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Correio Braziliense (DF): Preços da saúde disparam Inflação de serviços médicos e odontológicos, de convênios e de exames acumula alta de 8,76% desde o início do ano em Brasília. É o maior percentual registrado em todo o país. Laboratórios, hospitais e dentistas aplicaram os reajustes mais pesados. Julia Borba O aumento dos custos com saúde está castigando o bolso dos brasilienses. Desde o início do ano, Brasília foi a capital com a mais alta inflação neste segmento, que inclui serviços como atendimento médico e odontológico, procedimentos laboratoriais e planos de saúde. De janeiro a outubro, os preços subiram em média 8,76%, contra uma média nacional de 6,8%. A capital federal é seguida por Belo Horizonte, Goiânia, Rio de Janeiro e Fortaleza, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede a inflação nas principais capitais brasileiras (veja ranking). De acordo com o IBGE, foram os serviços laboratoriais e hospitalares que mais se destacaram frente às demais capitais pesquisadas, com variações de 12,56% e 10,55%, respectivamente. Também registrou alta elevada o atendimento prestado pelos dentistas, que reajustaram seus preços em 10,55%. Para se ter uma ideia do aumento nos preços que compõem a cesta de saúde, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra até outubro alta acumulada de 5,43%. Os gastos com saúde consomem em média 10,8% do orçamento dos brasileiros. Significa dizer que uma família com renda mensal de R$ 5 mil, por exemplo, gastaria até o fim do ano passado em média R$ 540 por mês com médicos, dentistas e convênios. Se aplicada a inflação de 8,76%, esse gasto mensal subiria para R$ 587,30, o equivalente a 11,7% da renda. Ou seja, sem aumento de salário, a inflação da saúde seria responsável por comer 1% da renda familiar. A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Julia Braga explica que a variação dos preços tem influência nos aumentos dos preços de medicamentos. "Não significa necessariamente que o preço dos remédios subiu muito. O que acontece é que o peso deles é muito significativo dentro deste grupo. Como não podem ser dispensados, qualquer alteração nos valores mexe no índice como um todo", afirma. Dentro da cesta de itens que sofreram reajustes estão listados tanto os que são livres para determinar o valor a partir da demanda do mercado — como serviços médicos e odontológicos, por exemplo —, quanto os limitados pelo governo, por meio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): remédios e planos de saúde. Em alta A fisioterapeuta Cláudia Pereira, 47 anos, tem um convênio particular, mas mesmo assim precisa pagar pelas consultas com alguns especialistas. "Eu tenho a saúde muito boa, então é um gasto que não pesa tanto no meu orçamento. Mas, mesmo assim, cada vez que preciso de um médico de confiança, pago por fora. Por atendimento são R$ 260, o que eu considero caro", reclama. Quando vai ao dentista, a situação se repete. "Não dá para escolher alguém do plano, sem indicação. Vou em quem eu confio, alguém que tenha experiência, então também preciso tirar do bolso. O convênio serve para dar segurança e para atendimento na emergência, o que raramente acontece." Apesar do aperto no orçamento, a auxiliar de educação Aparecida Vicente, de 50 anos, diz não ter como escapar dos reajustes. "Eu sei que aumentou porque pago todo mês o meu plano de saúde e ainda vou em médicos fora do convênio. Você chega à rede privada e não tem pediatra, o que você pode fazer além de se sujeitar a pagar o preço?", questiona. Professor da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Alberto Ramos explica que todo o setor de serviços, de maneira geral, tem sofrido visivelmente com os impactos da inflação. "Nesse caso, o único influenciador do preço é o mercado interno, a demanda da população. Não há como importar esse tipo de atendimento se o preço subir aqui e cair em São Paulo, por exemplo", afirma o economista. De acordo com Ramos, como a renda per capita de Brasília é alta e formada, em grande parte, por funcionários públicos, a economia local também não está tão sensível ao ciclo de crise macroeconômica e às mudanças no cenário internacional como estaria se fosse uma região industrial. "Somam-se a isso o aumento natural da procura, já que a população está envelhecendo, e o aumento de empregos formais. Quando os profissionais passam a ser formalizados, eles também ganham acesso a planos de saúde privados", reforça o professor. Por esse motivo, o especialista considera razoável que os reajustes da saúde superem a média da inflação. "Eu sei que aumentou porque pago todo mês o meu plano de saúde e ainda vou em médicos fora do convênio" Aparecida Vicente, auxiliar de educação Índice Em julho, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixou em 7,69% o índice máximo de reajuste para os planos de saúde médico-hospitalares individuais/familiares contratados a partir de janeiro de 1999. O percentual incidiu sobre os contratos de cerca de 8 milhões de consumidores, ou seja, 17% dos usuários no Brasil. Palavra de especialista Perfil local "O que pode pressionar a inflação da saúde são os serviços locais, principalmente o atendimento médico. Nesse caso, quem define os preços são as características de cada cidade, que vão além da concorrência, da especialização ou da demanda. Entram na conta os preços do aluguel do consultório ou da mão de obra, e nós sabemos o quanto esses custos são altos no DF. Além disso, como o brasiliense tem uma renda elevada, ele é mais permissivo com os aumentos. Está disposto a pagar. O que não ocorre em outras capitais, que possuem crescimento econômico menor. José Ricardo da Costa e Silva, professor de economia do Ibmec
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BBC Brasil: Em baixa recorde, desemprego 'deve voltar a subir em 2012'
Taxa cai para 5,7%, menor já registrada em outubro; para economistas, desaceleração da economia deverá 'ajustar' oferta de trabalho.
A Pesquisa Mensal de Empregos (PME), do IBGE, divulgada nesta quarta-feira mostra que a taxa de desemprego em outubro caiu para 5,8%, a menor já registrada no mês desde o início desse aferimento, em 2002.
Economistas ouvidos pela BBC Brasil preveem, no entanto, que o desemprego voltará a crescer no próximo ano, sentido os efeitos de um "ajuste macroeconômico" e da crise internacional.
Para Daniel Sousa, professor do Ibmec do Rio de Janeiro, "o Brasil já está em um processo de ajuste, que se dá pela própria dinâmica macroeconômica. O país se aproximou do limite de seu potencial de crescimento".
"Por volta de um ano, esse efeito já começará a ser sentido no mercado de trabalho", disse.
Na série histórica do PME, apenas os meses de novembro e dezembro de 2010 tiveram um resultado melhor (5,7% e 5,3%, respectivamente). Em setembro deste ano, o IBGE indicou uma taxa de desemprego de 6%.
Rodrigo Leandro de Moura, da Fundação Getúlio Vargas do Rio, diz que "é provável que a taxa de desemprego comece a subir nos próximos meses".
"Por mais que tenhamos tido um crescimento econômico no ano passado, a gente não tem como criar tantas vagas e absorver tanta mão de obra", disse.
Para Moura, a baixa taxa de desemprego só é sustentável com "investimento em infraestrutura, em educação e revisão da carga tributária".
Para Márcio Pochmann, presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do governo, "ajuste é uma palavra muito forte". Ainda assim, o economista também prevê uma desaceleração na oferta de trabalho.
"Como vamos crescer menos que no ano passado, não geraremos a mesma quantidade de emprego no ano que vem".
Pleno emprego
A baixa taxa de desemprego fez alguns economistas e a própria presidente Dilma Rousseff afirmarem que o Brasil alcançou o "pleno emprego", também chamado de "taxa natural de desemprego".
Na economia, pleno emprego é a situação na qual todos os trabalhadores que aceitam a remuneração estabelecida pelo mercado estão empregados.
Souza acredita que "o Brasil se aproximou bastante do pleno emprego nos últimos meses". Já Moura diz que o "país ainda não vive uma taxa natural de desemprego, mas sim vive um momento estável, devido às boas condições da economia".
Para Pochmann, ainda "estamos longe de pleno de emprego". Segundo ele, o país só alcançaria esse patamar quando a taxa de desocupação caísse perto de 3%.
Crise e inflação
Em setembro, o Banco Central surpreendeu os analistas e baixou a taxa de juros após meses de alta. O Copom (Comitê de Política Monetária) justificou a decisão usando as previsões de queda na inflação e o cenário de "deterioração" da economia internacional.
Para muitos analistas, o governo estaria afrouxando o controle da inflação para evitar uma alta no desemprego, estimulando a economia com a expansão do crédito.
Pochmann diz que "não vê" o governo diante de uma escolha entre um controle mais forte da inflação e a manutenção dos atuais níveis de emprego.
"Não vejo essa escolha, que é chamada de Curva de Phillips. Isso se aplica em economias desenvolvidas, com um mercado de trabalho estruturado, o que não é o caso brasileiro", diz.
Para o economista, "houve a opção do governo de manter o crescimento em um ritmo menor, até para segurar a expansão acelerada do consumo, para evitar a inflação".
Sousa, do Ibmec Rio, diz que em caso de aumento do desemprego "os setores mais penalizados serão os de produtos mais elásticos à renda, como o de eletrodomésticos e de automóveis".
Pochmann diz ainda que o país já sofre os efeitos da crise internacional.
"Já estamos sofrendo os efeitos da crise, que é a mais grave da história do capitalismo. Em 1929 parte do mundo era socialista e outra parte vivia sob um regime colonial. Hoje todo o mundo funciona sob uma lógica mercantil", diz. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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ZERO HORA (RS): Os danos dos impostos
Num momento em que o governo comemora a arrecadação recorde de impostos em abril, estudo de um órgão do próprio Executivo expõe o efeito massacrante dos tributos sobre as camadas mais pobres da população. Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada comprova o que já é de conhecimento de todos, mas representa um avanço no sentido de dimensionar a perda de renda provocada pela voracidade do setor público. Uma família na base da chamada pirâmide social, com renda per capita média de R$ 127, vê 32% do que recebe ser consumido por impostos, ou seja, um terço dos ganhos é abocanhado por tributos indiretos. Apesar de a carga tributária ser excessiva para a grande maioria no Brasil, esse peso é particularmente perverso e injusto com quem tenta sobreviver com rendimentos precários.
O Estado acaba penalizando quem mais deveria ter sua renda preservada, num contrassenso com a prioridade eleita pelo próprio setor público, no sentido de combater a miséria extrema. A contradição entre políticas públicas de combate à pobreza, de um lado, e a carga de tributos sobre a renda dos mais pobres é abordada pelo Ipea. O instituto registrou uma tênue compensação, representada pelos programas sociais, em relação a levantamento semelhante realizado em 2003. Mas os ganhos proporcionados pelo aumento de renda de suportes como o Bolsa-Família não são suficientes para alterar de forma significativa os sacrifícios que os tributos impõem a quem vive na chamada linha da pobreza. São contingentes que não pagam os chamados impostos diretos, como o tributo sobre a renda, porque nem renda suficiente têm para tal. Mas são onerados indiretamente pela tributação de tudo o que consomem.
Fica claro que, para manter seu gigantismo e prestar serviços que não correspondem ao que arrecada, o Estado também contribui com a ampliação das desigualdades sociais, enquanto suas receitas crescem sem parar. Em abril último, a arrecadação total de impostos e outras contribuições federais chegou a R$ 85,15 bilhões, um crescimento real, descontada a inflação, de 10,34% em relação ao mesmo mês do ano passado. É um recorde, que certamente será batido mês a mês, se for mantido o ritmo de produção, consumo e melhoria de renda, que provocam mais arrecadação.
Mesmo que recorra ao argumento de que o dever do Estado é o de arrecadar para manter suas obrigações como mantenedor de serviços públicos, cabe também ao governo refletir sobre as conclusões do estudo do Ipea, ou as investigações de um órgão que mantém não terão nenhum sentido. A reflexão deve conduzir, para que tenha algum valor, a uma ação efetiva que mobilize o Congresso para a mudança da estrutura de arrecadação de impostos federais e estaduais até hoje intocável. Se não demonstrar empenho pela reforma tributária, o governo deixará claro que prefere deixar tudo como está, na confortável condição de arrecadador que, no confronto com Estados e municípios, mais se beneficia da injustiça tributária.
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ESTADO DE S. PAULO (SP): Vamos esquecer a China? Alberto Tamer
Como? Esquecer a China? Sim, mas apenas como parceiro comercial que só importa do Brasil commodities e, para nós, exporta produtos industrializados sem transferir tecnologia. O Brasil deve conquistá-la como fonte de investimentos diretos, e não apenas na área de matérias-primas. Há pouco mais de cinco anos, a China nem figurava entre os investidores nos registros do Banco Central. Agora, caminha para a liderança. Desde 2003, foram US$ 37 bilhões.
O ministro do Comércio chinês, Chen Deming, que esteve aqui com 40 representantes de 40 empresas estatais, anunciou US$ 1 bilhão só este ano. Otimista, o governo fala em US$ 8 bilhões. Há previsões de que chegue a US$ 40 bilhões em 2014. Os números estão inflacionados, mas, descontando exageros, não há duvida de que eles estão interessados no mercado brasileiro. Pode até haver surpresas agradáveis.
A questão é saber o destino desses recursos. A China investe no mundo todo em petróleo, minérios e agricultura. Precisa garantir o futuro e já armazena imensos estoques estratégicos. E o Brasil tem tudo. Querem repetir aqui o que já fazem na África há alguns anos.
O comércio. Quanto ao comércio, a China se cala. O ministro Chen disse que vai estudar as queixas contra as barreiras chinesas aos produtos industrializados do Brasil, mas não criou expectativa de mudança. Quando pressionado, respondeu com a face mais ingênua do mundo que o Brasil teve superávit de US$ 1,6 bilhão no primeiro quadrimestre do ano, sem esclarecer que foi por causa do aumento dos preços das commodities.
Diante da insistência dos ministros do Desenvolvimento e Relações Exteriores, acrescentou: "Não vamos tocar no superávit. Estamos de braços abertos para os produtos brasileiros". Ou seja, eles vão continuar importando as matérias-primas que precisam, para atender à demanda de um crescimento de 9%. Seguirão fazendo estoques estratégicos para compensar a dependência do mercado externo. E onde encontrariam parceiro tão cordato que importa até equipamentos pesados e exporta soja, petróleo e celulose?
60% mais barato. Chen Deming deixou bem claro que a China quer matéria-prima e não vai mudar a política comercial por causa do Brasil. Os parceiros de verdade da China são os Estados Unidos e a Europa, com mais de US$ 200 bilhões cada um. Os chineses podem fazer algumas concessões isoladas, mas sabem que a indústria brasileira simplesmente não pode competir.
O professor Antonio Correa de Lacerda, em artigo publicado esta semana no Estado, foi muito claro: estudos mostram que o yuan está desvalorizado em 40% sobre o dólar e o real valorizado em 20%. Ou seja: "um produto fabricado na China em dólares americanos, que é a base de comparação internacional, tem um preço cerca de 60% menor que o fabricado no Brasil". Isso apenas no câmbio, sem contar os custos menores decorrentes do desrespeito chinês às leis de patentes e propriedade intelectual, meio ambiente, salários baixos e custos trabalhistas, lembra Lacerda.
O antidumping? Para a pesquisadora do Ipea, Fernanda De Negri, a adoção de medidas antidumping é paliativa. Não funciona. "Faz 20 anos que setores industriais estão reclamando e faz 20 anos que eles não ganham competitividade. Não adianta dar salvaguarda sem cobrar ganho de competitividade", diz a pesquisadora. "Existem fronteiras tecnológicas importantes em vários setores industriais. O Brasil teria mais condições de competir com os chineses investindo nesses setores do que dando salvaguardas", afirma ela. Nunca se disse tudo em tão poucas palavras.
É a hora. E aqui entra esse novo interesse chinês - que começou só no segundo semestre de 2009 - em investir no Brasil. Onde? Só em commodities, de baixo valor agregado? O ministro Aloizio Mercadante afirmou que está preocupado com o perfil desses investimentos. Ele quer que os chineses transfiram tecnologia para que possamos no futuro produzir esses produtos acabados aqui. Assim, vamos continuar a exportar matéria-prima, mas produzindo itens de valor agregado internamente também.
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ZERO HORA (RS): Pobres Pagam Mais Impostos, Diz Ipea
A atual estrutura tributária do país, baseada em impostos indiretos, afeta mais as camadas da população com menor renda. A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao governo.
Segundo o Ipea, 32% da renda dos brasileiros mais pobres – aqueles que têm renda per capita média de R$ 127 – é convertida em pagamento de tributos.
Ainda de acordo com o estudo, 28% da renda vai para impostos indiretos, como PIS, Cofins e ICMS, e apenas 4% vai para os tributos diretos, como aqueles cobrados sobre bens e serviços. Já no caso das famílias com maior poder aquisitivo, com renda per capita média de R$ 1.691, a distribuição é mais equilibrada.
Está Dito
“A valorização cambial é um sintoma de saúde da economia brasileira, não é um sintoma de doença da economia brasileira. Os US$ 50 bilhões que entraram no país no último ano é dinheiro de investimento mesmo.”
AFFONSO PASTORE, PROFESSOR DA USP E EX-PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL
“Não há, nos fundamentos da nossa economia, possibilidade de que a inflação saia de controle. Esta é uma estratégia terrorista das instituições financeiras para sabotar as mudanças da agenda econômica do Brasil, que caminha na direção contrária à de seus interesses.”
ROBERTO MESSENBERG, COORDENADOR DO GRUPO DE ANÁLISES E PREVISÕES DO INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (Ipea)
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CORREIO BRAZILIENSE (DF): Por um Brasil mais enxuto
Na contramão das propostas de criação de sete estados em tramitação no Congresso, geógrafo defende que número de unidades da Federação seja reduzido de 27 para 14
Alessandra Mello
O Congresso Nacional quer redividir o Brasil, criando pelo menos sete estados e quatro territórios federais. O principal argumento para esse redesenho do mapa são as desigualdades sociais dentro das próprias unidades da Federação. No início do mês, a Câmara aprovou a realização de uma consulta popular para saber o que pensa a população do Pará sobre a divisão do estado em três — Tapajós, Carajás e Pará. Aprovado praticamente pela maioria dos deputados, o projeto, que também teve o aval do Senado, não é unanimidade. Na contramão dos parlamentares, o geógrafo e professor da Universidade de São Paulo (USP) André Roberto Martin defende uma nova organização, com a fusão de estados.
Pela proposta de Martin, especialista em geografia política e regional, diminuir o número de estados é o melhor caminho para o país resolver dois de seus gargalos: “A desproporcionalidade de representação no Congresso e a necessidade de uma reforma tributária que ordene direitos e deveres dos entes federativos”. O geógrafo defende a redução para 14 estados e a criação de três territórios federais. O Brasil tem hoje 26 estados, além do Distrito Federal. Para ele, o principal problema das propostas em tramitação no Congresso é a falta de visão nacional. “Todas têm sempre um objetivo mesquinho: ou se apropriar de um recurso (caso da mineração em Carajás e Tapajós) ou se livrar do descaso do ‘estado-sede’, sem se preocupar com o destino desse último.”
A proposta de Martin seria fundir Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas a Pernambuco, para fortalecer a Região Nordeste dentro da Federação. O Espírito Santo se uniria ao Rio de Janeiro. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se juntariam e Tocantins voltaria a pertencer a Goiás. Roraima, que até a década de 1980 era território, seria incorporado pelo Amazonas. E o antigo território do Amapá, elevado à condição de estado em 1988, seria englobado pelo Pará.
“Recorro à história, à geografia e à ciência política para dizer que o Nordeste se enfraqueceu à medida que se subdividiu. Sua economia perdeu tônus e Recife definhou perante Rio e São Paulo. Restaurar o velho Leão do Norte, capitania-geral que reunia Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, seria hoje revolucionário”, defende. Para o autor de tão polêmica proposta de aglutinação — que passa longe da cabeça dos parlamentares, pois não há nenhum projeto dessa natureza em tramitação —, a consulta sobre a criação de novos estados é totalmente extemporânea.
Ipea O professor não é o único contrário ao surgimento de novas unidades da Federação. Estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), encomendado pela Câmara na legislatura passada, afirma que os novos estados seriam inviáveis economicamente e dependeriam de ajuda federal para arcar com as estruturas de administração pública que precisariam ser criadas, como toda a máquina dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. De acordo com o Ipea, na maioria dos casos em discussão no Congresso, os gastos necessários para a criação das novas unidades federativas seriam maiores do que o Produto Interno Bruto (PIB) do próprio estado.
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Folha de S. Paulo (SP): Brasil negocia participação na empreitada
DE CARACAS
O Brasil negocia a participação na construção de ao menos quatro complexos produtivo-habitacionais que farão parte da versão local do "Minha Casa, Minha Vida" lançada pelo presidente Hugo Chávez. Os projetos serão parceria de Caracas com a coalizão de instituições brasileiras no país: o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a Caixa Econômica Federal e a Embrapa, além de empresas do Brasil. A ideia é coordenar o esforço habitacional com interesses do Brasil de ampliar a integração do sul venezuelano com o norte brasileiro. Um dos planos em discussão é instalar em Roraima fábrica de módulos para a construção de residências que serviria aos mercados brasileiro e venezuelano. Uma das metas é que a indústria atenda à demanda de casas na região da faixa do Orinoco, a maior reserva de petróleo local, que abrigará os principais projetos do setor nos próximos anos. A Venezuela também pretende contar com missão de especialistas da Caixa Econômica Federal, que tentará passar experiência brasileira no financiamento de habitação popular para o programa venezuelano.
A parceria integral é a estratégia do Brasil para garantir espaço num mercado de construção civil que, com ou sem Chávez, só crescerá nos próximos anos.(FM)
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ESTADO DE MINAS (MG): O mapa do emprego
Áreas de serviços, comércio e construção são as que mais criam vagas em Minas
Marta Vieira, Paula Takahashi e Luiz Ribeiro
A conquista do emprego formal em Minas Gerais passou, com vantagens, pelo crivo dos departamentos de recursos humanos das empresas prestadoras de serviços em diversas áreas, responsáveis por quase 30% das oportunidades criadas nos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte e do interior do estado que mais abriram vagas no último ano até abril. Na vice-liderança desse ranking da geração de vagas com a carteira de trabalho assinada, o comércio respondeu por 27,3% do saldo do emprego (a diferença entre contratações e demissões), superando o fôlego da construção civil, que vinha surpreendendo. Os canteiros de obras bancaram 20% do resultado no período.
Os números foram apurados no mais recente levantamento de dados sobre os 48 municípios mineiros que apresentaram saldo do emprego superior a 600 vagas nos últimos 12 meses até abril, com base nas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O movimento das admissões e dispensas dos trabalhadores com registro é acompanhado pelo órgão em 100 cidades mineiras com mais de 30 mil habitantes.
Nesse novo mapa do emprego formal que começa a ser desenhado em Minas este ano, o setor de serviços explica o saldo de sete em cada 10 empregos criados nesse grupo de municípios com maior dinamismo na geração de postos de trabalho. Em pelo menos 37 dos 48 municípios selecionados pelo Estado de Minas na estatística oficial, o setor se mantém como âncora das contratações e a geografia do emprego também traz boas surpresas no estado. Apesar do forte peso da abertura de vagas em Belo Horizonte, com um saldo de 77.935 empregos e primeira colocada no mapa do emprego do estado, municípios de praticamente todas as regiões se destacaram.
Favorecida pelos serviços de telecomunicações e do comércio atacadista, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, exibiu um saldo de 13.146 empregos, espremendo Contagem, peso pesado na economia mineira. O município tipicamente industrial da Grande BH ficou na terceira posição entre as cidades que mais geraram empregos, exibindo saldo de 10.279 vagas, impulsionado pelo comércio e os serviços prestados à própria indústria. Polo do Norte de Minas, Montes Claros, com saldo de 4.864 empregos, marcou presença no grupo, beneficiada pelos serviços de saúde, educação e manutenção de veículos, além do comércio em geral, que atende consumidores de diversas cidades do entorno.
CANTEIRO DE OBRAS Berço da mineração de ferro em Minas e maior exportadora do estado, Itabira, na Região Central de Minas, teve mais destaque na construção civil, principal responsável pelo saldo de 3.987 vagas na terra do poeta Carlos Drummond de Andrade. O mesmo setor influenciou os saldos de 3.354 de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, e João Monlevade (saldo de 1.667 empregos), outro município que é grande produtor de aço. O predomínio dos serviços, seguidos de perto pelo comércio e a construção civil, na geração de empregos reflete o aumento dos rendimentos da população em todo o país e deve permanecer, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Márcio Pochmann.
“A renda puxa os serviços que compreendem novos segmentos em expansão, como os de tecnologia da informação e de educação. Essa é uma tendência verificada não só no Brasil como no mundo”, afirma Pochmann. Ele observa que 70% do emprego no país está nas empresas prestadoras de serviços. A importância do setor deve permanecer, independentemente das perspectivas de crescimento menor da economia brasileira em 2011. Estudo do Ipea indica a abertura de 1,7 milhão de empregos este ano, universo nada desprezível depois de uma geração de 2,5 milhões de vagas no ano passado.
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ESTADO DE MINAS (MG): Brasil mais enxuto
Na contramão dos projetos de divisão, geógrafo defende fusão que reduziria o número de estados de 26 para 14
Alessandra Mello O Congresso Nacional quer redividir o Brasil criando pelo menos sete estados e quatro territórios federais. O principal argumento para esse redesenho do mapa brasileiro são as desigualdades sociais dentro dos próprios estados. No início do mês, a Câmara aprovou a realização de uma consulta popular para saber o que pensa a população do Pará sobre a divisão do estado em três, com a implantação de mais duas unidades da federação, já batizadas de Tapajós e Carajás. Aprovado praticamente pela maioria dos deputados, o projeto, que também teve o aval do Senado, não é uma unanimidade. Pelo contrário. Na contramão do que pretendem deputados e senadores, o geógrafo e professor da Universidade de São Paulo (USP) André Roberto Martin defende uma nova organização dos estados brasileiros, com a fusão de unidades da federação.
Pela proposta de Martin, especialista em geografia política e regional, diminuir o número de estados, fundindo alguns deles, é o melhor caminho para o país resolver dois de seus gargalos: “A desproporcionalidade de representação no Congresso e a necessidade de uma reforma tributária que ordene direitos e deveres dos entes federativos”. O geógrafo defende a redução de 26 estados para 14 e a criação de três territórios federais. O Brasil tem hoje 26 estados, além do Distrito Federal. Para ele, o principal problema das propostas em tramitação no Congresso é a falta de visão nacional. “Todas têm sempre um objetivo mesquinho: ou se apropriar de um recurso (caso da mineração no Carajás e Tapajós) ou se livrar do descaso do estado-sede, sem se preocupar com o destino deste último. No fim, fica tudo pendurado na viúva, isto é, o Tesouro Nacional.” Para ele, a fusão iria fortalecer estados que hoje têm baixa representatividade e dificuldades econômicas.
A proposta de Martin seria fundir o Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas com Pernambuco, para fortalecer a Região Nordeste dentro da federação. O Espírito Santo se fundiria ao Rio de Janeiro. Mato Grosso viraria um só estado, com a união do Mato Grosso do Sul, criado no final da década de 1970. Tocantins voltaria a pertencer a Goiás. Roraima, que até a década de 80 era território, seria incorporado pelo estado do Amazonas. E o antigo território do Amapá, levado à condição de estado em 1988, seria incorporado ao Pará.
“Recorro à história, geografia e ciência política para dizer que o Nordeste se enfraqueceu à medida que se subdividiu, sua economia perdeu tônus, e Recife definhou perante Rio e São Paulo. Restaurar o velho Leão do Norte, capitania geral que reunia Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, seria hoje revolucionário”, defende. Para o autor de tão polêmica proposta de aglutinação – que passa longe da cabeça dos parlamentares, pois não há nenhum projeto dessa natureza em tramitação –, a consulta sobre a criação de estados é totalmente extemporânea. “Está-se desviando a atenção de temas importantes. Se for para debater formas de diminuirmos as desigualdades regionais do país, aí sim o tema da divisão ou fusão territorial se torna relevante”, afirma. Mas o professor não é o único contrário a novas unidades da federação. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), encomendado pela Câmara na legislatura passada, afirma que os novos estados seriam inviáveis economicamente e dependeriam de ajuda federal para arcar com as estruturas de administração pública que precisariam ser criadas, como toda a máquina dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Inviabilidade econômica
De acordo com o estudo do Ipea, na maioria dos casos em discussão no Congresso, os gastos necessários para a criação das novas unidades federativas seriam maiores do que o Produto Interno Bruto (PIB) do próprio estado.
Apesar de aprovada consulta sobre a divisão do Pará, a proposta ainda enfrenta resistência e até mesmo ações na Justiça. O deputado estadual do Pará Celso Sabino de Oliveira (PR) entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) contra os projetos dos plebiscitos sobre o desmembramento do estado. O deputado quer a suspensão do projeto enquanto não houver um "estudo técnico" sobre o assunto. Ele alega que não foi feito nenhum levantamento de quanto vai custar a nova estrutura administrativa do estado. "É uma ilegalidade a falta de estudos técnicos que demonstrem a viabilidade econômico-social dos novos estados, além dos prováveis impactos tributários que sofrerá a referida região", diz o deputado. A relatora do processo é a ministra Ellen Gracie.
No caso de Carajás, falta apenas a promulgação de um decreto para que a consulta comece a ser organizada. Para o plebiscito sobre o estado do Tapajós é necessário que a proposta volte para o Senado, onde já tinha sido aprovada, porque foi alterada pela Câmara.
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Portal iG (São Paulo): Crescimento econômico agrava "apagão" profissional
Pesquisa aponta que 69% das empresas enfrentam dificuldades por falta de mão de obra qualificada
Quem procura uma vaga no mercado de trabalho em muitos casos tem mais oportunidades para escolher. Mas, por outro lado, as organizações têm enfrentado problemas em relação à qualificação desses profissionais.
Segundo a Sondagem Industrial Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em abril deste ano, 69% das empresas enfrentam dificuldades por falta de mão de obra qualificada. O principal impacto, de acordo com a pesquisa, recai sobre a produtividade e a qualidade dos produtos. Do total das companhias consultadas, 52% afirmam que o maior desafio é a baixa qualidade da educação básica. Para resolver essa questão, 78% das empresas avaliadas afirmam qualificar os trabalhadores na própria companhia.
De acordo com André Calixtre, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a falta de mão de obra qualificada é setorializada. "No geral, em muitas áreas temos um excedente de mão de obra, mas em alguns setores específicos, como a área de engenharia, há uma grande escassez."
Verônica Ahrens, sócia da consultoria de gestão de carreiras Crescimentum, afirma que o principal fator para essa falta de mão de obra qualificada é o aquecimento da economia. "O faturamento das empresas vem crescendo a cada ano. Com isso, surgem muitas oportunidades, mas não há muitos profissionais formados e preparados para desempenhar as funções."
Para isso, além de o profissional se especializar, também é preciso que as empresas tenham um papel mais forte na formação de seus líderes. "Se o chefe desenvolve, inspira e ajuda o funcionário a crescer, dificilmente ele sairá da empresa. Mas, se o líder não faz isso, fica muito mais fácil as organizações perderem esses poucos profissionais qualificados", afirma Verônica. Isso porque eles acabam trocando de emprego e, muitas vezes, por uma pequena diferença de salário.
Segundo Verônica, esse problema contribui para a alta rotatividade nas empresas. "As pessoas têm muita oferta. Se não está se sentindo reconhecido naquele lugar, ele sai e em seguida consegue outro emprego." Por isso, um dos maiores investimentos das organizações tem sido, segundo a consultora, na formação de líderes para reter os profissionais qualificados.
Qualificação
"O funcionário pode não ter o conhecimento técnico, mas muitas atividades ele aprende no seu dia a dia, se alguém estiver disposto a ensiná-lo", acredita Verônica. Portanto, as empresas também podem qualificar esses profissionais. E é essa própria capacitação que gera a motivação para que ele continue na companhia.
O problema da qualificação também vem de uma educação de base. "Muitas vezes, as escolas públicas, infelizmente, não suprem as necessidades das pessoas", ressalta Verônica.
No entanto, na avaliação de Calixtre, apesar de a educação ser importante para a qualificação do trabalhador e para a formação do cidadão, o aumento dos postos de trabalho é mais determinante para o sucesso do profissional. Calixtre aconselha que o profissional busque fazer cursos técnicos, o que acelera seu processo de entrada no mercado de trabalho. "A educação sempre vai ajudar, mas o que determina é a existência de vagas."
Setores
Na avaliação de Verônica, os setores que mais enfrentam esse problema são os de engenharia, construção civil e produção. "Há uma grande falta de pessoas em níveis mais técnicos." Em produção, por exemplo, há alguns polos nos quais o crescimento está levando as fábricas a trazer profissionais de outros Estados. "A população da região não consegue atender à demanda das indústrias por mão de obra."
Segundo Calixtre, a diferença da falta de mão de obra qualificada entre os setores é explicada pelo dinamismo heterogêneo da economia. A construção civil, por exemplo, cresce muito mais do que os outros setores. Por isso, nessa área a falta de mão de obra qualificada é maior. "Por ser um setor que se aqueceu muito rapidamente, o estoque de mão de obra especializada se esgotou. Nesse segmento, a maior ausência é de nível técnico."
Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral com 130 empresas de grande porte no Brasil aponta que 52% enfrentam dificuldades na contratação de profissionais na área de produção e "chão de fábrica".
Calixtre explica que esse é um dos motivos do Ministério da Educação ter criado o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (Pronatec): atender a essa demanda por mão de obra qualificada em determinadas áreas.
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BBC Brasil (Inglaterra): Crescimento econômico estimula doméstica a mudar de emprego Júlia Dias Carneiro
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro
A ex-doméstica carioca Leila Ramos Barbosa, investiu nos estudos e atualmente é técnica de enfermagem. O crescimento econômico brasileiro vem estimulando a migração de empregadas domésticas para outros setores da economia, como empresas de telemarketing, supermercados ou clínicas hospitalares.
Nas seis principais metrópoles do país, onde mais de 1,6 milhão desempenham serviços domésticos, a tendência tem sido de queda consecutiva no número de empregados no setor desde setembro, aponta o economista Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) com a possível migração para outros setores. Nos últimos 12 meses, após alguns anos de sobe-desce, as estatísticas mostram que a categoria perdeu 81 mil pessoas, a maioria em empregos sem carteira assinada.
Notícias relacionadasDomésticas são reserva subutilizada de trabalho, diz MantegaEm busca de ascensão, ex-domésticas apostam em novas carreirasApós viver de restos, ex-doméstica vira técnica de enfermagem. “Ao longo da última década, houve um encolhimento do setor informal da economia, e acredito que as domésticas também estejam seguindo este caminho. É provável que outros setores estejam ‘roubando’ essas trabalhadoras, que estão procurando emprego com carteira assinada”, analisa.
Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), relaciona o fenômeno ao fato de o Brasil estar perto do pleno emprego e assistindo à ampliação do chamado 'apagão de mão-de-obra', mas com características bem específicas.
Enquanto a expressão costuma ser usada para designar a falta de mão-de-obra qualificada, neste caso, diz Neri, é o mercado de trabalho das categorias de base que está pressionado. "No fundo, temos um apagão de mão-de-obra não qualificada. Está faltando peão de obra, agricultor, garçom, empregada. Não há sinais na base de haver uma reserva de mercado e os salários estão sendo pressionados", diz.
Fuga da nova geração
Com maior escolaridade, renda e desejo de ingressar no mercado de trabalho formal, sobretudo mulheres mais novas têm buscado empregos em outras áreas. É o que indica, por um lado, a redução do percentual de jovens entre empregadas domésticas, e, por outro, o aumento da idade média das domésticas em atividade, hoje de 39 anos.
De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o contingente de mulheres jovens de 18 a 24 anos empregadas no setor caiu pela metade entre 1999 e 2009, passando de 21,7% para 11,1%. Já as mulheres de 30 a 44 anos passaram a representar 42,5% das trabalhadoras do setor, contra 37% em 1999.
“Estamos vendo um envelhecimento da categoria. As mais jovens, em função do aumento da escolaridade, vão se deslocar para outras ocupações”, diz Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea. “O trabalho doméstico é um trabalho precário, de baixa qualidade. Se a pessoa tem a possibilidade de se ocupar em outros lugares com a sua qualificação, é evidente que vai optar por isso.”
"O trabalho doméstico é um trabalho precário, de baixa qualidade. Se a pessoa tem a possibilidade de se ocupar em outros lugares com a sua qualificação, é evidente que vai optar por isso."
Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea
Filha de doméstica, Bárbara Baptista se formou em biotecnologia e faz mestrado em imunologia. Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular - instituto de pesquisas e consultoria em São Paulo - diz que a categoria perde trabalhadoras de duas formas: há tanto as domésticas que conseguem migrar para outras carreiras após alguns anos na profissão quanto pessoas que, pelo perfil sócio-econômico, seriam historicamente levadas ao trabalho doméstico, mas que já entram no mercado de trabalho por outros caminhos.
A história da carioca Bárbara José Antunes Baptista, de 24 anos, é um exemplo bem-sucedido dessa mudança de rumo. O investimento da mãe, que trabalhou como doméstica até falecer em 2005, na educação da filha rendeu frutos. Formada em biotecnologia, a jovem faz hoje mestrado em imunologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
"Eu não segui a profissão da minha mãe, mas isso porque ela me deu muito apoio e uma direção para que eu buscasse uma profissão que pudesse me dar um retorno melhor na vida, e melhores condições financeiras", diz Bárbara.
“A nova geração foge do emprego doméstico”, reitera Meirelles. “Não é pelo salário, é pela perspectiva de crescimento. Com o emprego formal, podem até ganhar menos quando se conta na ponta do lápis, mas passam a ter benefícios, a segurança da carteira assinada e, principalmente, perspectiva de crescimento profissional.”
Para ele, a mudança se dá, sobretudo, pela democratização do ensino. Entre 2002 e 2011, a pesquisa do Data Popular mostra que a proporção de trabalhadoras com ensino médio completo quase dobrou (passando de 12,7% para 23,3%).
“Com uma renda maior, elas estão investindo em educação, e ao investir em educação elas deixam de ser domésticas”, diz Meirelles.
A renda da categoria teve aumento acima da média entre 2002 e 2011. Enquanto o brasileiro médio teve aumento de 25% no período, no caso das domésticas, o incremento foi de 43,5%. A categoria movimenta hoje R$ 43 bilhões com o dinheiro do próprio salário, um salto de 66% em relação a 2002 (quando a renda somava R$ 25,9 bilhões).
A educação foi o caminho da carioca Leila Ramos Barbosa para deixar o serviço doméstico em busca de ascensão profissional.
Filha de uma família destroçada após o abandono da mãe e o alcoolismo do pai na infância, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ela começou a trabalhar como empregada doméstica aos 13 anos. Depois de já ter sobrevivido de restos de feira livre catados nas ruas e rejeitado a escolha de amigas da adolescência que seguiram o caminho da prostituição, Leila voltou para a escola aos 17 anos para completar o ensino fundamental e médio. Hoje é técnica de enfermagem. "Eu não me envergonho de ter trabalhado em casa de família, mas eu tinha um sonho, o sonho de melhorar."
Serviço de luxo
Para Rodrigo Leandro de Moura o Brasil pode estar caminhando para uma realidade mais próxima à dos países ricos. O serviço doméstico, outrora amplamente acessível à classe média, pode vir a se tornar um "serviço de luxo", considera.
Na semana passada, o ministro da Economia, Guido Mantega, afirmou em Londres que as empregadas domésticas são uma parte subutilizada do mercado de trabalho no Brasil, e começam a preencher empregos gerados pelo aquecimento da economia no país.
“As empregadas domésticas são algo que quase não existe mais nos países avançados, e é uma reserva de trabalho que o Brasil tem”, disse.
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Seminário em Recife apresentou o perfil da pobreza extrema no estado
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Proposta é que os pesquisadores tenham mais oportunidades para conhecer e analisar a realidade do País
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Ipea promove debate sobre economia brasileira na Bahia
Seminário Novo Ciclo do Pensamento Nacional reúne a Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas e o governo estadual baiano
Em continuidade às comemorações dos 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), sua Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) promove, em 8 de outubro, em Salvador (BA), o seminário Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional.
O Ipea será representando no evento pelo diretor da Dimac, João Sicsú, que fará, no período da tarde, uma exposição sobre a situação da economia brasileira, acompanhado pela economista Maria Luíza Falcão. As palestras vão acontecer no Hotel Galé (Rua Morro Escravo Miguel, 320, Ondina), na capital baiana.
Em sua apresentação, Sicsú pretende abordar o panorama atual da economia brasileira, uma das últimas a sofrer os efeitos da crise econômica mundial e das primeiras a apresentar sinais de superação desta.
À noite, no mesmo local, o diretor da Dimac participa, ao lado da secretária da Casa Civil do governo da Bahia, Eva Maria Chiavon, de uma mesa-redonda sobre o tema Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro.
João Sicsú deverá abordar, principalmente, os pontos de vista expostos no capítulo “A construção de uma estratégia de desenvolvimento”, do livro Sociedade e Economia: Estratégias de Crescimento e Desenvolvimento, recentemente lançado pelo Ipea, reunindo autores de diferentes linhas de pensamento da economia.
A mesa contará ainda com as presenças dos secretários estaduais de Agricultura, Roberto Muniz; de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Walmir Assunção; de Educação, Oswaldo Barreto; e de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros.
A série de seminários Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional vai promover debates em diversas capitais do País com cada uma das diretorias do Instituto. Acompanhe a programação:
Outubro 6 (terça-feira) Dicod Recife
8 (quinta-feira) Dimac Salvador
14 (quarta-feira) Disoc Belém
20 (terça-feira) Diest Brasília
22 (quinta-feira) Dirur Aracajú
27 (terça-feira) Dides Brasília
29 (quinta-feira) Diset São Paulo
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