa de ocupação (91,8%) entre as 48 carreiras analisadas. E para quem acha que as madrugadas de plantões são inevitáveis, algumas áreas permitem driblar isso. "Uma das especialidades mais disputadas em residência hoje é dermatologia. Entre os motivos estão o fato de englobar a área estética e de não exigir uma rotina tão extenuante de plantões", afirma o coordenador do curso de medicina da Unicamp, Wilson Nadruz Junior. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que a especialidade foi a mais concorrida no último concurso para bolsas de residência, com 34,5 candidatos/vaga. Angela de Souza Cassol, 26, optou por essa especialização por achar que se trata de uma área desafiadora. "A pele é o maior órgão do corpo e, apesar de a queixa do paciente estar visível, nem sempre o diagnóstico é fácil. É uma área muito rica." Angela está no segundo ano de residência no Hospital das Clínicas da Unicamp. No total, são três anos. IMAGEM Outra especialidade promissora para os próximos anos é o setor de diagnóstico por imagem, de acordo com Nadruz Junior. "É uma área interessante, porque mexe muito com tecnologias, que avançam a cada dia", afirma. Foi esse interesse que levou Thiago Moreira da Cruz, 28, a buscar os três anos de residência em radiologia no hospital Sírio-Libanês. Depois de terminar sua primeira especialização, em 2012, ele faz mais um ano de residência em radiologia de músculo esquelético. "Sempre gostei muito da parte de investigação, de juntar os quebra-cabeças e chegar a um diagnóstico final. A radiologia me propicia isso", diz o profissional. Cruz aponta ainda que a especialidade também permite passar por várias áreas da medicina, desde a cirurgia geral até a neurologia.
O Dia (RJ): Rio acima da média nacional na violência contra a mulher Jovens, negras e com baixa escolaridade são as principais vítimas, segundo pesquisa Maria Luisa Barros Rio - A cada 90 minutos, duração de uma partida de futebol, uma mulher é morta no Brasil. Negras, jovens e pouco escolarizadas são as principais vítimas da violência. No Estado do Rio, a taxa de homicídios é de 6,03 para cada grupo de 100 mil mulheres, acima da média nacional, que é de 5,82. As mortes ocorridas nos municípios fluminenses superam os índices de onze estados brasileiros, à frente do Maranhão e Amapá. Os dados fazem parte do estudo 'Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil', elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2009 e 2011, com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. No período, foram assassinadas 16.993 mulheres. Por ano, ocorrem, em média, 5.664 mortes de causas violentas. Vários tipos de agressão Segundo os pesquisadores, a violência contra a mulher é praticada sob diversas formas, desde a agressão verbal, passando pelo abuso emocional, até a violência física ou sexual. Os crimes cometidos contra elas, em sua maioria, envolvem armas de fogo e são praticados em vias públicas. Grande parte dos homicídios ocorre nos finais de semana, sendo que 19% dos homicídios acontecem aos domingos. O levantamento mostra que, sete anos após a criação da Lei Maria da Penha, as taxas permaneceram estáveis.Houve um sutil decréscimo da taxa em 2007, logo após a entrada em vigor da lei, mas depois voltou a crescer. Os estados com os maiores índices são Espírito Santo, Bahia, Alagoas e Roraima. No outro extremo, estão o Piauí, Santa Catarina e São Paulo. Para o Ipea, é necessário reforçar as ações previstas na Lei Maria da Penha e adotar medidas de enfrentamento à violência doméstica com proteção às vítimas. Maioria tem até 39 anos A região com as piores taxas de violência contra a mulher é o Nordeste, que apresentou 6,9 casos a cada 100 mil mulheres, de 2009 a 2011; Mulheres jovens foram as principais vítimas: 31% estavam na faixa etária de 20 a 29 anos e 23% de 30 a 39 anos; Enforcamento ou sufocação foi registrado em 6% dos óbitos. Maus tratos - incluindo agressão por meio de força corporal, força física, violência sexual, negligência, abandono e outras síndromes de maus tratos (abuso sexual, crueldade mental e tortura) - foram registrados em 3% dos óbitos; A cada mês são assassinadas no país 472 mulheres, ou 15,52 por dia. Os companheiros delas são os principais assassinos Três em cada dez mulheres assassinadas foram atingidas dentro da própria casa, o que reforça o perfil de violência doméstica ou familiar. De acordo com o levantamento do Ipea, 40% de todos os homicídios são cometidos pelos companheiros das vítimas. "Os parceiros íntimos são os principais assassinos de mulheres", constata a coordenadora do estudo, Leila Posenato. Um exemplo disso foi o caso da vereadora suplente Márcia Leocádio de Souza (PDT), 49 anos, que, em janeiro, foi morta em casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O marido é o principal acusado de tê-la esfaqueado. Normalmente, os crimes envolvem situações de abuso, ameaças, intimidação e violência sexual. A morte da mulher é intencional e, na maioria dos casos, sem chance de defesa para as vítimas. " Os crimes são eventos evitáveis, que abreviam as vidas de mulheres jovens, causando perdas inestimáveis, além de consequências adversas para as crianças, para as famílias e para a sociedade", conclui a pesquisadora do instituto.
O Globo (RJ): Em Recife, mãe relata descaso policial, apesar de denúncias "O que aquele demônio fez não foi só matar minha filha. Ele acabou com a vida de três" Por Letícia Lins A dona de casa Antônia Cavalcanti, 58, relata um exemplo do que mostram os números do Ipea, segundo o qual o Nordeste tem o maior percentual de feminicídios do país (6,9 por 100 mil mulheres). Em dezembro de 2011, sua filha, a professora Izaelma Cavalcanti Tavares, então com 36, foi assassinada com oito tiros pelo marido, Eduardo Moura Mendes, 52, ex comissário da Polícia Civil. Ele não aceitava a segunda separação, fez os disparos na frente do filho do casal, então com cinco anos. Em seguida, desapareceu com a criança, que agora mora com a avó materna. O menino não consegue disfarçar o trauma da realidade brutal que o destino aprontou: é agressivo, tem medo de ficar só, dificuldade para cumprir a rotina de criança normal e se encontra sob tratamento psicológico. — O que aquele demônio fez não foi só matar minha filha. O crime foi triplo, porque ele acabou com a vida de três: a dela, que matou de verdade. Mas depois disso, eu e meu neto também ficamos como mortos. Nunca mais fomos os mesmos. Izaelma já havia denunciado o marido por violência, várias vezes. A família possui os registros dos termos circunstan ciados de ocorrência, mas a polícia nunca tinha lhe dado apoio, de acordo com seus parentes. Há registros entre 2004 e 2005, sendo que um último havia sido feito em outubro de 2011, dois meses antes da professora ter sido assassinada. O acusado refugiou-se em Alagoas, onde, segundo a ex-sogra, dopava o filho no esconderijo. O ex policial entregou o menino aos avós paternos, que chamavam a avó materna para visitá-lo esporadicamente. Em uma dessas visitas, ela deparou com o ex-genro, avisou à polícia e ele foi preso. Casos como o de Isaelma engordam a crônica policial em Pernambuco, onde, entre janeiro e agosto, 164 mulheres foram assassinadas, 9 mil 292 ameaçadas e 6 mil 007 sofreram algum tipo de lesão corporal. O Espírito Santo é estado que lidera o número de crimes, com uma média, entre 2009 e 2011, de 11,24 assassinatos a cada 100 mil mulheres. As autoridades, no entanto, afirmam que os dados de 2013 apontam redução. O coronel Gustavo Debortoli, subsecretário de Segurança Pública, lembra que o Espírito Santo é o segundo estado do Brasil em número de homicídios. Segundo ele, o alto número de mortes de mulheres também se deve, portanto, a uma relação de proporcionalidade. A promotora Sueli Lima e Silva, da Promotoria de Defesa da Mulher, vê distorções no sistema de proteção aos crimes desse gênero. Ela diz que, por questões legais, é impedida de cuidar de casos de homicídio.
O Globo (RJ): Apesar de lei mais dura, morte de mulheres caiu pouco Ipea aponta média de cinco assassinatos por 100 mil habitantes; para governo, norma serve à prevenção -Brasília- Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre violência contra as mulheres concluiu que, apesar da Lei Maria da Penha, foi pequena a redução no número de mortes desde 2006, quando a punição mais dura entrou em vigor. A partir de dados do Ministério da Saúde, o Ipea demonstrou que o número de mortes de mulheres por agressões de maridos, companheiros e parceiros nos últimos onze anos — entre 2001 e 2011 — pouco alterou. A taxa média de mortalidade por grupo de 100 mil mulheres entre 2001 e 2006, antes da lei, foi de 5,28. Entre 2007 e 2011, depois da lei, a taxa média ficou em 5,22. O Ipea calcula que, nesse período, ocorreram mais de 50 mil feminicídios no Brasil, o que equivale a 5 mil por ano, 15 por dia e uma mulher morta a cada uma hora e meia. Para a coordenadora do trabalho, a pesquisadora Leila Garcia, a Lei Maria da Penha não mostrou a que veio até agora. — São inúmeros inaceitáveis. Demonstra que a Lei Maria da Penha, sozinha, não resolveu e não vai resolver o problema — disse Leila Garcia, que defendeu a aprovação da lei que tipifica o feminicídio como crime. Parte do estudo do Ipea gerou reação dentro do próprio governo. A Secretaria de Política Para Mulheres, do governo federal, divergiu da conclusão do Ipea. Â secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Aparecida Gonçalves, disse ao GLOBO que a função da lei é prevenir e não, a curto prazo, reduzir número de mortes de mulheres. — Considero meio erradas algumas conclusões da pesquisa. A Lei Maria da Penha em nenhum momento, ou a curto prazo, vai incidir sobre número de assassinatos. A lei protege as mulheres. Ao longo desses anos, foram adotadas mais de 300 medidas protetivas, frutos da Lei Maria da Penha. Portanto, a lei deu certo e está protegendo as mulheres. A função dela é evitar, é prevenir — disse Aparecida Gonçalves. Em março deste ano, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) divulgou que, em 2012, os relatos de violência contra as mulheres chegaram a 88.685 registros — dez a cada hora, de acordo com denúncias apresentadas à Central de Atendimento à Mulher. Em comparação a 2011, houve crescimento de 18,2% dos casos, que no ano anterior haviam somado 75.019 ocorrências. Frente a 2006, quando foi criado o Ligue 180 e promulgada a Lei Maria da Penha, o registro desses casos cresceu sete vezes ou 633% (foram 12.664 registros de violência em 2006).
O Globo (RJ): Impunidade: Violência contra mulher não caiu Lei Maria da Penha, em vigor há 7 anos, não reduziu índice de mortes de mulheres, diz estudo. Morrem 5 mil por ano. Apesar de lei mais dura, morte de mulheres caiu pouco Ipea aponta média de cinco assassinatos por 100 mil habitantes; para governo, norma serve à prevenção -Brasília- Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre violência contra as mulheres concluiu que, apesar da Lei Maria da Penha, foi pequena a redução no número de mortes desde 2006, quando a punição mais dura entrou em vigor. A partir de dados do Ministério da Saúde, o Ipea demonstrou que o número de mortes de mulheres por agressões de maridos, companheiros e parceiros nos últimos onze ános — entre 2001 e 2011 — pouco alterou. A taxa média de mortalidade por grupo de 100 mil mulheres entre 2001 e 2006, antes da lei, foi de 5,28. Entre 2007 e 2011, depois da lei, a taxa média ficou em 5,22. O Ipea calcula que, nesse período, ocorreram mais de 50 mil feminicídios no Brasil, o que equivale a 5 mil por ano, 15 por dia e uma mulher morta a cada uma hora e meia. Para a coordenadora do trabalho, a pesquisadora Leila Garcia, a Lei Maria da Penha não mostrou a que veio até agora. — São inúmeros inaceitáveis. Demonstra que a Lei Maria da Penha, sozinha, não resolveu e não vai resolver o problema — disse Leila Garcia, que defendeu a aprovação da lei que tipifica o feminicídio como crime. Parte do estudo do Ipea gerou reação dentro do próprio governo. A Secretaria de Política Para Mulheres, do governo federal, divergiu da conclusão do Ipea. Â secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Aparecida Gonçalves, disse ao GLOBO que a função da lei é prevenir e não, a curto prazo, reduzir número de mortes de mulheres. — Considero meio erradas algumas conclusões da pesquisa. A Lei Maria da Penha em nenhum momento, ou a curto prazo, vai incidir sobre número de assassinatos. A lei protege as mulheres. Ao longo desses anos, foram adotadas mais de 300 medidas protetivas, frutos da Lei Maria da Penha. Portanto, a lei deu certo e está protegendo as mulheres. A função dela é evitar, é prevenir — disse Aparecida Gonçalves. Em março deste ano, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) divulgou que, em 2012, os relatos de violência contra as mulheres chegaram a 88.685 registros — dez a cada hora, de acordo com denúncias apresentadas à Central de Atendimento à Mulher. Em comparação a 2011, houve crescimento de 18,2% dos casos, que no ano anterior haviam somado 75.019 ocorrências. Frente a 2006, quando foi criado o Ligue 180 e promulgada a Lei Maria da Penha, o registro desses casos cresceu sete vezes ou 633% (foram 12.664 registros de violência em 2006).
O Globo (RJ): Brasil fica para trás em produtividade Distância para países avançados era de 180% nos anos 1980. Hoje, é de 300% Por Henrique Gomes Batista A economia brasileira tem avançado pouco em sua produtividade. Segundo Marcelo Neri, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nas nações mais desenvolvidas, a produtividade do trabalho está crescendo a um ritmo mais rápido: — Na década de 1980, a produtividade do trabalho das nações mais avançadas era cerca de 180% e 200% maior que a brasileira. Agora, ela está em cerca de 300% — disse. A SAE vai elaborar um mapa das iniciativas públicas para incentivar a produtividade. O trabalho deverá ser finalizado em março, coincidindo com a reunião dos Brics, grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, China, índia e África do Sul. Neri afirmou que, na última década, hoüve um avanço no crescimento econômico e na redução da pobreza e da desigualdade, em parte, pela política do salário mínimo e pelas políticas sociais. Agora, em período de quase pleno emprego, os desafios são maiores. Ricardo Paes de Barros, subsecretário da SAE, afirmou que há cerca de cem políticas públicas para a produtividade, mas acredita que falta ações coordenadas: — O mapa será importante para identificar os problemas, pois temos políticas, e até a produtividade da Argentina cresce mais que a nossa. Ontem, o Dieese informou que o desemprego em sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo instituto caiu de 10,9% em julho para 10,6% em agosto. Essa foi a quarta queda consecutiva. A renda média dos trabalhadores subiu 1,2%, para R$ 1.632.
O Estado de S.Paulo (SP): Lei da Maria da Penha não reduz mortes A Lei Maria da Penha foi incapaz de reduzir a taxa de mortalidade de mulheres por agressão. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem mostrou que a proporção de feminicídios por ioo míl mulheres em 2011 superou o patamar de 2001 - 5,43 vítimas, ante 5,41. A lei, de agosto de 2006, estabeleceu uma série de medidas de proteção e tomou mais rigorosa a punição contra a violência. Ao comparar a taxa de mortes por agressão nos períodos anteriores e posteriores à lei, o Ipea constatou um retrocesso. De 2001 a 2006, foi verificada uma taxa de 5,28 feminicídios por 100 mil mulheres - praticamente a mesma encontrada entre 2007 e 2011, de 5,22. Em 2007, primeiro ano da lei, observou-se decréscimo de 5,02 para 4,74 - revertido no ano seguinte. O relatório tabulou os dados de 2009 a 2011 por região. O Nordeste lidera, com 6,90 feminicídios por 100 mil mulheres. Em seguida, estão Centro-Oes-te (6,86), Norte (6,42), Sudeste (5,14) e Sul (5,08). Na divisão por Estado, Espírito Santo apresenta o maior número (11,24) e Piauí, o menor (2,71), São Paulo aparece em 25.0 lugar, com 3,74. O Ipea estima que entre 2001 e 2011 ocorreram mais de 50 mil feminicídios no Brasil - aproximadamente 5 mil mortes por ano e mais de dez por dia. Para a coordenadora do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), Ingrid Leão, a lei é um instrumento importante, mas não o único, no combate à violência contra a mulher. "Não é só por ter uma delegacia que um homem vai deixar de matar urna mulher. E necessário movimentar a sociedade por uma cultura de não violência, por uma educação não sexista", explica. Segundo Ingrid, a taxa é um indicativo de que os governos estaduais e federal precisam assumir um compromisso maior com políticas públicas de proteção das mulheres. Metodologia. O Ipea esclarece que não há estimativas nacionais sobre a proporção de mulheres que são assassinadas por seus companheiros no Brasil, Por isso, foi considerado no estudo o total de mortes de mulheres por agressões, um indicador aproximado de feminicídios. Os dados foram recolhidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, Os pesquisadores apontam que os registros não documentam a relação entre vítima e agressor nem o motivo do crime. A pesquisa conclui que há a "necessidade de reforço nas ações previstas na Lei Maria da Penha, bem como a adoção de outras medidas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher, à efetiva proteção das vitimas e à redução das desigualdades de gênero no Brasil. O Ipea defende também a aprovação de projeto de lei que tipifica o crime de feminicídio. Dessa forma, seria possível aumentar a pena do agressor.

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